As cinzas expelidas pelo Monte Etna, na Sicília, voltaram a provocar impactos no transporte aéreo da Itália. O aeroporto de Catânia, um dos mais movimentados do país, anunciou a suspensão de todas as chegadas e partidas até as 2h de sexta-feira (14) no horário local, o equivalente às 21h desta quinta-feira (13) no horário de Brasília.
A medida foi anunciada pela SAC, empresa responsável pela administração do aeroporto, diante da presença de cinzas vulcânicas na atmosfera. Os passageiros foram orientados a consultar as companhias aéreas para verificar a situação dos voos antes de seguir para o terminal.
As restrições vêm ocorrendo de forma recorrente desde o início de agosto e, em plena temporada de verão na Europa, afetam milhares de passageiros que chegam ou deixam a Sicília.
Etna está em atividade desde 6 de agosto
O Etna é um dos vulcões mais ativos da Europa e sua atividade frequentemente provoca restrições no tráfego aéreo de Catânia.
A atual fase eruptiva começou em 6 de agosto e, segundo o presidente da Associação Italiana de Vulcanologia, Marco Viccaro, apresenta uma intensidade maior do que a observada em fases eruptivas anteriores.
Para o especialista, o comportamento do vulcão pode estar relacionado à participação mais intensa de magma vindo de regiões profundas.
“Isso sugere que um magma mais profundo e rico em gás está desempenhando um papel mais ativo, tornando o processo de fragmentação mais eficiente e aumentando a produção de cinzas, o que perturba fortemente o tráfego aéreo para o aeroporto de Catânia”, afirmou Viccaro.
INGV monitora novas bocas eruptivas
O Instituto Nacional Italiano de Geofísica e Vulcanologia (INGV) informou que a fase eruptiva continua ativa a partir de bocas localizadas a aproximadamente 2.750 metros e 2.360 metros de altitude.
A atividade tem formado extensos campos de lava nas encostas do vulcão.
Além da lava, a emissão de cinzas representa uma preocupação específica para a aviação. O material pode se espalhar pela atmosfera e comprometer a segurança das aeronaves, motivo pelo qual o tráfego aéreo é restringido quando as condições representam risco.
Alerta para aviação permanece no nível vermelho
O Observatório Vulcânico para a Aviação (VONA) do INGV mantinha o nível de alerta vermelho para a região.
A classificação indica a persistência de riscos para aeronaves devido às emissões de cinzas vulcânicas.
A situação é especialmente relevante para o aeroporto de Catânia, localizado relativamente próximo ao Etna e utilizado como uma das principais portas de entrada para turistas que visitam a Sicília.
Com a suspensão das operações, passageiros precisam acompanhar diretamente as informações divulgadas pelas companhias aéreas, já que horários de partida, chegada, cancelamentos e possíveis remarcações podem sofrer alterações.
Cinzas provocam cancelamentos e desvios de voos
A atual atividade do Etna já provocou centenas de cancelamentos e desvios de voos nos últimos dias.
O impacto ocorre justamente durante o verão europeu, período de grande movimento turístico na Sicília. A interrupção das operações em Catânia também aumenta a pressão sobre outros aeroportos da ilha, que podem receber passageiros redirecionados.
O Etna tem histórico de interferência no transporte aéreo da região. A diferença, segundo especialistas, é que a atual fase eruptiva vem mantendo uma produção significativa de cinzas, prolongando os efeitos sobre a aviação.
Erupção também atrai milhares de turistas
Enquanto as cinzas provocam transtornos no transporte aéreo, a erupção transformou o Etna em uma atração para turistas e moradores da Sicília.
Imagens dos rios de lava descendo pelas encostas do vulcão têm atraído multidões interessadas em observar o fenômeno.
Empresas que organizam caminhadas noturnas para acompanhar a erupção afirmam que a procura aumentou muito nos últimos dias.
“Todo mundo quer vir ver”, afirmou à AFP a guia local Daniele Perricelli.
Segundo ela, o grupo costuma levar algumas dezenas de visitantes ao vulcão todas as noites, mas passou a receber cerca de 300 solicitações por dia, aproximadamente três vezes mais do que em um dia comum de verão.
O guia Ernesto Maria Magri chamou o fenômeno de uma “erupção turística”, destacando que muitos moradores também estão subindo as encostas para observar a lava, em alguns casos sem organização.
Guias alertam para riscos nas trilhas
O aumento da presença de visitantes preocupa os profissionais que acompanham grupos no Etna.
Muitos turistas tentam chegar às áreas de observação por conta própria, sem acompanhamento especializado. Para Perricelli, o comportamento pode ser perigoso diante da atividade do vulcão e das condições das trilhas.
“Até 2 mil pessoas fazem a subida todas as noites: as trilhas estão lotadas”, lamentou.
O guia também relatou situações em que visitantes chegaram ao local sem equipamentos adequados.
“Ontem vimos gente de chinelo”, acrescentou, defendendo uma fiscalização maior por parte das autoridades.
Nas redes sociais, alguns turistas também foram criticados por publicarem fotografias aparentemente muito próximas das correntes de lava.
Os guias, entretanto, explicam que existem áreas de menor altitude onde é possível chegar relativamente perto de fluxos de lava que já estão mais frios. Isso não significa, porém, que todas as áreas próximas às correntes sejam seguras.
Até onde os turistas podem subir?
As regras atualmente em vigor permitem que visitantes subam por conta própria até aproximadamente 2.400 metros de altitude.
Para ultrapassar esse limite, é necessário estar acompanhado por um guia, conforme as orientações citadas pelos operadores turísticos.
O cume do Etna chega a 3.324 metros de altitude, e as condições podem mudar de acordo com a atividade vulcânica.
Por isso, especialistas recomendam que visitantes sigam as restrições estabelecidas pelas autoridades e evitem acessar áreas interditadas ou tentar se aproximar das bocas eruptivas sem acompanhamento profissional.
Proteção Civil mantém alerta amarelo
Apesar do alerta vermelho específico para a aviação, a agência italiana de Proteção Civil mantém o Etna no nível amarelo de alerta vulcânico.
A classificação corresponde ao segundo nível de uma escala de quatro, que vai do verde ao vermelho, e indica a ocorrência de atividade vulcânica frequente e a possibilidade de eventos explosivos.
A situação reforça a necessidade de monitoramento constante do vulcão, principalmente diante do grande número de turistas que tem visitado a região durante a atual fase eruptiva.
Enquanto o Etna continua emitindo lava e cinzas, a Sicília enfrenta dois efeitos simultâneos do fenômeno: de um lado, a erupção impulsiona o interesse turístico; de outro, as cinzas provocam restrições no transporte aéreo e transtornos para milhares de passageiros.
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