O governo português anunciou que pretende ampliar a capacidade de detenção de imigrantes em Portugal através da instalação de estruturas modulares temporárias nos atuais Centros de Instalação Temporária (CIT).
A medida deverá avançar até o verão e faz parte da estratégia do Executivo para reforçar o sistema de retorno de estrangeiros em situação irregular.
Governo quer aumentar número de vagas
Segundo o secretário de Estado Adjunto da Presidência e da Imigração, Rui Armindo Freitas, Portugal dispõe atualmente de apenas 80 vagas nos centros existentes em Lisboa e Porto.
De acordo com o governante, o país necessita de:
- Entre 300 e 600 vagas
- Estruturas mais rápidas de implementar
- Maior capacidade operacional para cumprir o Pacto Europeu de Migração e Asilo
A solução encontrada passa pela instalação de construções modulares temporárias junto às unidades já existentes.
Construções temporárias serão solução imediata
O governo admite que projetos anteriores para novos centros acabaram travados, incluindo propostas ligadas ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Além disso:
- Algumas localizações enfrentaram oposição das autarquias
- As obras definitivas demorariam anos
- O Executivo considera urgente ampliar a capacidade atual
Por isso, o Ministério da Administração Interna optou por estruturas provisórias enquanto novos projetos permanentes são avaliados.
Retorno de imigrantes é prioridade do governo
O tema do retorno de cidadãos sem autorização legal tornou-se central na política migratória portuguesa.
O governo afirma que o atual sistema apresenta fragilidades, especialmente após episódios recentes envolvendo embarcações com migrantes vindos do Norte da África.
Segundo Rui Armindo Freitas:
“O retorno é fundamental numa imigração que se rege por entrada, permanência e retorno.”
O Executivo defende que o novo modelo pretende:
- Tornar os processos mais rápidos
- Reforçar o controlo migratório
- Garantir maior eficácia nas ordens de saída
Críticas sobre direitos e recursos
As novas medidas já enfrentam críticas de especialistas e organizações ligadas aos direitos humanos.
Entre os pontos mais contestados estão:
- Redução dos prazos de recurso
- Limitação da defesa administrativa dos imigrantes
- Maior rigidez nos processos familiares
O secretário de Estado nega que exista violação de direitos e afirma que a legislação mantém mecanismos de proteção, sobretudo para crianças.
Segundo o governo, menores desacompanhados não poderão ser expulsos autonomamente.
Nacionalidade portuguesa também entrou no debate
Durante a entrevista, Rui Armindo Freitas comentou ainda as alterações à Lei da Nacionalidade.
O governante afirmou que o Executivo pretende evitar que a cidadania portuguesa seja utilizada apenas por conveniência administrativa.
Segundo ele:
“Ser português exige mais do que apenas trabalhar em Portugal.”
A nova legislação da nacionalidade ainda aguarda decisões do Tribunal Constitucional e da Presidência da República.