Portugal foi o país com mais greves em Portugal e entre os principais Estados-membros da União Europeia durante o primeiro trimestre de 2026. Os dados foram divulgados pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) e o organismo italiano CGSSE.
Ao todo, foram registradas 234 paralisações no país entre janeiro e março, número que colocou Portugal à frente da Itália, com 190 greves, da Espanha, com 108, e da França, com 105.
Transportes, saúde e educação lideram paralisações
Os protestos concentraram-se sobretudo nos setores dos transportes, educação, saúde e administração pública.
Em Portugal, a tensão laboral aumentou após o anúncio de um novo pacote de medidas laborais pelo Governo de centro-direita e pela realização da segunda greve geral nacional em apenas seis meses.
A paralisação realizada em junho mobilizou diversos setores, embora tenha sido alvo de contestação por parte das associações empresariais.
Empresários contestam impacto da greve geral
A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) afirmou que a adesão à greve geral de junho foi inferior à registada em dezembro de 2025.
Segundo a entidade, áreas como a indústria química, metalomecânica e automóvel registaram uma participação reduzida nos protestos.
Apesar disso, os números globais colocaram Portugal na liderança europeia em matéria de paralisações laborais no início do ano.
Itália também enfrenta tensão laboral
Na Itália, o setor público também esteve no centro dos protestos.
Os agentes da polícia local anunciaram uma paralisação nacional em junho para reivindicar melhores condições de trabalho, após vários casos de hospitalização de profissionais em serviço.
O país terminou o trimestre com 190 greves registradas.
Países Baixos e Alemanha registram menos greves
No extremo oposto do ranking aparecem os Países Baixos, com apenas cerca de sete greves registradas no mesmo período.
Alemanha e Áustria também continuam entre os países europeus onde a greve é utilizada com menor frequência como instrumento de pressão laboral.
2025 pode ter sido o ano mais grevista desde 1991
Dados preliminares do Instituto Sindical Europeu indicam que 2025 poderá ter registado o maior número de greves na União Europeia desde 1991.
Entre 2020 e 2024, os países com maior incidência de paralisações foram:
- Finlândia;
- Bélgica;
- França.
A principal motivação esteve relacionada com reivindicações salariais e com a perda do poder de compra provocada pela inflação elevada.
Sindicalização continua a cair na Europa
Apesar do aumento das greves, os números mostram uma redução contínua da sindicalização nos países da OCDE.
Segundo os dados mais recentes, a taxa de trabalhadores sindicalizados caiu de cerca de 30% em 1985 para aproximadamente 15% entre 2023 e 2024.
A exceção é a Bélgica, onde os níveis de filiação sindical continuam elevados.
Os dados mostram ainda que:
- 41,3% dos trabalhadores do setor público são sindicalizados;
- Apenas 10,1% dos trabalhadores do setor privado pertencem a sindicatos.
A tendência revela um cenário paradoxal: menos trabalhadores filiados, mas maior mobilização coletiva em momentos de pressão econômica e social.