Itália reduz previsão de crescimento econômico após impactos da guerra no Oriente Médio

O governo da Itália reduziu as projeções de crescimento do PIB até 2028, citando os efeitos da guerra no Oriente Médio. Segundo o ministro Giancarlo Giorgetti, o cenário é “excepcional” e pode exigir novas revisões. Mesmo com ajuste, as estimativas seguem acima das previsões do Fundo Monetário Internacional.

O governo da Itália revisou para baixo as projeções de crescimento econômico para os próximos anos, citando os efeitos da guerra no Oriente Médio como principal fator de incerteza.

As novas estimativas constam no Documento de Finanças Públicas (DPF), aprovado pelo Conselho de Ministros nesta quarta-feira (22).

Crescimento menor que o esperado

De acordo com o documento, o Produto Interno Bruto (PIB) italiano deve crescer:

  • 0,6% em 2026
  • 0,6% em 2027
  • 0,8% em 2028

Os números representam uma revisão para baixo em relação às projeções anteriores do governo da Giorgia Meloni, que eram de 0,7%, 0,8% e 0,9%, respectivamente.

Ainda assim, as previsões continuam ligeiramente acima das estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), que projeta crescimento de 0,5% para 2026 e 2027.

Cenário global pressiona economia

O ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, destacou que o contexto internacional torna as previsões mais incertas.

“A premissa natural é que não estamos vivendo em circunstâncias normais, mas sim em circunstâncias totalmente excepcionais e, portanto, as previsões são inevitavelmente questionáveis hoje e, infelizmente, merecerão novas atualizações nas próximas semanas.”

Déficit segue sob controle, mas aumenta

O governo também revisou as projeções para o déficit público:

  • 2,9% do PIB em 2026
  • 2,8% em 2027
  • 2,5% em 2028

Os valores são ligeiramente superiores às estimativas anteriores, mas permanecem abaixo do limite de 3% estabelecido pela União Europeia.

Pressão por flexibilização fiscal

Diante do cenário econômico, a Itália tem pressionado Bruxelas por maior flexibilidade nas regras fiscais, especialmente por conta dos impactos da guerra no Oriente Médio, incluindo o aumento dos preços de energia e a pressão inflacionária.

Giorgetti comparou a situação atual a um cenário de emergência:

“No cenário atual, os países europeus estão agindo como médicos em um hospital de campanha.”

“Temos feridos chegando de todos os lados e precisamos tratá-los; não podemos apenas dar aspirina a eles.”

Incerteza marca próximos anos

A revisão das projeções reflete um ambiente global instável, no qual fatores externos, como conflitos geopolíticos e volatilidade nos mercados, continuam influenciando diretamente as economias europeias.

O governo italiano não descarta novas revisões nos próximos meses, dependendo da evolução do cenário internacional.

Leia também: UE alerta que falhas em aeroportos de Portugal representam risco ao espaço Schengen

Comente

Neste Artigo

Sobre o autor