O Festival Internacional de Cinema de Veneza adicionou um novo título à sua competição oficial de 2026: “NAZA”, documentário dirigido pelos israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, dois dos quatro cineastas responsáveis por No Other Land, vencedor do Oscar de melhor documentário em 2025.
A inclusão foi anunciada nesta segunda-feira (24) pela La Biennale di Venezia e completa a seleção da competição da 83ª edição do festival, que será realizada no Lido de Veneza entre 2 e 12 de setembro.
O filme aborda a guerra em Gaza e investiga, segundo a sinopse oficial divulgada pelo festival, os mecanismos utilizados nos ataques que provocaram a morte de civis palestinos.
“NAZA” será o único documentário na competição
A entrada de “NAZA” chama atenção também por uma característica inédita na edição deste ano: o longa será o único documentário entre os 21 filmes que disputam o principal prêmio do festival, o Leão de Ouro.
A produção tem 80 minutos de duração e foi filmada em hebraico e inglês. A estreia mundial está marcada para 10 de setembro, às 17h15, na Sala Grande do Palazzo del Cinema, com a presença dos diretores, produtores, jornalistas do The Guardian e da delegação oficial.
Também está prevista uma sessão no PalaBiennale em 11 de setembro, às 17h.
Filme foi gravado nos telhados de Tel Aviv
De acordo com a sinopse oficial, “NAZA” foi filmado à noite nos telhados de Tel Aviv.
A produção procura examinar os sistemas e procedimentos relacionados aos ataques contra civis palestinos em Gaza. O projeto é baseado, em parte, em trabalhos de investigação jornalística publicados entre 2023 e 2025 pelo The Guardian, pela revista +972 Magazine e pelo Local Call.
O título “NAZA” também possui um significado específico. Segundo informações divulgadas pelo The Guardian, trata-se de um acrônimo utilizado pela inteligência militar israelense em referência às baixas civis previstas em ataques aéreos.
Diretores já venceram o Oscar por “No Other Land”
A escolha de Yuval Abraham e Rachel Szor para dirigir o projeto aumenta ainda mais a repercussão da produção.
Os dois fizeram parte da equipe de “No Other Land”, documentário que venceu o Oscar em 2025 e acompanha a destruição de comunidades palestinas na Cisjordânia ocupada.
O filme foi realizado por quatro codiretores: Yuval Abraham, Rachel Szor, Basel Adra e Hamdan Ballal.
A produção recebeu grande reconhecimento internacional e transformou seus realizadores em figuras de destaque no debate cinematográfico sobre o conflito entre israelenses e palestinos.
Produção reúne nomes vencedores do Oscar
“NAZA” também conta com uma equipe de produção de peso.
O documentário é produzido pelo jornal britânico The Guardian e por James Wilson, da JW Films. O cineasta Jonathan Glazer atua como produtor-executivo.
Glazer e Wilson também fizeram parte da equipe de “A Zona de Interesse”, filme dirigido por Glazer que venceu dois Oscars em 2024.
A produção de “NAZA” reúne, portanto, profissionais que já possuem experiência em obras cinematográficas relacionadas a temas de guerra, violência, memória histórica e conflitos políticos.
Veneza volta a colocar Gaza no centro do debate cinematográfico
A inclusão de “NAZA” acontece pelo segundo ano consecutivo em um momento em que a guerra em Gaza ocupa espaço importante na programação do Festival de Veneza.
Em 2025, “The Voice of Hind Rajab” (“A Voz de Hind Rajab”), dirigido por Kaouther Ben Hania, também abordou o conflito e recebeu o Leão de Prata – Grande Prêmio do Júri.
A produção conta a história de Hind Rajab, uma menina palestina de cinco anos que ficou presa em um carro em Gaza enquanto tentava fugir com familiares. O filme recebeu forte repercussão internacional durante o festival.
Com “NAZA”, o conflito volta à principal competição de Veneza em 2026.
O contexto da guerra retratado pelo documentário
O documentário chega ao festival em meio à continuidade da guerra iniciada após o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.
Segundo dados citados pela Reuters, o ataque de 2023 matou cerca de 1.200 pessoas em Israel, enquanto autoridades de saúde de Gaza afirmam que mais de 73 mil pessoas morreram no território palestino desde o início da ofensiva israelense. A contagem das autoridades de Gaza não diferencia civis de combatentes.
Israel afirma que sua ofensiva tem como objetivo o Hamas e que procura reduzir as mortes de civis, enquanto o Hamas rejeita as acusações israelenses relacionadas ao uso da população civil.
Essas diferentes narrativas sobre a guerra fazem com que obras como “NAZA” tenham não apenas relevância cinematográfica, mas também forte impacto político e internacional.
Uma estreia cercada de expectativa
A estreia de “NAZA” deverá ser acompanhada de perto por jornalistas e profissionais da indústria cinematográfica.
A sessão oficial contará com a presença dos dois diretores, dos produtores e de representantes do The Guardian.
Além da repercussão relacionada ao tema, o filme também terá a oportunidade de disputar o Leão de Ouro, principal prêmio da competição de Veneza.
Dez diretores estreiam na competição
Com a entrada de “NAZA”, a competição de Veneza passa a reunir 21 filmes, e Yuval Abraham e Rachel Szor estão entre os dez diretores que participam pela primeira vez da competição principal.
A lista inclui ainda nomes como Casey Affleck, Alì Asgari, Danny Boyle, May el-Toukhy, Cédric Kahn, Ilya Khrzhanovsky, Lance Oppenheim, Nicolas Pariser e Paolo Strippoli.
Danny Boyle, por exemplo, concorre com Ink, enquanto Casey Affleck participa com Company. A programação também inclui trabalhos de cineastas já consagrados internacionalmente.
Quando “NAZA” será exibido?
A primeira exibição pública de “NAZA” está programada para:
Data: 10 de setembro de 2026
Horário: 17h15
Local: Sala Grande, Palazzo del Cinema, Lido de Veneza
Festival: 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza
Competição: Venezia 83 Competition
Duração: 80 minutos
Idiomas: hebraico e inglês
Uma segunda sessão está prevista para 11 de setembro, às 17h, no PalaBiennale.
Filme pode ampliar o debate sobre Gaza no cinema internacional
A chegada de “NAZA” à competição principal coloca novamente a guerra em Gaza no centro de um dos mais importantes festivais de cinema do mundo.
Com diretores vencedores do Oscar, produção ligada ao The Guardian e uma abordagem baseada em investigação jornalística, o documentário deve provocar discussões tanto no ambiente cinematográfico quanto fora dele.
A escolha também reforça uma tendência recente de Veneza de abrir espaço, dentro da competição, para obras que tratam diretamente das consequências humanas e políticas do conflito no Oriente Médio.
Agora, a expectativa se volta para a estreia em 10 de setembro, quando “NAZA” será apresentado oficialmente ao público e à imprensa internacional e passará a disputar o Leão de Ouro de 2026.
Leia também: Itália mantém taxa de € 600 por pessoa em recursos de cidadania italiana na apelação e na Cassação