A restauração da Catedral de Notre-Dame de Paris ganhará uma nova etapa nos próximos anos, com intervenções voltadas à recuperação da grande rosácea da fachada principal e da fachada norte do monumento. O anúncio foi feito na última sexta-feira (3) pelo órgão público francês responsável pela reconstrução da catedral, que sofreu um incêndio de grandes proporções em abril de 2019.
A nova fase integra um amplo programa de conservação previsto até 2033, que busca garantir a preservação do patrimônio histórico mesmo após a reabertura da igreja ao público, ocorrida em dezembro de 2024.
Objetivo é concluir a recuperação da catedral
Segundo Philippe Jost, presidente do estabelecimento público Rebâtir Notre-Dame de Paris, responsável pelas obras, o trabalho ainda está longe de ser concluído.
“O nosso objetivo agora é concluir a restauração da catedral”, afirmou Philippe Jost.
O dirigente explicou que o estado de conservação da Notre-Dame já inspirava cuidados antes mesmo do incêndio e que novas intervenções são essenciais para assegurar a preservação do edifício.
“Serão necessárias intervenções complementares que lhe devolverão um brilho à altura de sua fama mundial e garantirão sua preservação a longo prazo”, declarou.
A expectativa é que a catedral receba o papa Leão XIV durante sua visita oficial à França, prevista para ocorrer entre os dias 25 e 28 de setembro.
Rosácea medieval será restaurada pela primeira vez em mais de um século
Entre as principais ações previstas está a recuperação da grande rosácea medieval localizada na fachada oeste da catedral, voltada para a praça principal.
A restauração deverá ocorrer entre 2027 e 2029 e será a primeira grande intervenção no vitral desde o século XIX, quando o monumento passou pelas reformas conduzidas pelo arquiteto Eugène Viollet-le-Duc.
Além da rosácea, o projeto prevê a limpeza e a recuperação da fachada norte do transepto, incluindo as esculturas medievais que ornamentam a estrutura. Segundo os responsáveis pelas obras, as peças apresentam elevado nível de desgaste e acúmulo de sujeira ao longo das últimas décadas.
Investimento de 150 milhões de euros
O custo estimado para essa nova etapa da restauração é de aproximadamente 150 milhões de euros.
De acordo com o órgão responsável pela reconstrução da Notre-Dame, cerca de 130 milhões de euros ainda precisarão ser arrecadados para viabilizar a execução completa dos trabalhos.
As novas intervenções fazem parte de um conjunto de aproximadamente 12 operações previstas até 2033 e complementam as obras realizadas desde o incêndio de 2019. A primeira fase da reconstrução foi financiada pelos 845 milhões de euros arrecadados em uma campanha internacional de doações.
Novos vitrais contemporâneos seguem em andamento
Paralelamente às obras de restauração, o governo francês também mantém outro projeto voltado ao interior da catedral.
A iniciativa prevê a substituição de seis vitrais da nave lateral sul por novas obras contemporâneas assinadas pela artista francesa Claire Tabouret.
O projeto gerou debates entre especialistas em patrimônio histórico e entidades de preservação. Em maio deste ano, duas associações recorreram à Justiça para tentar impedir a instalação dos novos vitrais, mas o pedido foi rejeitado, permitindo a continuidade da iniciativa.
Símbolo da França segue em processo de renovação
Considerada um dos monumentos mais emblemáticos da França e um dos principais patrimônios da humanidade, a Catedral de Notre-Dame voltou a receber visitantes em 2024 após cinco anos de intensos trabalhos de reconstrução.
Agora, com o início de uma nova etapa de restauração, o objetivo das autoridades francesas é não apenas reparar os danos provocados pelo incêndio, mas também garantir a conservação de elementos históricos que já apresentavam sinais de desgaste antes da tragédia, preservando o monumento para as próximas gerações.
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