Veneza pode cobrar até € 30 de turistas em dias de maior movimento

Veneza avalia aumentar para até € 30 a taxa cobrada de turistas que visitam o centro histórico sem pernoitar. A proposta busca reduzir a concentração de visitantes nos dias de maior movimento e depende de mudanças na legislação italiana.

Veneza estuda aumentar para até € 30 a taxa cobrada de turistas que visitam o centro histórico sem pernoitar na cidade. A proposta, apresentada pelo prefeito Simone Venturini, busca conter os impactos do turismo de massa e incentivar os visitantes a escolher períodos menos movimentados.

A medida prevê a manutenção de tarifas mais baixas em dias de menor procura, com a cobrança máxima reservada às datas de maior concentração de turistas. A proposta foi divulgada pelo jornal italiano Quotidiano Nazionale e depende de uma mudança na legislação nacional, que atualmente limita o valor da taxa a € 10.

Proposta prevê tarifas mais altas em dias de pico

Segundo Venturini, os € 30 funcionariam como um teto para os dias considerados críticos, e não como uma tarifa fixa para todos os visitantes. A administração municipal pretende utilizar a diferença de preços para estimular os turistas a programar suas visitas em datas menos concorridas ou optar por permanecer mais tempo na cidade.

A iniciativa tem como principal alvo o turismo de bate e volta, formado por pessoas que visitam Veneza durante o dia e deixam o destino sem passar a noite.

Para implementar a mudança, no entanto, será necessário alterar as regras nacionais que regulamentam o chamado contributo di accesso. De acordo com o prefeito, a questão já foi apresentada ao governo italiano, em Roma.

Veneza arrecadou mais de € 5 milhões em 2026

O sistema de cobrança foi aplicado em 60 dias não consecutivos, entre 3 de abril e 26 de julho de 2026, das 8h30 às 16h.

Durante esse período, os visitantes pagaram € 5 quando fizeram o pagamento antecipadamente. Para quem deixou a regularização para os quatro dias anteriores à visita, a tarifa foi de € 10.

Dados provisórios divulgados pela Prefeitura de Veneza apontam a emissão de 679.553 vouchers pagos, com arrecadação de aproximadamente € 5,215 milhões.

O município também registrou uma redução de 32,3% na média diária de vouchers em comparação com 2024, além de uma diminuição na frequência dos dias com os maiores picos de visitantes.

Apesar dos resultados, a prefeitura ressalta que a cobrança não estabelece um limite para o número de pessoas que podem entrar na cidade. O objetivo é monitorar e organizar os fluxos turísticos, além de incentivar o planejamento antecipado das visitas.

Turistas hospedados na cidade têm regras diferentes

A taxa foi criada especificamente para visitantes que chegam a Veneza sem se hospedar no município. Por isso, quem passa a noite na cidade não está sujeito à cobrança da mesma maneira, embora deva observar as regras municipais aplicáveis à hospedagem e às eventuais isenções.

A proposta de aumentar o valor busca tornar a tarifa mais eficaz nos períodos de maior demanda, quando a concentração de visitantes pressiona os espaços públicos e a rotina dos moradores.

A administração municipal espera que a diferença de preço influencie parte dos turistas a mudar a data da visita ou prolongar a estadia, contribuindo para uma distribuição mais equilibrada do fluxo ao longo do ano.

Prefeitura avalia oferecer descontos com a taxa

Outra possibilidade discutida é associar a cobrança a benefícios para os visitantes. Em declarações ao Quotidiano Nazionale, Venturini mencionou a possibilidade de oferecer descontos em museus, serviços públicos, como banheiros, e produtos oficiais da cidade.

Nesse modelo, a taxa poderia funcionar não apenas como um instrumento de gestão do turismo, mas também como uma forma de facilitar o acesso a determinados serviços e atrações.

A iniciativa faz parte dos esforços de Veneza para conciliar a atividade turística com a preservação do patrimônio histórico e a qualidade de vida de seus moradores. A cidade recebe grandes volumes de visitantes ao longo do ano e enfrenta o desafio de administrar a pressão sobre sua infraestrutura e seus espaços públicos.

A eficácia da cobrança, porém, continua sendo objeto de debate. Enquanto a prefeitura defende o mecanismo como uma ferramenta para organizar as visitas, críticos questionam se a medida, isoladamente, é suficiente para enfrentar os problemas estruturais provocados pelo turismo de massa.

Por enquanto, a tarifa de € 30 permanece apenas uma proposta. A cobrança máxima continua limitada a € 10, e qualquer aumento dependerá de mudanças na legislação italiana. Os dados da experiência de 2026 deverão servir de base para os ajustes nas próximas edições do sistema.

 

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