O produtor cinematográfico italiano Fulvio Lucisano morreu nesta terça-feira (18), aos 98 anos, em Roma. Considerado um dos nomes históricos da indústria audiovisual do país, ele teve uma trajetória marcada pela produção de filmes populares e obras de destaque do cinema italiano.
A morte foi comunicada pela filha, Paola, em uma publicação nas redes sociais. “Descanse em paz, papai”, escreveu ela. Paola e a irmã, Federica, também seguiram carreira na indústria cinematográfica.
Carreira começou no Instituto Luce
Nascido em Roma, em 1928, Lucisano iniciou sua trajetória profissional no final da década de 1940, no Instituto Luce, onde trabalhou na produção de documentários.
A experiência inicial no setor audiovisual serviu de base para uma carreira que posteriormente o levaria a ocupar uma posição de destaque entre os produtores italianos.
Em 1958, Lucisano fundou a Italian International Film (IIF), empresa que passou a atuar tanto na produção quanto na distribuição cinematográfica.
A produtora teve papel importante no desenvolvimento do cinema italiano, trabalhando com diferentes gêneros e cineastas ao longo das décadas.
Produtor participou de filmes de destaque
Ao longo de sua carreira, Fulvio Lucisano esteve envolvido em diversos projetos que marcaram o cinema italiano.
Entre os filmes produzidos por ele estão “Ricomincio da tre”, de Massimo Troisi, “Notte prima degli esami”, dirigido por Fausto Brizzi, e “Ninfa Plebea”, de Lina Wertmüller.
A atuação do produtor atravessou diferentes períodos da indústria cinematográfica italiana, acompanhando transformações tanto no público quanto nos modelos de produção e distribuição.
Além da atividade como produtor, Lucisano também ocupou posições institucionais ligadas ao setor audiovisual.
Entre 1998 e 2001, presidiu a Associação Nacional das Indústrias Cinematográficas e Audiovisuais (Anica), uma das principais entidades representativas da indústria cinematográfica italiana.
Reconhecimento e prêmios
A trajetória de Lucisano foi reconhecida com importantes homenagens do cinema italiano.
O produtor recebeu cinco estatuetas do David di Donatello, principal premiação cinematográfica da Itália, além de ter sido indicado duas vezes ao Oscar.
Em 2005, foi homenageado pelo conjunto de sua obra durante o Festival de Veneza, um dos principais eventos cinematográficos do mundo.
Dois anos depois, em 2007, recebeu o título de Cavaleiro do Trabalho, uma das condecorações concedidas pelo Estado italiano a empresários que se destacam por suas atividades profissionais e contribuição à economia do país.
Ministro da Cultura lamenta morte
Após a confirmação da morte, o ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, destacou a importância de Lucisano para a história do cinema italiano.
“Fulvio Lucisano foi um dos grandes artífices do cinema italiano. Ele representou um modo de fazer cinema fundado na paixão, na intuição, na coragem e na capacidade de reconhecer valor”, afirmou Giuli em comunicado.
A declaração ressaltou não apenas a longevidade da carreira do produtor, mas também sua participação na construção e consolidação de diferentes fases da cinematografia italiana.
Legado de mais de sete décadas
Com uma carreira iniciada ainda nos anos 1940, Fulvio Lucisano acompanhou boa parte da evolução do cinema italiano moderno.
De produtor de documentários no início da trajetória a fundador de uma das empresas importantes do setor audiovisual italiano, ele participou de produções de diferentes estilos e ajudou a aproximar o cinema de públicos diversos.
Sua atuação também se estendeu à representação institucional da indústria e foi reconhecida por importantes premiações e homenagens nacionais e internacionais.
A morte de Lucisano, aos 98 anos, encerra uma trajetória de mais de sete décadas dedicada ao cinema e deixa como legado uma extensa participação na produção audiovisual italiana.
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