A pressão sobre a AIMA continua a aumentar. Em pouco mais de um mês de funcionamento, a força-tarefa criada pelo Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) já produziu mais de 7 mil sentenças e cerca de 12 mil despachos relacionados com processos movidos contra a agência.
Os números foram revelados pelo presidente do Supremo Tribunal Administrativo, o juiz conselheiro Jorge Aragão Seia, durante entrevista à Rádio Renascença.
Segundo o magistrado, o impacto do trabalho desenvolvido pelos tribunais tem sido significativo e já começa a produzir efeitos diretos dentro da própria AIMA.
“Está a criar um pânico total na AIMA”, afirmou Jorge Aragão Seia, referindo-se ao volume de decisões judiciais enviadas à agência para cumprimento.
Mais de 133 mil processos continuam em andamento
Apesar dos avanços registados pela força-tarefa, o volume de processos pendentes ainda é elevado.
De acordo com os dados divulgados:
- Mais de 133 mil processos continuam em tramitação;
- A AIMA chegou a enfrentar um universo de cerca de 200 mil ações;
- Em determinado período, entravam aproximadamente 900 novos processos por dia.
O magistrado destacou que a dimensão do problema é inédita e exige respostas rápidas por parte da administração pública.
Força-tarefa reúne 28 juízes
A iniciativa foi criada pelo CSTAF após o crescimento exponencial das ações judiciais relacionadas à imigração e aos atrasos na análise de processos pela AIMA.
Atualmente, a estrutura conta com:
- 28 juízes;
- Regime de acumulação de funções;
- Mandato inicial de três meses;
- Possibilidade de prorrogação por igual período.
O objetivo é acelerar a tramitação dos processos e reduzir o congestionamento que se acumulou nos tribunais administrativos.
Mudanças na lei reduziram novas ações
Segundo dados já divulgados anteriormente, a alteração legislativa implementada em outubro do ano passado contribuiu para reduzir significativamente o número de novos processos.
Na altura, registou-se uma queda de aproximadamente 78% nas novas ações judiciais relacionadas com a imigração.
Além disso, o trabalho desenvolvido pela Estrutura de Missão da AIMA ajudou a diminuir parte da pressão existente.
Ainda assim, apenas no último mês deram entrada mais de sete mil novos processos, demonstrando que a procura pelos tribunais continua elevada.
Tribunal espera maior capacidade de resposta da AIMA
Para Jorge Aragão Seia, o envio em massa de decisões judiciais deverá obrigar a AIMA a acelerar a resolução dos processos pendentes.
O presidente do Supremo Tribunal Administrativo reconhece que o cenário continua complexo, mas acredita que o reforço da atividade judicial poderá contribuir para uma resposta mais rápida aos milhares de imigrantes que aguardam decisões sobre a sua situação documental em Portugal.