A nova temporada da Serie A começou com um dado que reacende o debate sobre a formação e o aproveitamento de jogadores italianos no principal campeonato do país. Nas oito primeiras partidas analisadas da rodada inaugural, apenas 76 dos 254 jogadores utilizados eram italianos, o equivalente a cerca de 30% do total.
Entre os titulares, a proporção foi um pouco maior: 57 dos 176 jogadores que começaram as partidas eram italianos, aproximadamente 32%. Os números foram levantados pela La Notizia Sportiva e também analisados pelo Sky Sport.
O levantamento ainda não incluía, naquele momento, os confrontos entre Bologna e Lazio e Roma e Fiorentina, que completariam a primeira rodada.
O dado chama atenção principalmente porque o futebol italiano atravessa um período de reconstrução da seleção masculina. Em março, a Itália perdeu para a Bósnia e Herzegovina nos pênaltis e ficou fora da Copa do Mundo de 2026, depois de também não ter disputado os Mundiais de 2018 e 2022.
Apenas três em cada dez jogadores eram italianos
A estatística mostra uma presença limitada de jogadores italianos nas primeiras partidas da temporada.
Dos 254 atletas utilizados nas oito partidas consideradas, 76 tinham cidadania italiana. Outros 178 eram estrangeiros.
A situação, porém, varia bastante entre os clubes.
No confronto entre Inter e Monza, por exemplo, 15 dos 32 jogadores utilizados eram italianos, quase metade do total. Já em Udinese x Como e Venezia x Lecce, foram apenas três italianos em cada partida, cerca de 10% dos atletas que entraram em campo.
O Monza foi o clube que mais utilizou jogadores italianos nesse recorte, com 11 atletas, seguido pelo Frosinone, com dez.
A questão não é apenas a quantidade
A baixa participação de italianos na Serie A não significa, por si só, que a seleção nacional esteja condenada a ter um desempenho ruim.
O ponto central é a possibilidade de os jogadores locais encontrarem espaço suficiente nos clubes para desenvolver experiência em alto nível.
A própria ANSA apontou, antes do início da temporada, a dificuldade dos clubes italianos em apostar de maneira consistente em jogadores formados nas categorias de base. Segundo a agência, a falta de espaço para jovens italianos é apontada como uma das questões relacionadas às dificuldades recentes da seleção.
Para uma seleção nacional, ter jogadores atuando regularmente em uma das principais ligas europeias pode representar uma vantagem importante. Quanto maior a quantidade de atletas locais em posições de protagonismo, maior tende a ser o grupo disponível para observação e convocação.
Jovens italianos aparecem como ponto positivo
Apesar do número geral pouco animador, o levantamento apresenta um sinal considerado positivo: 13 jogadores nascidos em 2006 ou depois já entraram em campo nas primeiras oito partidas analisadas.
Mais significativo ainda é que 11 deles começaram como titulares.
A lista inclui jogadores de diferentes clubes, entre eles Kouadio, Bakoune e Mout, do Monza; Romano, do Cagliari; Fini, do Frosinone; Macchioni, do Sassuolo; Mascardi e Fortini, do Torino; Cissé, do Milan; Liberali, do Como; Cacciamani, do Torino; Palma, da Udinese; e Lontani, do Parma.
O número indica que, embora a presença italiana no campeonato seja minoritária, alguns clubes estão começando a oferecer espaço para atletas muito jovens.
Simone Lontani é um dos nomes que chamam atenção
Entre os jovens, um dos casos mais comentados é o de Simone Lontani, atacante do Parma nascido em 2008.
O jogador havia chamado atenção na Copa da Itália ao marcar dois gols contra o Catania. Na estreia do Parma na Serie A, recebeu a oportunidade de começar como titular contra o Cagliari e permaneceu 75 minutos em campo.
Lontani passou pelas categorias de base do Cesena e do Milan antes de chegar ao Parma, construindo seu caminho dentro do futebol italiano.
Sua estreia é representativa de uma geração que pode se tornar importante para a seleção nos próximos anos.
Esposito, Vergara e Cissé também ganharam destaque
Outros jovens italianos também apareceram entre os protagonistas da primeira rodada.
