Ryanair deixa de cobrar para pais viajarem ao lado dos filhos após pressão de regulador

A Ryanair anunciou que passará a atribuir gratuitamente assentos para famílias após o check-in. A mudança ocorre após uma investigação no Reino Unido sobre a cobrança para que pais viajassem ao lado dos filhos.

Viajar com crianças pequenas em voos da Ryanair ficará mais simples para muitas famílias. A companhia aérea irlandesa anunciou que deixará de cobrar dos pais para garantir assentos ao lado dos filhos quando optarem por não pagar pela escolha antecipada de lugares.

A mudança passa a valer para reservas realizadas a partir desta quinta-feira, 25 de junho, e representa uma alteração importante na política adotada pela empresa nos últimos anos.

Até agora, passageiros que viajavam com crianças entre 2 e 11 anos eram obrigados a adquirir pelo menos um assento específico para assegurar que os menores permanecessem sentados junto de um adulto responsável durante o voo. A cobrança fazia parte do chamado “lugar familiar obrigatório”, criado pela companhia para atender às suas regras de acomodação de famílias.

Com a nova política, os passageiros continuarão a poder pagar pela seleção dos assentos caso desejem escolher exatamente onde sentar. No entanto, aqueles que não quiserem pagar essa taxa passarão a receber uma atribuição gratuita de lugares após a realização do check-in, prática já adotada por diversas companhias aéreas europeias.

A Ryanair alertou, contudo, que as famílias que optarem pela atribuição automática poderão ser acomodadas, com maior frequência, nas filas traseiras da aeronave.

Segundo a empresa, isso ocorre porque os assentos localizados na parte dianteira costumam ser os primeiros a serem reservados pelos passageiros que pagam para selecionar seus lugares.

Investigação no Reino Unido acelerou mudança

A decisão da Ryanair acontece poucas semanas após a abertura de uma investigação pela Autoridade da Concorrência e dos Mercados do Reino Unido (CMA).

O órgão regulador queria avaliar se a cobrança adicional para que pais e filhos viajassem juntos poderia ser considerada abusiva à luz da legislação britânica de defesa do consumidor.

A análise também buscava determinar se a prática representava, na prática, uma cobrança aos pais para que pudessem cumprir suas responsabilidades de segurança e supervisão dos menores durante o voo.

Segundo informações divulgadas pela agência EFE, a taxa cobrada pela companhia chegava a cerca de 8 libras esterlinas por trecho, o equivalente a aproximadamente 9,3 euros.

A investigação ainda está em andamento, mas a Ryanair decidiu alterar sua política antes da conclusão do processo.

Companhia diz que mudança foi feita com relutância

Apesar da alteração, a companhia aérea deixou claro que não concorda com as críticas feitas por reguladores britânicos.

Em comunicado oficial, o presidente-executivo da Ryanair, Michael O’Leary, afirmou que a empresa acredita que seu modelo anterior era mais transparente para os consumidores.

“Adaptar-nos-emos, embora com relutância, ao padrão do setor”, declarou O’Leary.

O executivo também criticou a atuação da autoridade britânica de concorrência.

“Empenhada” em obrigar a companhia aérea a adotar uma política de lugares “menos transparente e menos favorável aos consumidores”, afirmou o presidente da empresa.

O’Leary acrescentou ainda que não pretende “perder tempo” tentando explicar a reguladores “completamente enganados” aquilo que, segundo ele, “mais convém aos consumidores”.

Na prática, a mudança aproxima a Ryanair das políticas adotadas pela maior parte das companhias aéreas europeias, que normalmente garantem que crianças pequenas viagem ao lado de seus responsáveis mesmo quando os passageiros não pagam pela escolha antecipada de assentos.

Para as famílias, a novidade pode representar uma economia extra no planejamento das viagens, especialmente durante as férias de verão, período em que milhões de passageiros circulam pelos aeroportos europeus.

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