O número de notificações de sarampo aumentou 78,1% na Itália nos primeiros cinco meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Diante da alta, o Ministério da Saúde italiano recomendou o reforço da vigilância epidemiológica e das ações de vacinação, com atenção especial aos jovens adultos e grupos considerados de maior risco.
Entre janeiro e maio, foram registradas 609 notificações da doença, incluindo casos possíveis, prováveis e confirmados. No mesmo período de 2025, haviam sido 342. Do total de 2026, 472 casos foram confirmados em laboratório.
Apesar do crescimento, infectologistas ouvidos pela imprensa italiana afirmam que ainda não é o momento de classificar a situação como um “alerta de sarampo”. O aumento, porém, levou as autoridades a reforçarem as medidas de prevenção.
Jovens adultos concentram parte importante dos casos
Os dados da circular do Ministério da Saúde mostram que a faixa etária de 15 a 39 anos concentra a maior parte das notificações em 2026. Entre os casos dessa faixa com situação vacinal conhecida, 94,7% não estavam vacinados.
O cenário chama atenção porque o sarampo é uma doença altamente contagiosa e a vacinação é considerada a principal ferramenta para interromper a circulação do vírus.
A situação também preocupa pelo número de internações. Segundo os dados citados na circular, a proporção de casos que resultaram em hospitalização passou de 49,5% em 2024 para 56,3% em 2025 e 57,8% em 2026.
Quatro regiões registram aumento expressivo
O crescimento não ocorre de maneira uniforme em todo o território italiano. Nos primeiros cinco meses de 2026, algumas regiões apresentaram aumentos particularmente expressivos em relação ao mesmo período de 2025.
Na Calábria, as notificações passaram de 17 para 265. Na Campânia, foram de 18 para 100. No Lácio, subiram de 47 para 54, enquanto na Toscana passaram de seis para 49.
A circular do Ministério da Saúde também aponta que, em 2024, nenhuma região ou província autônoma italiana atingiu a cobertura de 95% com duas doses da vacina contra o sarampo, patamar recomendado para interromper a transmissão do vírus.
Ministério pede reforço da vacinação
Diante do cenário, o Ministério da Saúde italiano orientou as autoridades regionais a intensificarem a vigilância dos casos suspeitos e a confirmação laboratorial.
A recomendação também inclui campanhas de vacinação direcionadas principalmente a jovens adultos não imunizados e grupos de maior risco, além de ações para recuperar pessoas que não completaram o esquema de duas doses.
O ministério também recomenda atenção especial aos profissionais de saúde, com verificação da situação imunológica e oferta ativa da vacinação quando necessária.
Profissionais de saúde também aparecem entre os casos
Outro ponto destacado na análise do governo italiano é a presença de profissionais de saúde entre as pessoas infectadas.
Dos 417 casos em que havia informação sobre a profissão, 55 eram profissionais da área da saúde, equivalente a 13,2%. Entre os 45 profissionais para os quais havia informação sobre vacinação, 40 não estavam vacinados.
Segundo a circular, o dado indica um envolvimento relevante do ambiente de saúde na dinâmica de transmissão, especialmente durante períodos de circulação ativa do vírus.
Itália já havia registrado aumento do sarampo
O crescimento de 2026 ocorre após uma alta importante registrada nos anos anteriores. Em 2024, a Itália notificou 1.045 casos de sarampo, dos quais 946 foram confirmados em laboratório. Em 2025, foram 529 notificações e 497 confirmações laboratoriais.
O Instituto Superior de Saúde (ISS) já havia registrado, no início de 2026, um aumento dos casos em janeiro. Naquele mês, foram notificadas 84 ocorrências, sendo 73 confirmadas em laboratório.
O ISS destaca que o sarampo é uma doença viral altamente contagiosa e que a manutenção de uma cobertura vacinal elevada, aliada à vigilância epidemiológica, é fundamental para impedir a circulação do vírus.
A orientação das autoridades italianas é ampliar a identificação dos casos e recuperar a vacinação de pessoas que não estão imunizadas ou não completaram as duas doses recomendadas.
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