A AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) afirmou, no início do mês, que pretende acelerar os processos de regularização de imigrantes em Portugal e expandir os serviços de atendimento pelo território nacional.
As declarações foram feitas por Pedro Portugal Gaspar, presidente do Conselho Diretivo da agência, durante o colóquio “Coesão Social e os Desafios da Polarização Urbana: Uma Estratégia Local de Segurança”, realizado em Lisboa.
Segundo o dirigente, atualmente a agência consegue concluir entre dois e três mil processos por dia, o equivalente a cerca de 70 mil regularizações por mês.
AIMA reconhece demora e promete melhorias
Durante o evento, Pedro Portugal Gaspar reconheceu que a lentidão dos processos representa uma forma de “violência” contra os imigrantes que dependem da regularização documental em Portugal.
Ainda assim, defendeu que o cenário atual é menos crítico do que em anos anteriores.
“As filas de espera não se comparam com as que já existiram no passado”, afirmou.
O responsável garantiu ainda que a AIMA está comprometida em melhorar a capacidade de resposta local e abrir novos pontos de atendimento em regiões onde a presença dos serviços ainda é insuficiente.
Integração e imigração estiveram no centro do debate
O colóquio reuniu representantes da segurança pública, autoridades políticas e especialistas em migração para discutir os desafios da integração social em Portugal.
Pedro Portugal Gaspar destacou que o aumento da imigração nos últimos anos traz desafios importantes para o país, especialmente no diálogo entre comunidades e na promoção da coesão social.
Segundo ele, a população portuguesa precisa compreender as vantagens trazidas pelos imigrantes para reduzir tensões e fortalecer a integração.
Debate sobre criminalidade e imigração
Durante o painel, o comandante do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis), superintendente-chefe Luís Elias, afirmou que houve redução de cerca de mil crimes violentos e graves na última década.
O responsável defendeu, ainda, que a divulgação da nacionalidade de pessoas condenadas poderia ajudar a combater a desinformação e discursos polarizadores sobre imigração.
A posição foi apoiada por Vasco Malta, chefe da missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Portugal. Segundo Malta, muitas percepções negativas sobre imigração estão ligadas a preconceitos e desinformação.
Portugal enfrenta envelhecimento populacional
Outro tema abordado foi a crise demográfica portuguesa.
Vasco Malta lembrou que Portugal está entre os países mais envelhecidos do mundo e possui uma das taxas de natalidade mais baixas da Europa.
“Há países onde estão a rebentar bombas e fazem mais bebês do que em Portugal”, afirmou durante o debate.
Comunidade de Bangladesh também participou
O evento contou ainda com a participação de Rana Taslim, representante da comunidade de Bangladesh em Portugal.
Ele defendeu que pessoas sem autorização legal para permanecer no país devem ser deportadas, mas destacou que a maioria dos imigrantes bengaleses vive em Portugal para trabalhar.
Segundo Taslim, atualmente existem cerca de 70 mil imigrantes de Bangladesh em território português.
“Há políticos que dizem que imigrantes vivem com subsídios; é mentira”, afirmou.