A Europa Ocidental registrou, em junho e julho de 2026, o período mais quente desde o início dos registros, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (10) pelo Copernicus, programa da União Europeia responsável pela observação da Terra.
A onda de calor também veio acompanhada pelo agravamento da seca em diversas áreas e pelo aumento dos incêndios florestais, especialmente em países como Espanha, França e Itália.
Temperaturas superam recorde anterior
Segundo o Copernicus, a temperatura média combinada registrada na Europa Ocidental durante os meses de junho e julho chegou a 21,62°C. O valor supera o recorde anterior, registrado em 2022.
O período foi marcado por sucessivas ondas de calor, que elevaram as temperaturas para níveis muito acima da média esperada para a estação.
“Este é um exemplo claro de como as mudanças climáticas estão intensificando o calor extremo, com a seca e o calor se alimentando mutuamente cada vez mais”, afirmou Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, órgão responsável pela operação do Copernicus.
Seca afeta rios e aumenta risco de incêndios
As altas temperaturas contribuíram para o agravamento da estiagem em diferentes partes da Europa. Em julho, países como Áustria, Itália, Espanha e França enfrentaram condições de seca significativas.
A falta de chuva também afetou importantes rios europeus. Danúbio, Pó, Sena e Reno apresentaram níveis abaixo da média para o período, segundo os dados divulgados pelo Copernicus.
Ao mesmo tempo, o calor e a baixa umidade favoreceram o aumento dos incêndios florestais, principalmente nas regiões mais afetadas pela estiagem.
Oceanos também registram recorde de temperatura
O aquecimento não ficou restrito ao continente. A temperatura média da superfície dos oceanos extrapolares em julho de 2026 chegou a 20,96°C, o maior valor já registrado para o mês.
O índice superou o recorde anterior, de 20,89°C, registrado em julho de 2023.
Na Europa, as temperaturas mais elevadas foram observadas no Atlântico e no Mediterrâneo Ocidental. As regiões também registraram ondas de calor marinhas classificadas entre fortes e graves.
El Niño contribui para o cenário de calor
De acordo com o Copernicus, parte do recorde de temperatura dos oceanos foi impulsionada pelo fenômeno El Niño no Pacífico equatorial. As condições associadas ao fenômeno devem se intensificar nos próximos meses.
“Estamos enfrentando agora um El Niño de grande magnitude, possivelmente sem precedentes em termos de amplitude”, declarou Carlo Buontempo, diretor do Copernicus.
O cenário reforça a preocupação dos especialistas com a combinação entre temperaturas elevadas, estiagem e aquecimento dos oceanos, fatores que podem ampliar os impactos de eventos extremos na Europa.
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