A aproximação econômica entre Brasil e Portugal pode ganhar novo impulso nos próximos anos, especialmente com o avanço das discussões em torno do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A avaliação é da cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro, Joana Gaspar, que vê no mercado brasileiro uma oportunidade estratégica para empresas portuguesas interessadas em expandir suas operações.
Há pouco mais de uma semana no cargo, a diplomata acompanha de perto os eventos ligados à inovação e ao empreendedorismo realizados na capital fluminense, incluindo a edição carioca da Web Summit, considerada uma das principais conferências de tecnologia e negócios do mundo.
Segundo Joana Gaspar, a combinação entre proximidade cultural, idioma comum e confiança mútua cria um ambiente favorável para o fortalecimento das relações comerciais entre os dois países.
“O Brasil é um ótimo mercado de expansão, ainda mais com o acordo UE-Mercosul, que vai facilitar ao nível das tarifas sobre os bens mas também mais tarde nos serviços”, afirmou.
A cônsul acredita que a redução de barreiras e a simplificação de processos poderão abrir novas oportunidades para empresas portuguesas em diferentes setores da economia brasileira.
“O processo é gradual e pode ser benéfico para as nossas empresas, ao nível da desregulamentação; no Brasil há muitas taxas e o acordo UE-Mercosul vem facilitar”, acrescentou.
Portugal quer reforçar sua imagem de país inovador
Apesar da proximidade histórica entre os dois países, Joana Gaspar avalia que ainda existe um desafio importante relacionado à percepção que muitos brasileiros têm sobre Portugal.
Para ela, é necessário ampliar o conhecimento sobre as transformações econômicas, tecnológicas e empresariais vividas pelo país nas últimas décadas.
“Há um trabalho de divulgação que tem que ser feito, sobre Portugal no Brasil e sobre o Brasil em Portugal”, destacou.
Esse esforço de aproximação ganha força com a participação portuguesa em eventos internacionais. Neste ano, a Startup Portugal, organização pública voltada ao ecossistema de inovação, levou 27 startups para participar da Web Summit Rio, em uma ação conjunta com a AICEP e o governo português.
O objetivo, segundo a diplomata, é fortalecer a presença da marca Portugal em um mercado considerado estratégico para o país europeu.
“Toda a conversa de que somos países irmãos, às vezes faz baixar um bocadinho a percepção da necessidade de nos darmos a conhecer”, observou.
Na visão da cônsul, muitos brasileiros ainda associam Portugal a uma imagem tradicional, sem conhecer plenamente o dinamismo econômico e tecnológico do país atualmente.
“No Brasil não se conhece o Portugal moderno que temos hoje”, afirmou.
Confiança entre os países pode impulsionar novos investimentos
Para Joana Gaspar, a realização da Web Summit tanto em Lisboa quanto no Rio de Janeiro contribui para apresentar Portugal como um polo de inovação, criatividade e desenvolvimento tecnológico.
A diplomata defende que eventos desse porte ajudam a construir uma nova percepção internacional sobre o país.
“Não queremos que o Brasil olhe a Portugal como um país velho, mas como um país moderno, de oportunidades, evoluído e criativo.”
Além da afinidade cultural e histórica, a cônsul acredita que a confiança existente entre brasileiros e portugueses representa um diferencial importante para futuras parcerias empresariais.
“Há uma confiança recíproca”, ressaltou.
Segundo ela, essa relação de confiança pode servir como ponto de partida para novos negócios e investimentos entre os dois lados do Atlântico.
“Isto é algo que pode ser um embrião”, afirmou, acrescentando que “nenhum investidor ou empresa põe dinheiro num parceiro em quem não tenha confiança”.
Com a ampliação dos laços econômicos, o crescimento dos ecossistemas de inovação e a expectativa em torno do acordo entre União Europeia e Mercosul, Portugal busca fortalecer sua presença no mercado brasileiro e apresentar uma imagem alinhada aos avanços tecnológicos e empresariais que vêm marcando o país nos últimos anos.
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