Euro digital avança na União Europeia e promete reduzir taxas em pagamentos

A União Europeia deu mais um passo para criar o euro digital, uma versão eletrônica da moeda europeia emitida pelo Banco Central Europeu. O objetivo é reduzir a dependência de sistemas de pagamento privados, diminuir custos nas transações e reforçar a autonomia financeira do bloco.

A União Europeia está cada vez mais próxima de lançar o euro digital, uma nova versão eletrônica da moeda única que promete transformar a forma como milhões de europeus realizam pagamentos.

Nesta semana, a Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu aprovou o projeto que cria o euro digital, etapa considerada fundamental antes das negociações finais entre Parlamento, Comissão Europeia e os governos dos Estados-membros.

A expectativa é que a nova moeda entre em circulação até 2029.

Semelhanças com o PIX

Para os brasileiros, a iniciativa lembra imediatamente o PIX.

Embora os dois sistemas tenham diferenças importantes, ambos compartilham um objetivo central: reduzir a dependência de intermediários privados e tornar os pagamentos mais rápidos, baratos e acessíveis.

No caso europeu, o euro digital não substituirá o dinheiro em espécie nem os cartões bancários. Ele funcionará como uma nova forma oficial da moeda, emitida diretamente pelo Banco Central Europeu (BCE), permitindo pagamentos tanto online quanto offline.

Menos dependência das gigantes americanas

Um dos principais objetivos do projeto é diminuir a dependência da União Europeia das grandes empresas norte-americanas que dominam o mercado global de pagamentos, como Visa, Mastercard, PayPal e outras plataformas privadas.

Hoje, boa parte das compras realizadas na zona do euro passa por essas empresas, que cobram taxas dos bancos, comerciantes e consumidores.

Com o euro digital, a União Europeia pretende criar uma infraestrutura própria de pagamentos, aumentando a autonomia financeira do bloco.

Pagamentos com menos custos

Assim como ocorreu com o PIX no Brasil, a expectativa é que o novo sistema reduza significativamente os custos das transações.

A proposta prevê que bancos e instituições financeiras disponibilizem o serviço aos clientes utilizando a infraestrutura fornecida pelo Banco Central Europeu.

Isso deverá diminuir as tarifas cobradas sobre pagamentos eletrônicos, beneficiando consumidores e comerciantes.

Liberdade para escolher como pagar

O relator do projeto no Parlamento Europeu, Fernando Navarrete Rojas, afirmou que o euro digital ampliará a liberdade dos cidadãos na hora de escolher como realizar pagamentos.

A proposta não elimina cartões, transferências bancárias nem dinheiro físico. Em vez disso, cria uma alternativa pública de pagamento, ampliando as opções disponíveis para consumidores e empresas.

Um debate que já dura cinco anos

O euro digital começou a ser discutido em 2020, mas ganhou força recentemente diante das preocupações da União Europeia com a crescente dependência de plataformas estrangeiras para movimentar pagamentos.

As tensões comerciais internacionais e o fortalecimento das políticas de soberania econômica aceleraram a tramitação do projeto.

Caso seja definitivamente aprovado, o euro digital deverá representar uma das maiores mudanças no sistema financeiro europeu desde a criação da moeda única.

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