A tensão voltou a crescer em Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, após dezenas de moradores tentarem impedir, nesta quinta-feira (27), a passagem de um comboio da Cruz Vermelha que transportava alimentos para imigrantes que permanecem na região de El Trampolín.
O protesto aconteceu poucos dias depois de uma série de confrontos e incidentes relacionados à crise migratória que afeta a cidade. Durante a madrugada, 12 imigrantes foram detidos após um ataque com pedras contra um veículo militar que transportava quatro militares. Os agentes ficaram feridos.
O episódio se soma a outros confrontos registrados nas últimas noites entre moradores, imigrantes e forças de segurança.
Moradores bloquearam estrada para impedir ajuda humanitária
Cerca de 100 pessoas sentaram-se na estrada de acesso à praia de El Trampolín para impedir a passagem do comboio humanitário, formado por um caminhão e três vans que levavam alimentos aos imigrantes.
Durante a manifestação, alguns participantes gritaram “A Cruz Vermelha é uma máfia!”. Um forte esquema de segurança, com agentes da Polícia Nacional, Polícia Local e militares, acompanhou a concentração.
As forças de segurança negociaram com os manifestantes para liberar a estrada. O grupo acabou recuando sem que fosse necessário o uso da força, permitindo que os veículos da Cruz Vermelha seguissem viagem.
A concentração foi convocada pelas redes sociais e não teve uma liderança aparente. O episódio evidencia o aumento da tensão entre parte da população de Ceuta e os imigrantes que permanecem na cidade.
Alguns moradores afirmam sentir-se inseguros e pedem medidas para que os recém-chegados deixem o território. As forças de segurança reforçaram a presença em áreas consideradas pontos de tensão, com o objetivo de evitar novos confrontos.
Crise migratória mantém Ceuta sob pressão
A situação ocorre quase um mês depois da entrada massiva de imigrantes registrada no final de julho, quando mais de 72 mil pessoas atravessaram a fronteira entre Ceuta e Marrocos em poucas horas.
Desde então, a crise migratória continua pressionando a cidade autónoma, que possui cerca de 85 mil habitantes.
A permanência de milhares de imigrantes em condições precárias, somada à insatisfação de parte dos moradores, tem provocado sucessivos episódios de tensão. As autoridades espanholas mantêm o reforço policial e militar na região para tentar impedir que os protestos evoluam para novos confrontos.
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