A Itália deve enfrentar uma forte redução populacional nas próximas décadas. Segundo uma projeção divulgada nesta segunda-feira (31) pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat), o país poderá perder mais de 13 milhões de habitantes até 2080.
A população italiana, que era de 58,9 milhões de pessoas em 1º de janeiro de 2025, deverá cair para cerca de 55 milhões em 2050. Em 2080, a estimativa é de apenas 45,8 milhões de habitantes.
Isso representa uma redução de aproximadamente 13,1 milhões de pessoas em 55 anos, equivalente a cerca de 22% da população atual.
População italiana ficará cada vez mais velha
Além da redução no número de habitantes, a Itália deverá passar por um processo ainda mais intenso de envelhecimento populacional.
A idade média dos italianos era de 46,9 anos em 2025. A projeção indica que esse número chegará a 48 anos em 2030 e a 51 anos em 2050.
O grupo de pessoas com 65 anos ou mais também deverá crescer significativamente.
Atualmente, essa faixa etária representa 24,7% da população italiana. Em 2050, deverá corresponder a 34,5% dos habitantes do país.
Na prática, isso significa que, nas próximas décadas, a Itália terá proporcionalmente mais idosos e menos pessoas em idade ativa e reprodutiva.
Número de famílias com filhos deve diminuir
A transformação demográfica também deverá afetar a composição das famílias italianas.
Atualmente, existem cerca de 7,5 milhões de casais com filhos na Itália, o equivalente a 28,1% do total de famílias.
O Istat estima que esse número caia para 5,8 milhões em 2050. A participação dessas famílias no total também diminuiria, passando para 21,1%.
Ao mesmo tempo, os casais sem filhos deverão aumentar.
Hoje, são aproximadamente 5,4 milhões, ou 20,22% das famílias italianas. Em 2050, a previsão é de que esse número chegue a 5,9 milhões, representando 21,24% do total.
Imigração não será suficiente para evitar a queda
A imigração tem ajudado a reduzir o impacto do declínio demográfico italiano nos últimos anos. No entanto, segundo o Istat, a entrada de estrangeiros não deverá ser suficiente para impedir a redução da população.
A previsão é de que o número de estrangeiros que chegam à Itália caia de 432 mil em 2025 para 423 mil em 2030.
Em 2050, a estimativa é de 372 mil entradas. Depois, o número voltaria a crescer, chegando a 404 mil em 2080.
Mesmo com a imigração, o país continuará registrando uma diferença negativa entre o número de nascimentos e o de mortes.
Italianos no exterior também devem aumentar
Ao mesmo tempo em que a entrada de estrangeiros deverá diminuir nas próximas décadas, a emigração de cidadãos italianos deverá crescer.
Em 2025, cerca de 144 mil italianos deixaram o país para viver no exterior.
O Istat projeta que esse número aumentará para 176 mil em 2030. Em 2050, a estimativa é de 169 mil, chegando novamente a 183 mil em 2080.
Apesar disso, o saldo migratório, diferença entre entradas e saídas de pessoas do país, deverá continuar positivo.
A projeção aponta saldo de 247 mil pessoas em 2030, 204 mil em 2050 e 221 mil em 2080.
Itália terá déficit cada vez maior entre nascimentos e mortes
O principal problema, porém, está no chamado saldo demográfico natural, que corresponde à diferença entre nascimentos e mortes.
Em 2025, a Itália registrou um saldo natural negativo de 296 mil pessoas. Ou seja, houve muito mais mortes do que nascimentos.
A diferença deverá aumentar para 353 mil em 2030 e continuar se aprofundando nos anos seguintes.
Segundo a projeção do Istat, o déficit deverá atingir seu ponto máximo em 2059, quando poderá chegar a 570 mil pessoas.
Depois disso, o saldo natural deverá melhorar parcialmente, mas continuará negativo durante todo o período analisado.
Número de nascimentos bateu recorde negativo
A baixa natalidade é um dos principais fatores por trás do chamado “inverno demográfico” italiano.
Em 2025, a Itália registrou apenas 355 mil nascimentos, o menor número já registrado na história do país.
E a tendência de queda deve continuar.
O Istat estima que o número de nascimentos fique em aproximadamente 335 mil em 2050 e caia para 281 mil em 2080.
Com menos crianças nascendo, a população em idade adulta também tende a diminuir nas décadas seguintes, enquanto a proporção de idosos continuará aumentando.
Um desafio para o futuro da Itália
As projeções do Istat mostram que a Itália enfrentará uma transformação profunda em sua estrutura demográfica.
O país deverá ter menos habitantes, uma população mais envelhecida, menos famílias com filhos e um número cada vez menor de nascimentos.
Embora a imigração continue contribuindo para manter o saldo migratório positivo, o volume de entradas não será suficiente para compensar a diferença crescente entre nascimentos e mortes.
O cenário coloca o envelhecimento e a baixa natalidade entre os principais desafios sociais e econômicos da Itália para as próximas décadas.
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