As plataformas de entrega Uber Eats e Deliveroo anunciaram, na última quarta-feira (8), que irão suspender temporariamente as entregas nos departamentos franceses que entrarem em alerta vermelho por calor extremo. A medida foi adotada após solicitações do governo francês e tem como objetivo reduzir os riscos enfrentados pelos entregadores durante períodos de temperaturas elevadas.
Segundo as empresas, a suspensão será aplicada apenas nas regiões classificadas com o nível máximo de alerta e ocorrerá entre 14h e 18h, período em que o calor costuma atingir maior intensidade.
Medida busca proteger trabalhadores
O anúncio foi feito poucos dias após o ministro do Trabalho da França, Jean-Pierre Farandou, pedir que as plataformas reforçassem a proteção aos profissionais que realizam entregas, atividade desempenhada, em sua maioria, por ciclistas.
Ao comentar a decisão, o ministro destacou a importância da iniciativa e fez um apelo aos estabelecimentos parceiros das plataformas.
“Esta decisão representa um passo importante, e peço aos restaurantes parceiros que demonstrem solidariedade, fornecendo a esses trabalhadores acesso a água e áreas com ar-condicionado”, declarou Jean-Pierre Farandou.
Até o momento, nenhum departamento francês está sob alerta vermelho. No entanto, dezenas de regiões permanecem em alerta laranja, nível imediatamente inferior, enquanto o país enfrenta mais uma onda de calor intensa.
França enfrenta nova onda de calor
A agência meteorológica francesa Météo-France prevê que as altas temperaturas poderão persistir até o fim do mês ou até mesmo além desse período.
Esta é a terceira onda de calor registrada no país em menos de dois meses. A primeira ocorreu no fim de maio e a segunda foi registrada no final de junho, evidenciando a frequência crescente de episódios de calor extremo durante o verão europeu.
As condições climáticas afetam especialmente trabalhadores que exercem atividades ao ar livre, como entregadores, profissionais da construção civil e equipes de manutenção urbana.
Sindicatos divergem sobre a decisão
Embora a iniciativa tenha sido bem recebida por parte das autoridades, representantes sindicais avaliam a medida de formas diferentes.
Para Ludovic Rioux, da central sindical CGT, interromper as entregas sem uma compensação financeira pode agravar a situação econômica desses profissionais.
“Torna esses trabalhadores, já em situação precária, ainda mais vulneráveis”, afirmou o representante sindical.
No fim de junho, a Prefeitura de Paris já havia solicitado às plataformas de entrega a criação de um salário mínimo para os trabalhadores sempre que as condições climáticas obrigassem a redução ou suspensão das atividades.
Por outro lado, Fabian Tosolini, representante do sindicato Union-Indépendants, apoiou a iniciativa, mas defendeu a adoção de medidas complementares.
Segundo ele, seria importante reduzir as áreas de entrega e limitar o peso dos pedidos entre o meio-dia e as 14h, período considerado um dos mais críticos em relação às altas temperaturas.
Eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes
A decisão das plataformas ocorre em meio ao aumento da preocupação com os impactos das ondas de calor na Europa. Nos últimos anos, diversos países têm adotado medidas para proteger trabalhadores expostos ao sol e às temperaturas extremas, diante da maior frequência e intensidade desses eventos climáticos.
Na França, a expectativa é que novas ações sejam implementadas caso o calor continue se intensificando ao longo das próximas semanas.
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