Francesco Pio Esposito, da Inter, marcou na partida de estreia, enquanto Antonio Vergara, do Napoli, também balançou as redes.
Outro nome citado no levantamento é Alphadjo Cissé, do Milan, que marcou em sua primeira aparição na temporada.
Esses jogadores fazem parte de um grupo mais amplo de atletas italianos jovens que começam a receber oportunidades na primeira divisão.
Considerando os jogadores nascidos entre 2003 e 2008, foram 30 italianos utilizados nas oito partidas analisadas.
O contraste entre quantidade e idade
Os números revelam uma diferença importante.
Se, por um lado, os italianos representam apenas cerca de 30% dos jogadores utilizados, por outro, uma parcela significativa dos atletas locais que receberam oportunidades é muito jovem.
Isso pode indicar uma mudança gradual na utilização das categorias de base.
O desafio será transformar essas primeiras oportunidades em presença regular. Para que um jovem se torne opção para a seleção, não basta entrar em campo algumas vezes. É necessário acumular minutos, disputar partidas de alto nível e conquistar espaço permanente em seu clube.
Itália tenta reconstruir a seleção
O debate sobre a presença de italianos na Serie A ocorre em um momento particularmente delicado para a seleção.
A eliminação nos playoffs das Eliminatórias da Copa de 2026 confirmou a ausência italiana no terceiro Mundial consecutivo. A própria Federação Italiana de Futebol registrou que, depois das eliminações em 2018 e 2022, a equipe também não conseguiu chegar ao torneio de 2026.
Após a nova eliminação, a Federação iniciou uma mudança no comando da seleção. Roberto Mancini foi nomeado novamente técnico em julho de 2026, enquanto Claudio Ranieri assumiu as funções de diretor técnico e presidente do Club Italia.
A missão da nova comissão é reconstruir a equipe e preparar uma geração capaz de recolocar a Itália entre as principais seleções do futebol mundial.
O caminho até 2030 começa nos clubes
Com a Itália fora da Copa de 2026, o próximo grande objetivo é o ciclo que levará ao Mundial de 2030.
Nesse processo, a Serie A terá papel fundamental. É nos clubes que os jogadores passam a maior parte da temporada e onde os jovens podem adquirir experiência profissional.
Por isso, a quantidade de italianos utilizados na principal divisão do país é acompanhada com atenção por dirigentes, técnicos e especialistas.
A questão não é impedir a contratação de estrangeiros, mas garantir que jogadores formados na Itália também tenham oportunidades de competir em alto nível.
Clubes precisam equilibrar experiência e formação
A presença de estrangeiros faz parte da realidade do futebol moderno e da própria estrutura da Serie A. Jogadores de diferentes nacionalidades aumentam a competitividade dos clubes e ajudam a elevar o nível técnico das competições.
O problema apontado no debate italiano está relacionado ao equilíbrio entre a contratação de atletas estrangeiros e o desenvolvimento de jogadores locais.
A ANSA destacou justamente essa dificuldade antes do início da temporada, apontando que os clubes muitas vezes demonstram maior disposição para investir em jogadores estrangeiros do que em jovens de suas próprias categorias de base.
Primeira rodada deixa uma mensagem dupla
Os números da primeira rodada apresentam, portanto, duas realidades diferentes.
A primeira é preocupante: apenas três em cada dez jogadores utilizados nas oito partidas analisadas eram italianos.
A segunda oferece algum motivo para otimismo: 13 jogadores nascidos a partir de 2006 tiveram oportunidade, e a maioria começou como titular.
O futuro da seleção italiana dependerá, em grande medida, de saber se esses jovens conseguirão transformar as primeiras oportunidades em carreiras consolidadas na Serie A.
A Itália já sabe que terá de reconstruir sua seleção depois de três ausências consecutivas em Copas do Mundo. Agora, o desafio começa muito antes das convocações: está nos campos de treinamento e nos minutos que os jovens italianos conseguem conquistar dentro dos próprios clubes.
Se essa nova geração receber espaço e conseguir se desenvolver, os 30% registrados na primeira rodada podem ser apenas uma fotografia momentânea. Caso contrário, o número poderá continuar sendo um dos sinais de um problema mais profundo no futebol italiano.
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