O presidente da Itália, Sergio Mattarella, manifestou apoio à primeira-ministra Giorgia Meloni após as declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltaram a provocar tensão entre Roma e Washington.
Segundo informações divulgadas pela imprensa italiana, Mattarella telefonou para Meloni nesta sexta-feira (19) para expressar solidariedade diante dos comentários feitos por Trump. Apesar do gesto, o chefe de Estado italiano ainda não divulgou uma manifestação pública sobre o episódio.
A nova crise diplomática teve início após uma entrevista concedida por Trump à emissora italiana La7. Durante a conversa, o presidente norte-americano afirmou que Meloni teria insistido para tirar uma fotografia ao seu lado durante a recente cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França.
De acordo com o relato de Trump, ele aceitou o pedido apenas por compaixão, declaração que rapidamente ganhou repercussão na Itália e gerou reações dentro do governo italiano.
A resposta da primeira-ministra veio poucas horas depois. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Meloni rejeitou a versão apresentada pelo líder norte-americano e classificou suas palavras como falsas.
“Algumas coisas merecem uma resposta imediata. Estou francamente chocada. Não sei por que o presidente dos Estados Unidos se comporta assim com os próprios aliados”, declarou.
A premiê também criticou a postura de Trump em relação a líderes considerados adversários do Ocidente.
“Posso apenas dizer que lamento que ele não tenha a mesma determinação com os inimigos do Ocidente, com os inimigos dos Estados Unidos, com lideranças com quem ele se mostra muito mais condescendente. Mas ele precisa se lembrar de uma coisa: eu e a Itália nunca imploramos.”
Relação entre Trump e Meloni atravessa momento de desgaste
O episódio marca mais um capítulo no esfriamento da relação entre os dois líderes, que durante anos foram vistos como aliados próximos no cenário internacional.
Quando retornou à Casa Branca, Trump frequentemente elogiava Meloni e chegou a descrevê-la como uma “inspiração para todos”. A líder italiana, por sua vez, era considerada uma das interlocutoras europeias com maior proximidade política com o republicano.
No entanto, a relação começou a apresentar sinais de desgaste nos últimos meses. Um dos momentos mais delicados ocorreu em abril, quando o governo italiano recusou a utilização de uma base militar norte-americana na Sicília para operações contra o Irã.
Outra divergência surgiu após Meloni sair em defesa do papa Leão XIV diante de críticas feitas por Trump ao pontífice.
Na ocasião, a primeira-ministra classificou os ataques ao líder da Igreja Católica como “inaceitáveis”. Em resposta, o presidente dos Estados Unidos afirmou que Meloni não tinha “coragem”, ampliando o atrito diplomático entre os dois governos.
Apesar das divergências recentes, ambos voltaram a se encontrar nesta semana durante a cúpula do G7 na França. Antes da nova polêmica, Meloni havia afirmado que a relação entre os dois permanecia “inalterada” e que cada um havia “compreendido o ponto de vista” do outro.
Durante um momento descontraído registrado por jornalistas presentes no evento, a primeira-ministra também foi vista afirmando que ela e Trump sempre foram “amigos”, após o presidente norte-americano brincar dizendo que havia sido “abandonado” pela líder italiana.
A troca de declarações, no entanto, indica que as tensões entre Roma e Washington continuam presentes e podem representar um novo desafio para uma relação que, até pouco tempo atrás, era considerada uma das mais sólidas entre os Estados Unidos e um governo europeu.
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