Alugar um apartamento por poucos dias na Itália está ficando mais caro e sujeito a novas regras. Diversas cidades italianas têm adotado medidas para aumentar a tributação sobre os imóveis destinados ao aluguel de curta duração, modalidade popularizada por plataformas como Airbnb e Booking.
As mudanças fazem parte de uma estratégia para enfrentar os impactos do turismo em massa, ampliar a arrecadação municipal e tentar reduzir os efeitos que esse tipo de hospedagem tem provocado no mercado imobiliário das cidades mais visitadas do país.
Embora cada município tenha autonomia para definir suas próprias regras, a tendência é semelhante: cobrar mais impostos de imóveis destinados exclusivamente ao turismo e reforçar a fiscalização do setor.
Gênova aumenta taxa para apartamentos turísticos
A medida mais recente foi anunciada pela prefeitura de Gênova.
Segundo o jornal italiano Corriere della Sera, os hóspedes que se hospedarem em apartamentos utilizados exclusivamente para aluguel de temporada passarão a pagar uma taxa de turismo de 5 euros por noite, em vez dos 3 euros cobrados atualmente.
Já quem optar por outras modalidades de hospedagem, como bed & breakfast, pousadas e casas de temporada administradas pelos proprietários, pagará 4 euros por noite.
Na prática, a prefeitura decidiu estabelecer uma diferenciação entre os apartamentos turísticos e outros tipos de acomodação, aumentando a cobrança para imóveis voltados exclusivamente ao aluguel de curta duração.
Os recursos arrecadados serão destinados a investimentos em infraestrutura urbana, promoção do turismo, manutenção da cidade e projetos de desenvolvimento econômico.
Por que as cidades italianas estão aumentando as taxas?
O crescimento dos aluguéis de temporada transformou a forma como milhões de turistas se hospedam na Itália.
Nos últimos anos, plataformas digitais facilitaram a oferta de apartamentos para estadias curtas, criando uma alternativa muitas vezes mais econômica do que os hotéis tradicionais.
Ao mesmo tempo, esse crescimento passou a gerar preocupações em diversas cidades.
Em centros históricos e regiões de grande procura turística, muitos imóveis deixaram de ser alugados para moradores e passaram a ser destinados exclusivamente aos visitantes. Como consequência, houve redução da oferta de moradias para residentes e aumento dos preços dos aluguéis de longa duração.
Além disso, as administrações municipais afirmam que o aumento constante do número de turistas pressiona serviços públicos como limpeza urbana, transporte coletivo, coleta de lixo, segurança e manutenção dos espaços públicos, elevando os custos das cidades.
Tari também pesa no bolso dos proprietários
Além da taxa de turismo paga pelos hóspedes, muitos proprietários passaram a enfrentar uma cobrança maior da Tari, imposto municipal destinado ao financiamento dos serviços de coleta e tratamento de resíduos.
Em várias cidades italianas, imóveis utilizados para aluguel de curta duração deixaram de ser considerados residenciais para fins tributários e passaram a ser enquadrados em categorias semelhantes às atividades comerciais.
Na prática, isso significa uma tributação mais elevada do que aquela aplicada a uma residência comum.
Outras cidades também adotam medidas
O endurecimento das regras não acontece apenas em Gênova.
Municípios como Bolonha, Nápoles, Salerno e Rimini já aplicam modelos próprios de tributação para imóveis destinados ao turismo, com regras que variam de acordo com cada administração local.
Em Florença, por exemplo, a prefeitura estuda aumentar a cobrança da Tari para proprietários que administram mais de quatro apartamentos destinados ao aluguel turístico.
A cidade também vem restringindo a abertura de novos imóveis de curta duração em áreas consideradas mais pressionadas pelo turismo, especialmente no centro histórico.
Mudanças dividem opiniões
As novas medidas têm provocado debates entre autoridades e representantes do setor.
Para as prefeituras, aumentar a tributação é uma forma de fazer com que a atividade turística contribua para cobrir os custos que gera às cidades, além de incentivar um uso mais equilibrado dos imóveis disponíveis.
Já entidades que representam proprietários e empresas de aluguel de temporada afirmam que as novas cobranças podem desestimular pequenos investidores e famílias que utilizam esses imóveis como complemento de renda.
Segundo o setor, o aumento dos custos tende a ser repassado aos turistas, reduzindo a competitividade desse tipo de hospedagem em relação a outras opções.
Itália também mudou regras nacionais para o setor
As alterações promovidas pelos municípios ocorrem em um momento de mudanças mais amplas na legislação italiana.
Desde 2026, determinadas atividades de aluguel de curta duração passaram a ser classificadas como atividade empresarial, dependendo da forma como são exploradas. Isso trouxe novas exigências fiscais, administrativas e de registro para parte dos proprietários.
Ao mesmo tempo, a União Europeia aprovou regras que obrigam plataformas digitais de hospedagem a compartilhar informações com as autoridades nacionais, facilitando a fiscalização do setor e o combate à informalidade.
Cenário tende a ficar cada vez mais regulamentado
Especialistas avaliam que o mercado de aluguel de temporada na Itália deverá continuar passando por transformações nos próximos anos.
Entre novas taxas municipais, mudanças tributárias, regras urbanísticas e maior fiscalização, administrar um imóvel destinado ao turismo tornou-se uma atividade mais complexa do que há alguns anos.
Para quem pretende investir nesse mercado ou alugar um imóvel durante uma viagem, a recomendação é acompanhar as regras específicas da cidade de destino, já que as exigências podem variar significativamente entre os municípios italianos.
O movimento reflete um desafio enfrentado por diversos destinos turísticos europeus: encontrar um equilíbrio entre os benefícios econômicos gerados pelo turismo e a preservação da qualidade de vida dos moradores locais.
Leia também: Novo aeroporto de Lisboa custará até 8,9 mil milhões de euros e deve abrir em 2035