Durante muitos anos, o abandono escolar foi um dos principais desafios da Itália. O país, marcado por desigualdades entre regiões e por uma taxa de natalidade em queda, conviveu com altos índices de jovens que deixavam a escola antes de concluir a formação básica. Agora, porém, esse cenário começa a mudar de forma significativa.
Queda histórica nos índices
De acordo com dados mais recentes divulgados pelo instituto oficial de estatística, a taxa de evasão escolar caiu para 8,2% em 2025, o menor nível já registrado no país. O resultado representa não apenas uma melhora interna, mas também posiciona a Itália à frente de nações tradicionalmente reconhecidas pela qualidade educacional, como Alemanha e países do norte europeu.
Metas superadas antes do prazo
A transformação é ainda mais expressiva quando comparada aos anos recentes. Em 2020, o índice de abandono escolar era de 14,2%, bem acima das metas estabelecidas pela União Europeia. Cinco anos depois, o país não só atingiu os objetivos previstos em seus planos de recuperação, como também antecipou a meta europeia de 9% prevista para 2030.
Políticas públicas e foco nas regiões mais vulneráveis
Esse avanço não aconteceu por acaso. Nos últimos anos, o governo intensificou políticas voltadas à permanência dos alunos nas escolas e à reintegração de jovens que haviam abandonado os estudos. As ações foram especialmente direcionadas às regiões do sul, historicamente mais afetadas por esse problema.
Os resultados já são visíveis. Milhares de estudantes retornaram ao sistema educacional e conseguiram concluir seus estudos, reduzindo de forma concreta os índices de evasão.
Destaques regionais
Algumas regiões apresentam progressos notáveis. Na Campânia, cerca de 8 mil jovens voltaram às salas de aula em apenas um ano, fazendo com que a taxa local caísse de aproximadamente 19% em 2020 para menos de 10%. Já na Calábria, o índice recuou ainda mais, chegando a 6,5%.
Apesar disso, o país ainda apresenta desigualdades regionais. Enquanto o norte registra números mais baixos, áreas como Sicília e Sardenha seguem acima da média nacional, embora também apresentem melhora gradual.
Impacto além da educação
A redução da evasão escolar tem reflexos importantes em outros indicadores sociais. Um deles é a diminuição do número de jovens que não estudam nem trabalham, conhecidos como NEET. Em 2025, esse grupo caiu para 13,3%, indicando um avanço relevante em relação aos anos anteriores.
Desafios persistentes
Mesmo com os avanços, ainda há obstáculos a superar. Entre estudantes com origem migratória, a evasão permanece elevada, ultrapassando 26%. Esse dado evidencia a necessidade de políticas mais eficazes de integração, incluindo o fortalecimento do ensino da língua e programas de apoio específicos.
Um novo capítulo para a educação italiana
Apesar dos desafios, o cenário atual aponta para uma mudança consistente. A Itália, que por muito tempo foi vista como um caso preocupante no contexto educacional europeu, começa a construir uma nova trajetória.
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