Pagar com Pix em Portugal usando MB Way? Nova tecnologia promete integrar sistemas de pagamento

A fintech brasileira PagBrasil anunciou a expansão do serviço RoamingPay, uma tecnologia que promete integrar sistemas de pagamento regionais e permitir que brasileiros façam pagamentos com Pix em Portugal mesmo em estabelecimentos que aceitam apenas MB Way ou multibanco. A solução funciona como uma “camada de tradução” entre QR codes locais e aplicativos bancários brasileiros, sem exigir mudanças por parte dos comerciantes portugueses.

A PagBrasil, empresa brasileira especializada em soluções de pagamento online, anunciou a expansão do serviço RoamingPay para a Europa, com Portugal apontado como principal mercado do continente.

A novidade promete facilitar o uso do Pix em Portugal, permitindo que brasileiros realizem pagamentos diretamente pelos aplicativos bancários do Brasil mesmo em estabelecimentos que aceitam apenas sistemas locais, como MB Way e multibanco.

Segundo a empresa, o serviço já começou a operar em países como Argentina, Paraguai e Colômbia e a meta é chegar a dez países até o final de 2026.

Como funciona o RoamingPay

A proposta do sistema é simples: criar uma integração entre plataformas de pagamento nacionais através dos QR codes já utilizados pelos comerciantes.

Na prática, o lojista português continua oferecendo apenas MB Way ou multibanco normalmente. O cliente brasileiro escaneia o QR code com o aplicativo do banco no Brasil e a plataforma converte automaticamente a operação para um pagamento equivalente ao Pix.

Segundo Alex Hoffmann, CEO da PagBrasil, o comerciante sequer precisa saber qual sistema o cliente está utilizando.

“O comerciante português nem precisa saber como é que a pessoa está pagando”, afirmou.

Sistema funciona como “tradutor” de pagamentos

De acordo com Hoffmann, o diferencial do RoamingPay está justamente na interoperabilidade entre sistemas locais.

“A grande sacada é interconectar sistemas de pagamento que já existem no país, para que conversem entre si, como se fosse uma camada de tradução do QR code”, explicou.

O objetivo é evitar que comerciantes precisem aderir diretamente ao Pix brasileiro para atender turistas e imigrantes.

Portugal é prioridade na Europa

A escolha de Portugal como principal mercado europeu não aconteceu por acaso.

Além da forte presença da comunidade brasileira, o país já possui um sistema digital de pagamentos bastante difundido através do MB Way.

Segundo a PagBrasil, a expectativa é movimentar mais de 500 milhões de euros em transações com o RoamingPay ainda este ano.

Debate sobre soberania dos pagamentos

O avanço do Pix internacional também levanta debates sobre soberania financeira e autonomia tecnológica.

Na Europa, a SIBS,empresa responsável pelo MB Way, já anunciou a criação de uma rede regional envolvendo 13 países europeus para integração de pagamentos digitais.

A ideia é permitir transferências internacionais entre utilizadores ainda este ano e ampliar pagamentos em toda a rede a partir de 2027.

Para Alex Hoffmann, o futuro não passa pela substituição dos sistemas locais, mas pela conexão entre eles.

“Vamos interconectar os sistemas, cada um fica com o seu”, afirmou.

Pix cresce fora do Brasil

Desde 2024, o Pix vem sendo adotado em diferentes mercados internacionais, especialmente em países com forte presença de brasileiros.

Hoje, o sistema já aparece em hotéis, restaurantes e lojas em Portugal, embora ainda dependa da adesão voluntária dos comerciantes.

Com o RoamingPay, a proposta muda: o comerciante não precisa instalar um novo sistema nem aceitar diretamente o Pix para que a transação funcione.

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