O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, pediu que a Organização das Nações Unidas (ONU) recupere a capacidade de tomar decisões e agir diante das crises internacionais. O chanceler discursou na noite desta quarta-feira (23), durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, representando a primeira-ministra Giorgia Meloni.
Em seu pronunciamento, Tajani defendeu uma reforma das Nações Unidas e afirmou que o Conselho de Segurança precisa ser mais representativo e responsável perante os Estados-membros.
“As Nações Unidas nasceram para impedir que a violência se torne a única lei.
Mas, para permanecer fiel a essa missão, devem reencontrar a capacidade de decidir e, sobretudo, de agir”, declarou.
O ministro também reconheceu as limitações atuais da organização e afirmou que é necessário superar a paralisia de seus mecanismos.
“É preciso ter coragem para dizer que, com muita frequência, esta Organização parece impotente”, disse Tajani. Segundo ele, o Conselho de Segurança não deve se transformar em um “clube exclusivo”.
Itália defende reforma do Conselho de Segurança
Para Tajani, a reforma da ONU deve permitir que a organização acompanhe as mudanças no cenário internacional. O chanceler afirmou que a Itália quer um Conselho de Segurança “mais legítimo, representativo e responsável diante de todos os Estados-membros”.
“Não um clube ainda mais exclusivo, mas um dos pilares de uma renovação profunda das Nações Unidas que esperamos que o novo secretário-geral queira promover, para torná-las capazes de decidir e agir enquanto ainda é possível mudar os acontecimentos”, afirmou.
O discurso ocorreu em um momento de aumento do número de conflitos armados. Segundo os dados citados por Tajani, eram 56 conflitos no mundo no ano passado e, atualmente, o número chegou a 61, o maior patamar desde a Segunda Guerra Mundial.
Tajani cita guerras na Ucrânia e no Oriente Médio
O ministro também relacionou diferentes crises internacionais, incluindo a guerra na Ucrânia, os conflitos no Oriente Médio, a situação no Golfo e no Sudão.
Sobre a Ucrânia, Tajani afirmou que a Rússia, como membro permanente do Conselho de Segurança, não pode se esquivar de suas responsabilidades. Ele também defendeu um cessar-fogo e criticou as ameaças híbridas russas contra a Europa.
Segundo o chanceler, a posição italiana é baseada na defesa do direito internacional.
“A Itália sempre vai optar pela ‘força da lei’ em detrimento da ‘lei do mais forte’, pela ‘força da política em vez da política da força'”, afirmou.
Gaza: Itália pede entrada de ajuda humanitária
Ao abordar o Oriente Médio, Tajani defendeu a solução de dois Estados para o conflito entre israelenses e palestinos.
Sobre a situação em Gaza, o ministro afirmou que a redução dos combates não significou o fim do sofrimento da população.
“Os combates desaceleraram em Gaza, mas não o sofrimento. Não temos um minuto a perder”, disse.
Tajani defendeu a consolidação do cessar-fogo, a entrada “sem obstáculos” de ajuda humanitária e o desarmamento do Hamas. Ele também destacou iniciativas italianas de assistência humanitária, incluindo o programa “Food for Gaza”, além do acolhimento de crianças feridas e vulneráveis e da abertura de universidades e centros de pesquisa italianos para jovens palestinos.
A diplomacia italiana também mantém participação nas negociações relacionadas ao Líbano. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, Roma continua sediando reuniões de negociação e apoiando a atuação da missão da ONU no sul do país, a UNIFIL.
Estreito de Ormuz e pressão sobre o Irã
Tajani também abordou a segurança das rotas marítimas internacionais e pediu a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais passagens para o transporte mundial de energia.
“Devem cessar os ataques à navegação no Mar Vermelho, assim como devem terminar no Mar Negro os ataques russos às exportações de grãos ucranianos para a África”, afirmou.
Sobre o Irã, o chanceler defendeu uma retomada do diálogo e pediu que o país abandone ameaças nucleares e políticas que, segundo ele, são agressivas em relação aos demais países da região.
“O Estreito de Ormuz deve reabrir. No Golfo, é preciso relançar o diálogo e pedir ao Irã que abandone qualquer ameaça nuclear e qualquer política agressiva em relação aos outros países da região”, declarou.
“A paz não é uma herança garantida”
Ao final do discurso, Tajani relacionou a experiência europeia do pós-guerra à necessidade de preservar instituições multilaterais e mecanismos de cooperação internacional.
“A paz não é uma herança garantida de uma vez por todas. É uma responsabilidade diária”, afirmou.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores italiano, a agenda de Tajani em Nova York continua nesta quinta-feira (24), último dia de sua missão durante a 81ª Assembleia Geral da ONU. Entre os compromissos estão uma reunião ministerial da Aliança Global para a solução de dois Estados e um encontro da chamada “Coalizão de Roma”, voltado à segurança alimentar e ao acesso a fertilizantes.
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