Portugal alcançou em 2025 um total de 11,4 milhões de residentes, segundo os novos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Entre eles, quase 1,6 milhão são cidadãos estrangeiros, o equivalente a cerca de 14% da população que vive no país.
De acordo com o levantamento, Portugal contabiliza atualmente 1.597.539 residentes de nacionalidade estrangeira. O número representa um aumento de 59.113 pessoas em comparação com o ano anterior e confirma uma tendência de crescimento acelerado da imigração nos últimos anos.
Os dados revelam ainda que, entre 2021 e 2025, a população estrangeira mais do que dobrou no país. Nesse período, o contingente de imigrantes passou de 748.155 para 1.597.539 pessoas, um crescimento de 849.384 residentes.
Para elaborar o estudo, o INE utilizou informações fornecidas pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) e cruzou os dados com registros administrativos de diferentes órgãos públicos, incluindo a Segurança Social, a Autoridade Tributária e o Ministério da Educação.
Segundo o instituto, os maiores aumentos anuais ocorreram em 2022, quando foram contabilizados mais 326.090 imigrantes, seguido por 2023, com acréscimo de 275.929 pessoas, e por 2024, que registrou mais 188.252 cidadãos estrangeiros.
Algarve concentra maior proporção de estrangeiros
A distribuição da população imigrante varia significativamente entre as regiões portuguesas. O Algarve aparece na liderança, com 27,9% dos residentes sendo estrangeiros, o que corresponde a 161.556 pessoas.
Logo atrás está a região de Lisboa, onde os cidadãos estrangeiros representam 22,6% da população residente. A Península de Setúbal ocupa a terceira posição, com 18,3%.
O perfil demográfico dos imigrantes também apresenta diferenças importantes em relação à população portuguesa em geral. Segundo o INE, 86,1% dos cidadãos estrangeiros têm entre 15 e 64 anos, faixa considerada economicamente ativa.
O grupo de menores de 14 anos representa 8,9% da população estrangeira, enquanto os idosos com mais de 65 anos correspondem a 5% do total. O instituto destaca ainda que a concentração de imigrantes em idade ativa cresceu 3,6 pontos percentuais desde 2021.
Os homens continuam sendo maioria entre os residentes estrangeiros. Eles somam 913.249 pessoas, equivalentes a 57% do total. Já as mulheres representam 684.290 residentes, ou 42,8%.
Brasileiros mantêm liderança entre as nacionalidades estrangeiras
Os brasileiros continuam formando a maior comunidade estrangeira em Portugal. Segundo o relatório, eles representam 35,9% de toda a população imigrante residente no país.
“Relativamente a 2021, o número de residentes nacionais do Brasil mais do que duplicou (106,5%), tendo registado um acréscimo de 296 086 pessoas”, lê-se no relatório.
A comunidade angolana aparece em segundo lugar, com 103.140 residentes, equivalentes a 6,5% do total de estrangeiros. O crescimento também chama atenção. Em 2021, havia 33.099 cidadãos angolanos registrados em Portugal.
Na sequência aparecem os cidadãos da Índia, com 93.683 residentes. O grupo das principais nacionalidades estrangeiras é completado por Cabo Verde, com 76.099 pessoas, Nepal, com 56.866, Bangladesh, com 56.724, e Guiné-Bissau, com 53.555 residentes.

Revisão dos números gerou debate político
A divulgação dos novos dados ocorre após uma revisão estatística promovida pelo INE. A atualização foi realizada em meio a debates sobre a dimensão real da população estrangeira residente em Portugal.
A discussão ganhou força em abril de 2025, quando o Ministério da Presidência divulgou um relatório preliminar apontando que o país já possuía cerca de 1,5 milhão de imigrantes.
Na ocasião, o aumento foi atribuído ao processo de regularização e recuperação de pedidos pendentes acumulados ao longo dos anos. Muitos estrangeiros já viviam em território português, mas ainda aguardavam a conclusão de processos administrativos e, por isso, não apareciam nas estatísticas oficiais.
O tema voltou ao centro do debate político no final de 2025, após questionamentos sobre a capacidade do Estado de identificar e contabilizar adequadamente a população imigrante.
Respondendo às críticas, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, declarou:
“O que está a acontecer é o natural: quando, durante anos, se esconderam estatísticas, quando havia processos que estavam na gaveta e que, por isso, não eram contados, há um processo, que tem de ser sério, de identificação, contabilização e retirada da gaveta e da escuridão de números que estavam em Portugal mas que não estavam contabilizados”, explicou.
O governo português deverá comentar oficialmente os novos números ainda nesta segunda-feira (22), após a divulgação do relatório completo pelo Instituto Nacional de Estatística.
Os dados reforçam a crescente importância da imigração na composição demográfica portuguesa e mostram que os cidadãos estrangeiros desempenham papel cada vez mais relevante na sociedade e na economia do país.
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