Mutirão de juízes começa para acelerar mais de 135 mil processos contra a AIMA

Já começou o mutirão criado pelos tribunais administrativos portugueses para acelerar a análise de mais de 135 mil processos contra a AIMA. A força-tarefa reúne 28 juízes de todo o país e terá duração de seis meses. Grande parte das ações judiciais foi apresentada por brasileiros e envolve pedidos de residência, reagrupamento familiar, renovações e títulos CPLP.

A força-tarefa criada pelo Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) para acelerar os processos contra a AIMA já começou a funcionar. 

Ao todo, 28 juízes de diferentes regiões do país vão atuar em regime de acumulação de funções para ajudar a reduzir o elevado volume de ações relacionadas com imigração em Portugal.

Segundo informações oficiais, mais de 135 mil processos encontram-se atualmente em tramitação nos tribunais administrativos portugueses.

Maioria dos processos envolve imigrantes brasileiros

Grande parte das ações judiciais foi apresentada por cidadãos brasileiros que aguardam decisões da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

Entre os principais temas dos processos estão:

  • Renovações de autorizações de residência;
  • Reagrupamento familiar;
  • Títulos de residência para estudantes;
  • Autorizações de residência CPLP;
  • Outros pedidos pendentes de análise pela agência.

O elevado número de ações tem provocado forte pressão sobre os tribunais administrativos e sobre a própria AIMA.

Trabalho terá duração de seis meses

O plano aprovado pelo CSTAF prevê uma atuação inicial de seis meses.

Durante esse período, os magistrados trabalharão paralelamente às suas funções habituais para acelerar a tramitação dos processos.

O desempenho será acompanhado de perto pelo Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais.

Segundo o órgão, haverá duas avaliações formais:

  • Primeira avaliação após os primeiros três meses de trabalho;
  • Segunda avaliação ao final do período de seis meses.

Modelos de sentenças vão ajudar na rapidez

Para aumentar a produtividade, foram criados mecanismos específicos de apoio aos magistrados.

Uma das medidas consiste na disponibilização de uma pasta partilhada com modelos de despachos e sentenças que poderão servir de base para a tramitação dos processos.

A iniciativa pretende uniformizar procedimentos e reduzir o tempo necessário para análise dos milhares de casos pendentes.

Nem todas as vagas foram preenchidas

Inicialmente, o concurso previa a participação de 50 magistrados.

No entanto, apenas 28 juízes preencheram os requisitos definidos para integrar a operação.

Além dos magistrados, a iniciativa contará também com o apoio de oficiais de justiça e outros profissionais ligados aos tribunais administrativos.

Tribunais querem reduzir acúmulo histórico

A criação da força-tarefa surgiu após a preocupação crescente com o elevado número de ações relacionadas à imigração e à capacidade limitada dos tribunais para responder à procura.

A juíza desembargadora Eliana de Almeida Pinto destacou anteriormente que a dimensão do problema exigia uma resposta extraordinária por parte da Justiça.

“Temos de ser nós a resolver este problema”, afirmou a magistrada.

A expectativa é que o mutirão permita reduzir significativamente o passivo processual e acelerar decisões aguardadas por milhares de imigrantes em Portugal.

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