Itália investiga segurança de museu após roubo de obras de Antonello da Messina

Um funcionário de um museu na Sicília passou a ser investigado após contradições em depoimentos sobre o roubo de obras de Antonello da Messina.

A investigação sobre o roubo de obras de Antonello da Messina no Museu Regional Accascina, em Messina, ganhou uma nova dimensão nesta terça-feira (25). Um dos quatro funcionários que estavam de plantão na noite do crime passou a ser formalmente investigado por suspeita de prestar falsas declarações ao Ministério Público.

O funcionário havia sido chamado para depor como testemunha, assim como os outros três colegas que trabalhavam no museu na noite de 15 de agosto. A audiência, porém, foi interrompida depois que os investigadores identificaram contradições importantes entre seu relato e os depoimentos dos demais funcionários.

A mudança na condição do funcionário não significa que ele tenha sido acusado de participação no roubo. A investigação ainda busca esclarecer se houve apenas falhas na vigilância ou se alguém de dentro do museu poderia ter facilitado a ação dos criminosos.

Roubo ocorreu durante o feriado de Ferragosto

O crime aconteceu na noite de 15 de agosto, durante o feriado de Ferragosto, uma das datas mais movimentadas do verão italiano.

Segundo a reconstrução inicial, dois homens encapuzados conseguiram entrar no museu por uma área lateral. Eles teriam forçado uma porta secundária, que, segundo os investigadores, não estava protegida por alarme.

A dupla se dirigiu diretamente à área onde estavam expostas as obras de Antonello da Messina. Imagens de segurança registraram os criminosos durante a ação.

O ataque durou apenas alguns minutos.

Os ladrões retiraram três das cinco pinturas que compõem o Políptico de São Gregório, além de uma pequena pintura de dupla face que apresenta a Virgem com o Menino de um lado e Cristo em Pietà do outro.

Alarme disparou, mas ninguém interrompeu o crime

Um dos principais pontos investigados é justamente o funcionamento do sistema de segurança.

De acordo com os investigadores, o alarme teria sido acionado durante a invasão e as câmeras também registraram o roubo. Ainda assim, os criminosos conseguiram permanecer no museu tempo suficiente para retirar as obras e fugir.

Um dos funcionários relatou aos investigadores que ouviu o alarme e o desligou porque acreditava que se tratava de um falso disparo. Outra funcionária afirmou não ter percebido o acionamento do sistema.

As versões diferentes sobre o momento em que o alarme foi acionado e posteriormente desligado estão entre os elementos que chamaram a atenção da investigação.

Depoimentos levantaram novas suspeitas

Foi nesse contexto que um dos funcionários passou de testemunha a investigado.

Segundo a reconstrução publicada pelo jornal La Repubblica, o funcionário apresentou uma versão sobre o funcionamento do alarme e a sequência dos acontecimentos que não coincidiria com os relatos dos colegas nem com outros elementos já reunidos pelos investigadores.

A Promotoria de Messina agora tenta determinar se as contradições são resultado de confusão ou falhas na memória dos funcionários ou se houve uma tentativa deliberada de esconder informações.

A suspeita de eventual colaboração interna também está sendo considerada, mas não há, até o momento, confirmação de que algum funcionário tenha participado do roubo.

Investigadores suspeitam que os ladrões conheciam o museu

Outro aspecto que chama atenção é a maneira como os criminosos se movimentaram dentro do prédio.

Segundo os investigadores, os dois homens foram diretamente ao setor onde estavam as obras de Antonello da Messina. Eles também utilizaram uma entrada secundária e conseguiram chegar rapidamente à sala onde estavam os trabalhos.

A polícia considera que esse conhecimento pode indicar algum tipo de informação prévia sobre a estrutura do museu.

A hipótese de que os criminosos tenham contado com ajuda externa ou com informações fornecidas por alguém que conhecia o local está entre as linhas investigativas. A Promotoria também afirmou anteriormente que não descarta outras possibilidades, inclusive a eventual atuação da criminalidade organizada.

Duas obras foram abandonadas durante a fuga

A ação dos criminosos não terminou com a retirada de todas as obras.

Durante a fuga, duas das pinturas roubadas foram abandonadas do lado de fora do museu, em uma área próxima à entrada.

As obras foram encontradas por uma moradora, Elisabetta Bonfato, que percebeu que se tratava de pinturas pertencentes ao museu e acionou o serviço de emergência.

Em uma gravação divulgada pela polícia, a mulher relata ao 112 que havia encontrado quadros do museu na rua e que eles poderiam valer uma quantia muito elevada.

A descoberta ajudou a recuperar parte do patrimônio levado pelos criminosos.

Quatro funcionários foram afastados do museu

Os quatro funcionários que estavam de plantão na noite do roubo foram retirados das funções no Museu Accascina.

Inicialmente colocados em férias, eles foram posteriormente transferidos para outros locais ligados ao patrimônio cultural da Sicília. Segundo a ANSA, os quatro não deverão retornar ao trabalho no museu.

Também está previsto um procedimento disciplinar contra os funcionários. Dependendo dos resultados da apuração administrativa, as sanções podem chegar à demissão.

A eventual responsabilização administrativa é independente da investigação criminal conduzida pela Promotoria.

Obras têm valor histórico incalculável

O roubo provocou forte impacto no meio cultural italiano porque as peças pertencem a um dos principais nomes do Renascimento na Sicília.

Antonello da Messina (1430–1479) é considerado um dos grandes mestres da pintura italiana do século XV. As obras levadas pertenciam ao Políptico de São Gregório, produzido no século XV, e à chamada Tavoletta Bifronte, uma pintura de dupla face.

Polícia tenta descobrir o destino das obras

Com parte das peças ainda desaparecida, outra prioridade dos investigadores é descobrir para onde os ladrões levaram as obras.

Uma das preocupações é que os quadros possam ser inseridos no mercado clandestino internacional de arte. Por isso, investigadores especializados em crimes contra o patrimônio cultural participam da apuração.

As autoridades também não descartam a possibilidade de que as obras ainda estejam na Sicília ou tenham sido retiradas da ilha por via marítima.

Investigação entra em uma nova fase

A inclusão de um dos funcionários no registro de investigados representa uma nova etapa no caso.

Agora, além de procurar os responsáveis pela invasão e pelo transporte das obras, os investigadores precisam esclarecer como os criminosos conseguiram entrar, por que o alarme não impediu a ação e se alguém tinha informações privilegiadas sobre a segurança do museu.

Até o momento, não há confirmação de que o funcionário investigado tenha participado do roubo. A suspeita formal é de falsas declarações ao Ministério Público, enquanto a eventual existência de uma colaboração interna continua sendo uma das hipóteses analisadas pela investigação.

O caso permanece aberto, e a recuperação das obras de Antonello da Messina continua sendo uma das principais prioridades das autoridades italianas.

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