Portugal e Brasil deram mais um passo na aproximação entre os dois países, desta vez através do setor segurador. O tema central foi a adaptação às alterações climáticas, durante o 1.º Fórum Brasil-Portugal de Seguros, realizado nesta terça-feira, em Lisboa.
O evento foi promovido pela Fidelidade, em parceria com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), do Brasil, reunindo representantes do setor para debater os desafios impostos pelos fenómenos climáticos extremos e as formas de tornar as sociedades mais preparadas para enfrentar os seus impactos.
Criar sociedades mais resilientes
Durante a abertura do encontro, o presidente executivo da Fidelidade, Rogério Campos Henriques, destacou a importância de manter o tema das alterações climáticas no centro das discussões globais.
Segundo o responsável, apesar de questões como geopolítica, defesa e segurança energética dominarem atualmente a agenda internacional, os riscos climáticos continuam a crescer.
“Queremos criar capacidade de deixar às gerações futuras uma sociedade mais resiliente”, afirmou.
Campos Henriques alertou ainda para o aumento da frequência e da intensidade dos fenómenos meteorológicos extremos, que têm provocado prejuízos económicos cada vez maiores em várias regiões do mundo.
Debate deixou de ser sobre a existência do problema
Na visão do CEO da Fidelidade, a discussão atual já não passa por questionar se as alterações climáticas terão impacto sobre as economias.
“O debate hoje em dia não é saber se estes desafios vão afetar ou não as nossas economias. Essa questão já está completamente ultrapassada. A questão é saber como é que nós nos adaptamos”, destacou.
O foco do setor segurador passa agora pela criação de mecanismos de proteção, prevenção e mitigação dos riscos associados aos eventos extremos.
Rio Grande do Sul e tempestade Kristin servem de exemplo
Durante o fórum, dois acontecimentos recentes foram apontados como exemplos dos desafios enfrentados pelos países.
Um deles foram as cheias históricas que atingiram o estado brasileiro do Rio Grande do Sul. O outro foi a depressão Kristin, que afetou vários territórios europeus.
Para Roberto Santos, presidente da CNSeg, apesar das diferenças de escala entre os dois episódios, ambos demonstram a necessidade de preparação e adaptação diante de um cenário climático cada vez mais imprevisível.
Integração entre os mercados seguradores
Outro objetivo do encontro foi aproximar os mercados de seguros dos dois países.
A iniciativa procura estimular a troca de experiências, conhecimento técnico e boas práticas para enfrentar desafios comuns.
Segundo os organizadores, a cooperação entre Brasil e Portugal pode contribuir para o desenvolvimento de soluções inovadoras capazes de proteger cidadãos, empresas e infraestruturas perante os efeitos das alterações climáticas.