Vice-premiê italiano Antonio Tajani alerta para possível interferência russa nas eleições

Antonio Tajani afirmou que a Rússia pode tentar influenciar as próximas eleições italianas e defendeu medidas preventivas para proteger a democracia.

O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou nesta quarta-feira (2) que a Rússia pode tentar interferir nas próximas eleições gerais italianas, previstas para 2027.

Segundo o chanceler, o risco de ações destinadas a influenciar processos eleitorais não deve ser tratado apenas como uma questão nacional, mas como uma ameaça que pode atingir diferentes países da União Europeia.

Tajani pede antecipação contra possíveis interferências

Durante sua chegada ao encontro informal dos ministros das Relações Exteriores da União Europeia, conhecido como Gymnich, em Wicklow, na Irlanda, Tajani afirmou que os países europeus precisam se preparar antes que eventuais ações ocorram.

“Não se pode descartar a possibilidade de tentativas de influenciar as eleições nos países onde ocorrem votações”, disse Tajani.

“Estou convencido de que isso pode acontecer, e é por isso que precisamos intervir com antecedência”, acrescentou o chanceler.

O ministro afirmou ainda que não exclui a possibilidade de ações da “Federação Russa destinadas a interferir na vida democrática” dos países europeus.

Na avaliação de Tajani, qualquer tentativa de manipular eleições livres com o objetivo de alterar a decisão dos eleitores seria “verdadeiramente inaceitável”.

“Devemos estar vigilantes e impedir tais ações de um país com o qual não estamos em guerra”, declarou.

Itália reforça estrutura de segurança

Tajani também destacou que o governo italiano já vem adotando medidas para enfrentar possíveis ameaças contra suas instituições.

Entre as iniciativas citadas está uma reformulação no Ministério das Relações Exteriores. Desde 1º de janeiro, a pasta conta com uma direção-geral voltada à segurança política e operacional.

O ministério também mantém uma sala de operações em funcionamento permanente, 24 horas por dia, para monitorar e responder a possíveis ataques cibernéticos contra as estruturas diplomáticas italianas e o governo.

Segundo Tajani, uma parcela significativa dessas ofensivas tem origem em hackers russos.

Ataque durante visita de Zelensky

O vice-premiê italiano citou como exemplo um episódio ocorrido durante a primeira visita do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, à Itália.

Tajani relatou que estava no Aeroporto de Ciampino para receber o líder ucraniano quando houve um ataque contra o site do Ministério das Relações Exteriores.

“Quando o avião pousou no Aeroporto de Ciampino, eu estava lá para recepcionar o presidente ucraniano. Houve um ataque ao site do Ministério das Relações Exteriores”, relatou.

Para o ministro, o episódio mostra que já existem antecedentes de ações cibernéticas e reforça a necessidade de manter mecanismos de proteção dos processos democráticos europeus.

Ativos russos congelados

Durante o encontro na Irlanda, Tajani também comentou a possibilidade de utilização de ativos russos congelados para financiar ou prestar apoio à Ucrânia.

O ministro afirmou que a Itália não rejeita a proposta de maneira absoluta, mas ressaltou que qualquer decisão precisa estar amparada pela legislação.

“Não nos opomos em princípio, mas precisamos verificar se existem fundamentos jurídicos para tal”, afirmou.

A utilização desses recursos já foi debatida em diferentes ocasiões dentro da União Europeia e em outros fóruns internacionais. No entanto, segundo Tajani, as dúvidas sobre as consequências jurídicas do confisco e do uso dos ativos continuam impedindo uma decisão definitiva.

“A questão sempre foi a possibilidade de problemas legais. Já discutimos isso muitas vezes, e a decisão não foi tomada precisamente por esse motivo, não de uma perspectiva política, mas sim jurídica”, concluiu.

 

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