Agricultores italianos apoiam veto à carne do Brasil e defendem reciprocidade em acordos comerciais

Entidade agrícola italiana apoia a suspensão das importações de carne brasileira pela União Europeia e defende reciprocidade nos acordos comerciais.

A Confederação Italiana de Agricultores (Cia-Agricoltori Italiani), uma das principais organizações do setor agrícola da Itália, manifestou nesta quarta-feira (2) apoio à decisão da União Europeia de suspender a entrada de carne brasileira e de outros produtos de origem animal no mercado comunitário.

Para a entidade, a medida pode representar uma mudança na política comercial europeia e reforça a necessidade de que o princípio da reciprocidade seja aplicado de forma mais ampla nos acordos de livre comércio firmados pelo bloco.

Entidade pede regras iguais para produtores

O presidente nacional da Cia-Agricoltori Italiani, Cristiano Fini, classificou a decisão europeia como positiva e afirmou que ela está alinhada a uma reivindicação antiga dos agricultores italianos.

“É uma decisão importante, que vai ao encontro do que a Cia defende há muito tempo”, afirmou Fini.

Segundo o dirigente, os acordos comerciais da União Europeia devem garantir condições semelhantes de concorrência entre empresas europeias e produtores de países terceiros.

Para Fini, a Europa precisa assegurar “regras e condições iguais para todos”, de modo que os tratados comerciais contribuam para o crescimento econômico sem criar desvantagens para as empresas do bloco.

Reciprocidade envolve padrões de produção

Na avaliação da organização italiana, o princípio da reciprocidade não deve se limitar às tarifas ou às condições de acesso aos mercados.

A entidade defende que produtores e empresas de fora da União Europeia também sejam submetidos a requisitos equivalentes aos aplicados aos agricultores e operadores europeus. Entre os critérios citados estão normas de produção, segurança alimentar, proteção ambiental, direitos trabalhistas e bem-estar animal.

A Cia considera “inaceitável” que os produtores europeus tenham de cumprir exigências cada vez mais rigorosas enquanto mercadorias produzidas sob regras diferentes continuam tendo acesso ao mercado comunitário.

Caso brasileiro pode criar precedente

Para Fini, a suspensão das importações brasileiras pode servir como referência para futuras decisões da União Europeia relacionadas às condições de concorrência internacional.

“O que aconteceu com o Brasil pode abrir um precedente”, afirmou Fini. “Os agricultores europeus não pedem protecionismo, mas condições de concorrência equitativas.”

A entidade defende que a reciprocidade seja incorporada como um dos princípios centrais dos próximos acordos comerciais negociados pela União Europeia.

Na visão da organização, essa abordagem permitiria ao bloco ampliar sua participação no comércio internacional sem colocar a agricultura europeia em desvantagem, além de contribuir para a proteção dos consumidores e das empresas.

Proibição começa nesta quinta-feira

A suspensão das importações de carne brasileira e de outros produtos de origem animal está prevista para entrar em vigor nesta quinta-feira (3).

A medida foi adotada pela União Europeia após alegações de descumprimento de padrões sanitários exigidos pelo bloco. Entre os pontos citados estão regras relacionadas ao uso de antimicrobianos e antibióticos na produção.

A decisão ocorre em meio às discussões entre Brasil e União Europeia sobre as condições sanitárias e comerciais para a entrada de produtos brasileiros no mercado europeu.

 

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