O Instituto Nacional de Estatísticas da Itália (Istat) confirmou nesta terça-feira (22) que o país encerrou 2025 com um déficit público equivalente a 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O índice mantém a Itália no procedimento de déficit excessivo da União Europeia e frustra a expectativa do governo de Giorgia Meloni de deixar o mecanismo ainda este ano.
A expectativa em Roma era de que a revisão dos números permitisse reduzir o déficit para menos de 3%, limite de referência estabelecido pelas regras fiscais da União Europeia. No entanto, os dados definitivos divulgados pelo Istat mantiveram a taxa em 3,1%, mesma estimativa preliminar apresentada em abril.
Governo admite que saída da Itália ficará para 2027
O ministro da Economia da Itália, Giancarlo Giorgetti, reconheceu que o país não conseguiu atingir a meta esperada.
“Tomamos conhecimento, não sem tristeza, dos dados definitivos divulgados pelo Istat sobre a relação déficit/PIB de 2025”, afirmou.
“Infelizmente, a Itália não sairá do procedimento de déficit excessivo neste ano, como esperávamos, mas isso poderá ocorrer em 2027”, acrescentou o ministro.
A Comissão Europeia também confirmou que a Itália precisará reduzir o déficit para abaixo do limite de 3% do PIB para deixar o procedimento.
Segundo um porta-voz do órgão, o país só poderá sair do mecanismo quando o déficit estiver “inferior ao valor de referência de 3% do PIB”.
Em última instância, o procedimento europeu pode levar à aplicação de sanções financeiras contra países que não cumprirem as regras fiscais estabelecidas pelo bloco.
O que dizem governo e oposição
A confirmação do déficit provocou críticas da oposição italiana, que relacionou o desempenho das contas públicas à política fiscal adotada pelo governo Meloni, no poder desde 2022.
Antonio Misiani, responsável pela área econômica do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, criticou o resultado.
“A confirmação do déficit de 3,1% em 2025 é uma notícia ruim para a Itália e uma bofetada em Meloni e Giorgetti”, afirmou.
Segundo Misiani, o governo teria priorizado o controle das contas públicas em detrimento de outras áreas.
“Apostaram tudo na estabilidade fiscal nos últimos anos, elevando a carga tributária ao maior nível desde 2014 e cortando muitos serviços públicos, a começar pela saúde. Essa política de austeridade sufocou o crescimento”, acrescentou.
Salvini critica regras fiscais da União Europeia
O vice-premiê e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, apresentou outra leitura sobre o resultado. Líder do partido Liga, ele criticou as regras fiscais europeias e destacou a diferença de apenas 0,1 ponto percentual em relação ao limite estabelecido pela UE.
“Por causa de 0,1 [ponto percentual], a Itália não sai do chamado procedimento de infração, e é surreal que, em 2026, a segunda maior potência industrial da Europa dependa de zero vírgula alguma coisa para saber se pode ou não investir no seu futuro”, declarou.
A declaração expressa a crítica de Salvini às regras fiscais da União Europeia, especialmente aos limites estabelecidos para déficit e dívida pública.
PIB italiano cresceu 0,6% em 2025
Os dados divulgados pelo Istat também trouxeram revisões nas estimativas de crescimento da economia italiana.
Em 2025, o PIB do país cresceu 0,6%, uma revisão de 0,1 ponto percentual para cima em relação ao cálculo divulgado anteriormente. Para 2024, o instituto também elevou a estimativa de crescimento: o avanço passou a ser de 1,1%, 0,3 ponto percentual acima do dado anterior.
Dívida pública chega a 136,7% do PIB
A relação entre dívida pública e PIB alcançou 136,7% em 2025, contra 134,2% no ano anterior.
Os números dos dois anos também foram revisados em relação às estimativas anteriores. Para 2025, a projeção anterior era de 137,1%, enquanto a de 2024 havia sido calculada em 134,7%.
Com o déficit ainda acima do limite europeu, a Itália permanece submetida ao procedimento de déficit excessivo. O governo agora trabalha com a possibilidade de cumprir o critério necessário para deixar o mecanismo em 2027.
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