Turismo e aviação pressionam Europa por suspensão do sistema EES nos aeroportos

Empresas de turismo, hotelaria e aviação pressionam autoridades europeias pela suspensão temporária do sistema Entry/Exit System (EES), após longas filas e atrasos em aeroportos portugueses. O novo controle biométrico de fronteiras tem provocado congestionamentos, conexões perdidas e preocupação com possível desvio de turistas para outros destinos europeus durante o verão de 2026.

As filas nos aeroportos portugueses deixaram de ser um problema pontual para se transformar em uma crise que preocupa todo o setor turístico. Companhias aéreas, hotéis e agências de viagens passaram a pressionar o governo português e as autoridades europeias pela suspensão imediata do novo sistema europeu de controle de fronteiras, o Entry/Exit System (EES).

Nos bastidores do turismo, o clima é de forte tensão às vésperas do verão europeu.

Representantes do setor descrevem o cenário nos aeroportos como “um caos”, “uma vergonha”, “uma tempestade perfeita” e até “uma incompetência” na implementação do sistema. O temor é que os longos tempos de espera afastem turistas internacionais justamente no período mais importante do ano para a economia portuguesa.

Novo sistema virou foco de congestionamentos

O EES começou a funcionar de forma gradual nos países do Espaço Schengen em outubro de 2025. O sistema substituiu os tradicionais carimbos nos passaportes por registros biométricos digitais, incluindo fotografia facial e coleta de impressões digitais de cidadãos não pertencentes à União Europeia.

Na prática, porém, a implementação tem provocado congestionamentos especialmente nos aeroportos de Lisboa, Faro e Porto.

Passageiros vindos de países fora da União Europeia enfrentam filas que frequentemente ultrapassam duas horas para passar pelo controle migratório.

Em períodos de maior movimento, relatos de conexões perdidas, atrasos de bagagem e superlotação começaram a se tornar comuns.

“O aeroporto de Lisboa está esgotadíssimo, a época alta vai começar e isto soma-se à conjuntura marcada por problemas no abastecimento e de ligações de voos. É a tempestade perfeita”, afirmou Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal.

Setor teme perda de turistas para outros países

O principal medo das empresas ligadas ao turismo é que os viajantes internacionais passem a escolher outros destinos europeus para evitar os problemas enfrentados em Portugal.

Segundo representantes das agências de viagens, operadores internacionais já começaram a alertar clientes sobre os transtornos nos aeroportos portugueses.

“Quem envia turistas para Portugal sabe que eles terão problemas e avisam-nos. No momento da venda são, naturalmente, apresentadas alternativas aos clientes”, afirmou Miguel Quintas, presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens.

O setor cita exemplos recentes de países como Grécia e França, que acionaram mecanismos de flexibilização previstos pela própria legislação europeia para reduzir os impactos do sistema em períodos críticos.

Nos bastidores, cresce a pressão para que Portugal faça o mesmo junto à Comissão Europeia.

Verão europeu preocupa companhias aéreas

As companhias aéreas também afirmam estar sofrendo impactos operacionais importantes.

Além dos atrasos, empresas relatam aumento de custos devido a passageiros que perdem voos enquanto aguardam no controle migratório.

“Há passageiros que perdem os voos e o avião parte com a bagagem que tem de ser reposta em terra e isso tem um custo”, explicou António Moura Portugal, diretor executivo da associação das companhias aéreas em Portugal.

Segundo ele, o problema também afeta a reputação das empresas aéreas, já que muitos passageiros acabam responsabilizando as companhias pelos atrasos, mesmo quando o congestionamento acontece dentro do controle fronteiriço.

Governo promete reforços, mas setor considera resposta tardia

Diante das críticas crescentes, o governo português reconheceu os problemas nas últimas semanas e anunciou medidas emergenciais.

Entre elas estão o aumento do número de postos de controle manual, ampliação dos e-gates automáticos e reforço policial nos aeroportos a partir do verão europeu.

As entidades do setor, porém, consideram as medidas insuficientes e tardias.

“É preciso um plano de ação claro e assertivo. O Governo não pode só dizer que lamenta e que vai resolver”, afirmou António Moura Portugal.

Representantes do turismo alertam que julho e agosto devem representar o maior teste para o sistema desde sua implementação.

Europa enfrenta dilema entre segurança e turismo

O caso português também reacendeu um debate mais amplo dentro da Europa sobre os limites entre segurança fronteiriça e eficiência turística.

O Entry/Exit System foi criado para reforçar o controle migratório e aumentar a segurança nas fronteiras externas da União Europeia, mas países fortemente dependentes do turismo passaram a questionar se a estrutura atual consegue suportar o volume de passageiros durante a alta temporada.

Portugal, Espanha, Itália e Grécia aparecem entre os países mais pressionados por esse novo cenário.

Enquanto Bruxelas insiste que o sistema pode funcionar adequadamente com ajustes operacionais, empresários do turismo alertam que o desgaste na experiência dos passageiros já começa a afetar a imagem internacional dos destinos europeus.

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