Vaticano cobra fim da guerra em reunião com chanceler da Rússia

O Vaticano pediu o fim da guerra na Ucrânia durante reunião com o chanceler russo Sergei Lavrov, em Moscou. A Santa Sé também reforçou a necessidade de diálogo e de medidas humanitárias.

O chefe da diplomacia do Vaticano, monsenhor Paul Richard Gallagher, se reuniu nesta terça-feira (25), em Moscou, com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em uma das mais importantes iniciativas diplomáticas da Santa Sé relacionadas à guerra na Ucrânia.

Após o encontro, Gallagher afirmou que “essa guerra deve acabar” e defendeu uma solução negociada para o conflito, que já dura cerca de quatro anos e meio. Segundo ele, a guerra não pode ser solucionada por meios militares e a continuidade das hostilidades aumenta o número de vítimas e dificulta uma futura reconciliação.

A reunião ocorreu durante uma visita oficial de Gallagher à Rússia, iniciada em 24 de agosto e prevista para terminar no dia 28. A viagem representa a retomada de contatos presenciais de alto nível entre o Vaticano e autoridades russas em um momento de grande tensão internacional.

Vaticano oferece espaço para negociações

Durante uma coletiva de imprensa conjunta com Lavrov, Gallagher afirmou que a Santa Sé continuará oferecendo apoio diplomático e um espaço para o diálogo entre as partes.

“Essa guerra deve acabar”, declarou o representante do Vaticano, ressaltando que é necessário criar condições para que um processo político e diplomático possa avançar.

Gallagher também destacou que o Vaticano está disposto a oferecer seus “bons ofícios” para contribuir com uma eventual solução negociada. A proposta inclui não apenas a dimensão diplomática, mas também iniciativas humanitárias relacionadas às consequências do conflito.

Para a Santa Sé, a prioridade é interromper a escalada de violência e criar condições mínimas para que Rússia e Ucrânia possam voltar a negociar.

Encontro com Lavrov foi descrito como “franco e construtivo”

Gallagher classificou a conversa com Lavrov como “franca e construtiva”.

Além da guerra na Ucrânia, os dois discutiram as relações entre a Rússia e a Santa Sé e questões internacionais, incluindo a situação no Oriente Médio. Apesar das diferenças existentes entre as partes, o representante do Vaticano afirmou que foram identificados alguns pontos de convergência.

Lavrov, por sua vez, descreveu o diálogo como respeitoso e útil e sinalizou disposição para manter os contatos diplomáticos com o Vaticano. Segundo a EFE, o chanceler russo também manifestou interesse na retomada de contatos políticos com representantes da Santa Sé em nível de vice-ministros.

Questões humanitárias entram no centro da conversa

Um dos pontos de possível aproximação entre Moscou e o Vaticano está nas questões humanitárias provocadas pela guerra.

Gallagher destacou a necessidade de avançar em temas como o retorno de crianças ucranianas às suas famílias e a troca de prisioneiros.

Para o Vaticano, medidas dessa natureza podem ajudar a reconstruir um mínimo de confiança entre as partes e abrir caminho para discussões mais amplas.

O diplomata também reforçou a necessidade de respeito ao direito internacional e à proteção da população civil.

Primeira visita de Gallagher à Rússia desde 2021

A viagem tem um peso simbólico importante. Gallagher havia estado em Moscou pela última vez em novembro de 2021, antes da invasão russa em larga escala da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.

Por isso, sua presença em Moscou representa o restabelecimento de um contato presencial de alto nível entre a diplomacia vaticana e o governo russo.

O Vaticano mantém a estratégia de conversar com os diferentes lados envolvidos no conflito, mesmo diante das profundas divergências políticas.

Agenda inclui Kremlin e Igreja Ortodoxa

O encontro com Lavrov foi apenas o primeiro compromisso importante da missão.

Nesta quarta-feira (26), Gallagher deve se reunir com Yuri Ushakov, conselheiro do Kremlin para política externa. A agenda também inclui encontros com representantes do Patriarcado de Moscou, um interlocutor importante para a diplomacia vaticana.

Na quinta-feira (27), o representante do Vaticano terá compromissos com a comunidade católica na Rússia, incluindo clérigos, religiosos e bispos. Também está prevista uma missa na Catedral da Imaculada Conceição, em Moscou.

A missão, portanto, combina diplomacia internacional, diálogo inter-religioso e contatos com a comunidade católica russa.

Missão pode preparar nova viagem de Zuppi

A visita de Gallagher também pode abrir caminho para uma nova missão do cardeal italiano Matteo Maria Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana.

Zuppi já esteve em Moscou em 2023 e 2024, a pedido do Vaticano, para tratar principalmente de questões humanitárias relacionadas à guerra.

Agora, sua eventual volta à Rússia poderia ocorrer após a missão de Gallagher e representar uma nova etapa dos esforços da Santa Sé.

Segundo a ANSA, Zuppi afirmou esperar poder viajar novamente a Moscou até setembro.

Vaticano tenta manter diálogo com os dois lados

A diplomacia do papa Leão XIV tem buscado manter canais abertos tanto com Moscou quanto com Kiev.

Gallagher esteve na Ucrânia no fim de julho, antes de viajar à Rússia. A estratégia demonstra a tentativa do Vaticano de preservar uma posição de interlocutor capaz de conversar com os dois lados do conflito.

O Vaticano também vem defendendo medidas humanitárias e a criação de condições para futuras negociações de paz.

Apesar disso, não há indicação de que o encontro entre Gallagher e Lavrov tenha produzido um acordo para um cessar-fogo ou uma negociação formal.

Guerra continua sem solução diplomática

O encontro em Moscou ocorre enquanto a guerra permanece sem uma solução definitiva e em meio à continuidade dos combates.

Para Gallagher, a passagem do tempo representa um obstáculo adicional. Segundo o diplomata, cada dia de conflito significa novas vítimas e torna mais difícil construir uma futura reconciliação.

A posição da Santa Sé é que a guerra não será resolvida exclusivamente no campo de batalha. A aposta do Vaticano é na abertura de canais políticos e diplomáticos que possam, em algum momento, levar Rússia e Ucrânia a uma negociação.

Por enquanto, a missão de Gallagher representa sobretudo uma tentativa de manter aberta a porta do diálogo em um dos conflitos mais complexos da atualidade.

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