Pet economy em Milão movimenta 481 milhões de euros por ano

A chamada pet economy de Milão já movimenta 481 milhões de euros por ano. O setor reúne desde creches e hotéis até academias, jardins privativos e serviços funerários para animais.

Milão, conhecida mundialmente pela moda, pelo design e pelos negócios, também vem se destacando por um mercado que cresce em torno dos animais de estimação. A chamada pet economy já movimenta cerca de 481 milhões de euros por ano na cidade.

O mercado é impulsionado pelos aproximadamente 121 mil cães registrados em Milão e por uma mudança no comportamento dos tutores. Com apartamentos cada vez menores e rotinas de trabalho mais intensas, muitos moradores passaram a buscar serviços especializados para cuidar dos animais.

O resultado é uma rede que vai muito além dos tradicionais pet shops. Creches, hotéis, academias, serviços de emergência, jardins privativos e até alfaiataria fazem parte de um setor cada vez mais sofisticado.

Jardins particulares para os cães

Um dos exemplos dessa transformação são os espaços privados destinados aos animais.

Em uma cidade onde ter um quintal é um privilégio, empresas passaram a oferecer áreas verdes que podem ser alugadas por determinado período. A proposta é simples: garantir aos cães um espaço para correr e brincar sem que os tutores precisem sair da cidade.

Há jardins com milhares de metros quadrados que podem ser reservados para uso exclusivo de um animal ou de uma família.

O primeiro acesso pode custar cerca de 5 euros, enquanto os planos mensais começam em aproximadamente 14,90 euros.

A lógica transforma a falta de espaço das residências em uma oportunidade de negócio. Em vez de adaptar apartamentos pequenos às necessidades dos animais, os tutores podem pagar para oferecer a eles áreas específicas de lazer.

Creches e hotéis para cães

Outro segmento que vem ganhando espaço é o de creches e hospedagens.

Antes de serem aceitos, alguns animais passam por um período de adaptação. Depois, os cães são organizados de acordo com o porte e a compatibilidade com os demais.

A rotina pode incluir passeios, alimentação, momentos de descanso e atividades durante o dia.

As diárias chegam a 45 euros para cães pequenos e médios e a 55 euros para cães de maior porte.

A hospedagem também ganhou novos padrões de conforto. Alguns hotéis oferecem quartos adaptados para animais, com mobiliário próprio, produtos de banho e até programação de televisão direcionada aos cães.

Academias e serviços especializados

A expansão da pet economy também alcançou o setor de atividade física.

Milão já conta com academias voltadas exclusivamente para cães, com treinamento funcional e acompanhamento profissional. A proposta é oferecer atividades que ajudem a manter os animais ativos e, em alguns casos, atendam necessidades específicas relacionadas à idade ou à condição física.

Na área da saúde, o mercado também está se tornando mais especializado. Há empresas que trabalham com suplementos personalizados desenvolvidos a partir da análise de dados e do microbioma intestinal dos animais.

O atendimento de emergência é outro exemplo dessa estrutura. A cidade conta com ambulâncias veterinárias preparadas para realizar socorro, transporte e transferência de animais entre clínicas.

Serviços para todos os momentos da vida

A relação entre tutores e animais também criou oportunidades para serviços mais específicos.

Há profissionais especializados em levar cães para casamentos, organizar festas de aniversário e produzir roupas sob medida.

A chamada alfaiataria pet confecciona peças de acordo com as medidas e as necessidades de cada animal, transformando o vestuário em mais um segmento do mercado.

No outro extremo da vida dos animais, também existem serviços de transporte, cremação e sepultamento, além de empresas que auxiliam na regularização e no cancelamento de registros vinculados ao microchip.

Também há serviços voltados aos tutores que enfrentam o período de luto após a morte do animal.

Uma nova economia urbana

A diversidade de serviços mostra como os animais passaram a ocupar um espaço cada vez maior na economia das grandes cidades.

Em Milão, a combinação entre apartamentos pequenos, falta de tempo e disposição dos tutores para investir no bem-estar dos cães ajudou a transformar necessidades cotidianas em oportunidades de negócio.

A pet economy deixou, assim, de ser apenas um segmento ligado à venda de alimentos e produtos para animais. Com 481 milhões de euros movimentados anualmente, o setor já reúne empresas e profissionais de diferentes áreas e acompanha os cães praticamente em todas as etapas de suas vidas.

 

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