Franco Baresi, lenda do Milan e campeão mundial com a Itália, morre aos 66 anos

Franco Baresi, um dos maiores defensores da história do futebol, morreu aos 66 anos. Ídolo eterno do Milan e campeão da Copa do Mundo de 1982 com a Itália, o ex-capitão deixa um legado marcado por títulos, lealdade ao clube e influência na evolução da posição de zagueiro.

O futebol italiano perdeu nesta sexta-feira (31) um de seus maiores símbolos. Franco Baresi, eterno capitão do Milan e campeão da Copa do Mundo de 1982 com a seleção italiana, morreu aos 66 anos. A informação foi confirmada pelo clube rossonero, que prestou uma homenagem emocionante ao ex-jogador nas redes sociais.

Ícone de uma geração que marcou época no futebol europeu, Baresi construiu uma carreira rara: atuou durante toda a vida profissional defendendo apenas o Milan, tornando-se referência mundial pela liderança, inteligência tática e elegância dentro de campo.

Em nota publicada nas redes sociais, o clube lamentou profundamente a morte do ex-capitão.

“A história do Milan está em lágrimas pela morte de Franco Baresi. Seu exemplo e sua profundidade serão, para sempre como sua camisa número 6, parte integrante e fundamental do DNA e do caminho de todo o clube.”

Desde 2020, Baresi ocupava o cargo de vice-presidente honorário do Milan.

Saúde estava debilitada desde 2025

Nos últimos meses, o ex-zagueiro enfrentava problemas de saúde.

Em 2025, ele foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um nódulo pulmonar. Desde então, seu estado de saúde vinha inspirando cuidados, embora o ex-jogador continuasse participando ocasionalmente de eventos ligados ao clube e ao futebol italiano.

Sua última aparição pública aconteceu em fevereiro de 2026, durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina.

Na ocasião, entrou no gramado do estádio San Siro carregando a tocha olímpica ao lado de Giuseppe “Beppe” Bergomi, ídolo da Inter de Milão. A presença conjunta dos dois capitães históricos simbolizou a união das duas maiores equipes da cidade e emocionou os torcedores.

Uma vida inteira dedicada ao Milan

Nascido em 8 de maio de 1960, em Travagliato, na região da Lombardia, Franco Baresi chegou às categorias de base do Milan em 1974, quando tinha apenas 14 anos.

Sua estreia como profissional aconteceu em 23 de abril de 1978, aos 17 anos, em uma vitória por 2 a 1 sobre o Verona pelo Campeonato Italiano.

Rapidamente, o jovem defensor conquistou espaço entre os titulares.

Aos 22 anos, recebeu a braçadeira de capitão, função que exerceu durante aproximadamente 15 temporadas, tornando-se um dos líderes mais longevos e respeitados da história do futebol europeu.

Ao longo da carreira, disputou 719 partidas oficiais pelo Milan, número que o coloca entre os atletas que mais vestiram a camisa do clube.

Sua fidelidade também se tornou marca registrada. Mesmo nos momentos mais difíceis da equipe, como os rebaixamentos para a Série B em 1980 e 1982, Baresi optou por permanecer no clube, recusando propostas e ajudando na reconstrução do Milan.

A era dourada do Milan

A carreira de Franco Baresi coincidiu com um dos períodos mais vitoriosos do futebol italiano.

Sob o comando de treinadores como Nils Liedholm, Arrigo Sacchi e Fabio Capello, ele foi o principal líder de equipes que revolucionaram a maneira de defender e jogar futebol.

Ao lado de craques como Paolo Maldini, Alessandro Costacurta, Mauro Tassotti, Marco van Basten, Ruud Gullit, Frank Rijkaard e Gianni Rivera em diferentes épocas, ajudou a transformar o Milan em uma potência mundial.

Durante sua trajetória conquistou:

  • 6 Campeonatos Italianos;
  • 3 Copas dos Campeões da Europa (atual Liga dos Campeões);
  • 2 Copas Intercontinentais;
  • 4 Supercopas da Itália;
  • 3 Supercopas da Europa.

Um defensor que mudou a forma de jogar

Muito antes dos zagueiros modernos, Baresi já era reconhecido pela qualidade técnica.

Sua principal característica era a leitura de jogo. Em vez de depender apenas da força física, destacava-se pela antecipação das jogadas, posicionamento preciso, liderança e excelente saída de bola.

Sua capacidade de organizar o sistema defensivo fez dele referência para gerações de defensores.

Não por acaso, recebeu o apelido de “Kaiser”, em comparação ao alemão Franz Beckenbauer, outro jogador que revolucionou a posição.

Na infância, entretanto, era chamado de “Piscinin”, expressão do dialeto milanês usada para se referir a um menino pequeno.

Bola de Ouro e reconhecimento eterno

Embora defensores raramente fossem protagonistas em premiações individuais, Baresi alcançou um feito histórico.

Em 1989, terminou como vice-colocado na Bola de Ouro, reconhecimento reservado aos maiores jogadores do mundo.

Anos depois, em 1999, durante as comemorações do centenário do Milan, foi eleito pelos torcedores como o “Milanista do Século”, título que simboliza sua importância para a história do clube.

Após encerrar a carreira, em 1997, o Milan tomou uma decisão inédita.

A camisa número 6, utilizada por Baresi durante praticamente toda sua trajetória, foi aposentada em sua homenagem e jamais voltou a ser usada por outro atleta da equipe principal.

A história com a seleção italiana

Pela seleção da Itália, Franco Baresi disputou 81 partidas e participou de três Copas do Mundo.

Em 1982, integrou o elenco campeão mundial na Espanha. Embora não tenha entrado em campo durante a campanha do título, fez parte do grupo comandado por Enzo Bearzot que derrotou a Alemanha Ocidental na decisão.

Já em 1990, disputou a Copa realizada em casa, quando a Itália terminou na terceira colocação.

Seu momento mais marcante com a camisa azzurra aconteceu na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos.

Após sofrer uma grave lesão no joelho durante o torneio, Baresi acelerou sua recuperação e voltou justamente para disputar a final contra o Brasil.

Na decisão, realizada em Pasadena, o jogo terminou empatado por 0 a 0 após a prorrogação.

Nos pênaltis, o Brasil conquistou o tetracampeonato mundial. Baresi desperdiçou uma das cobranças italianas e acabou protagonizando uma das imagens mais emocionantes daquela Copa, ao deixar o gramado visivelmente abalado pela derrota.

Mesmo assim, sua atuação na final é lembrada como uma demonstração de superação, já que retornou aos gramados apenas algumas semanas após uma lesão considerada grave.

Um legado que atravessa gerações

Mais do que os títulos conquistados, Franco Baresi deixa um legado de lealdade, liderança e excelência técnica.

Sua carreira se tornou exemplo de dedicação a um único clube, algo cada vez mais raro no futebol moderno.

Para muitos especialistas, ele permanece entre os maiores zagueiros de todos os tempos, ao lado de nomes como Franz Beckenbauer, Paolo Maldini, Bobby Moore e Gaetano Scirea.

Com sua morte, o Milan perde um de seus maiores símbolos, e o futebol mundial se despede de um atleta que ajudou a redefinir a posição de defensor e inspirou gerações dentro e fora da Itália.

 

Leia também: Meloni diz que Itália pode suspender acordo de Schengen com a Espanha após crise migratória em Ceuta

Comente

Neste Artigo

Sobre o autor