Novo aeroporto de Lisboa custará até 8,9 mil milhões de euros e deve abrir em 2035

O projeto do novo Aeroporto Luís de Camões, em Alcochete, teve o custo atualizado para entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros. A previsão é que as obras comecem em 2029 e que a infraestrutura entre em funcionamento em 2035, com capacidade inicial para 56 milhões de passageiros por ano e ligação ferroviária de alta velocidade ao centro de Lisboa.

O projeto do novo aeroporto de Lisboa, que receberá o nome de Aeroporto Luís de Camões, deverá exigir um investimento entre 7,9 mil milhões e 8,9 mil milhões de euros, segundo a proposta técnica apresentada pela ANA – Aeroportos de Portugal ao Governo português.

Os valores, calculados com base nos preços de 2024, foram divulgados nesta quarta-feira (22) e representam uma atualização da estimativa inicial de 8,5 mil milhões de euros, apresentada no fim de 2024. A revisão leva em consideração fatores como a inflação e o refinamento do projeto.

Construção deve começar em 2029

De acordo com o cronograma apresentado pela concessionária, a expectativa é que as obras tenham início em 2029, cerca de três anos após a aprovação das etapas necessárias.

A previsão é concluir a construção em 2033, permitindo que o aeroporto entre em operação em 2035. O novo calendário antecipa em dois anos a estimativa anterior, que previa a inauguração apenas em 2037.

O empreendimento será construído no Campo de Tiro de Alcochete, na margem sul do rio Tejo, área escolhida para substituir gradualmente o atual Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.

Estrutura terá capacidade para até 85 milhões de passageiros

Na fase inicial de funcionamento, o Aeroporto Luís de Camões deverá atender cerca de 56 milhões de passageiros por ano. No futuro, a capacidade poderá ser ampliada para 85 milhões de passageiros anuais.

O projeto inclui:

  • Duas pistas de pouso e decolagem na primeira fase;
  • 64 portas de embarque;
  • 72 pontes de embarque ligadas diretamente às aeronaves;
  • Terminal de passageiros com aproximadamente 500 mil metros quadrados;
  • Tecnologias voltadas para aumentar a eficiência operacional e agilizar o atendimento aos viajantes.

Processo ainda depende de etapas ambientais e financeiras

Antes do início das obras, o projeto ainda precisará cumprir uma série de exigências legais.

Até o fim de julho, a ANA pretende entregar a versão final do Estudo de Impacte Ambiental à Agência Portuguesa do Ambiente e ao Governo.

Já o relatório financeiro deverá ser apresentado em 17 de janeiro de 2027, enquanto a candidatura completa para o desenvolvimento do aeroporto está prevista para janeiro de 2028.

Governo quer rever modelo de financiamento

Quando apresentou a proposta inicial, a ANA afirmou que a construção do novo aeroporto não exigiria recursos diretos dos contribuintes.

A ideia da concessionária é financiar a obra por meio do aumento das taxas aeroportuárias e da prorrogação do contrato de concessão dos aeroportos portugueses, atualmente previsto para terminar em 2062, por mais 30 anos.

O Governo português, no entanto, demonstrou reservas em relação ao modelo. O Executivo defende uma revisão das condições de financiamento, especialmente sobre o reajuste das taxas, a extensão da concessão e a divisão dos riscos financeiros entre as partes envolvidas.

Além disso, o Governo também pretende encontrar alternativas para reduzir o custo total do projeto.

Ligação ferroviária promete trajeto de 20 minutos até Lisboa

Um dos principais diferenciais do novo aeroporto será a integração com a rede ferroviária.

Segundo o projeto, os passageiros poderão chegar ao centro de Lisboa em aproximadamente 20 minutos, por meio de um serviço ferroviário de alta velocidade que utilizará a futura Terceira Travessia do Tejo.

A estação do aeroporto contará com quatro linhas e três plataformas, permitindo conexões rápidas com diferentes regiões do país.

Novas estradas também fazem parte do projeto

Além da ligação por comboio, o plano prevê uma ampla reestruturação da malha rodoviária da região.

Estão previstos mais de 250 quilómetros de novas vias, além da requalificação de cerca de 50 quilómetros de estradas já existentes, melhorando o acesso ao futuro aeroporto.

Enquanto isso, o Governo já iniciou algumas medidas preparatórias para viabilizar a construção da infraestrutura, entre elas a desmilitarização do Campo de Tiro de Alcochete, processo que contará com um investimento público de 30 milhões de euros.

 

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