A Itália está prestes a abandonar a tradicional carteira eleitoral em papel. O documento que os eleitores italianos apresentam para comprovar a habilitação ao voto será disponibilizado em formato digital, com previsão de estreia já na próxima rodada de eleições.
A informação foi confirmada nesta sexta-feira (25) pelo ministro da Administração Pública, Paolo Zangrillo, durante um evento em Gênova. Segundo ele, o governo já concluiu a etapa normativa da medida e trabalha agora nos ajustes técnicos necessários para colocar o novo sistema em funcionamento.
“Antes de julho realizamos uma simplificação muito importante, na qual estamos trabalhando agora do ponto de vista técnico para que seja operacional, que é a disponibilidade da carteira eleitoral digital”, afirmou Zangrillo, segundo a ANSA.
O ministro também indicou que o eleitor poderá deixar de depender do documento físico no momento de votar.
“Basta lembrarmos de levar o smartphone e podemos ir votar tranquilos”, disse.
Documento eleitoral vai para o celular
A mudança faz parte de um processo mais amplo de digitalização dos documentos públicos italianos.
Em fevereiro de 2026, o governo incluiu na legislação a possibilidade de emissão da tessera elettorale em formato digital, utilizando os dados registrados na Anagrafe Nazionale della Popolazione Residente (ANPR).
A norma prevê que a carteira eleitoral digital seja criada a partir das informações eleitorais integradas à base nacional de residentes. Também determina que o Ministério do Interior estabeleça, por meio de decretos, as características técnicas do documento e a forma como ele será utilizado.
A legislação também prevê a possibilidade de integração da carteira eleitoral ao Sistema IT-Wallet, o portfólio digital italiano que reúne documentos oficiais no smartphone.
O que é o IT-Wallet
O IT-Wallet é o sistema de carteira digital do governo italiano, acessível por meio do aplicativo IO.
A Agência para a Itália Digital (AgID) explica que o sistema foi criado para permitir que documentos e credenciais oficiais sejam disponibilizados digitalmente no celular.
Entre os documentos que já podem ser utilizados no sistema estão a carteira de motorista, a tessera sanitaria e a carteira europeia de deficiência.
A carteira eleitoral foi incluída no processo de expansão do sistema.
A legislação de 2026, porém, não determinou automaticamente que ela seria obrigatoriamente armazenada no IT-Wallet. O texto estabelece que os decretos posteriores deverão definir justamente essa questão, além das características técnicas e das modalidades de utilização.
Como será o voto com a carteira digital
A principal mudança será a substituição do comprovante eleitoral físico por uma versão digital.
Atualmente, a carteira eleitoral é um documento em papel utilizado para comprovar a inscrição do eleitor e registrar as participações nas votações.
A nova legislação permite que o eleitor tenha acesso à carteira em formato digital com base nas informações da ANPR.
No entanto, os detalhes sobre como o documento será apresentado na seção eleitoral, qual aplicativo será utilizado e como os mesários farão a validação dependem da regulamentação técnica do Ministério do Interior.
Isso significa que, apesar de Zangrillo ter anunciado a chegada do sistema já na próxima rodada eleitoral, algumas etapas de implementação ainda estão em andamento.
A carteira de papel vai desaparecer?
A legislação prevê a possibilidade de utilização da versão digital e também estabelece regras para eventual uso de uma cópia analógica em situações específicas.
O texto aprovado determina que os futuros decretos ministeriais definam as modalidades de utilização digital e também as condições para utilização da cópia analógica exclusivamente na seção eleitoral correspondente ao eleitor.
Por isso, a mudança não deve ser interpretada simplesmente como uma eliminação imediata de qualquer possibilidade de documento físico.
O objetivo é estabelecer a carteira digital como uma nova modalidade oficial, enquanto os detalhes para situações específicas serão definidos pela regulamentação.
Mudança depende dos sistemas eleitorais
A digitalização também exige alterações nos sistemas utilizados pela administração eleitoral.
A própria legislação destinou recursos ao Ministério do Interior para o desenvolvimento e a manutenção do Sistema informativo elettorale (SIEL), incluindo as atividades necessárias para a implementação da carteira eleitoral digital.
O documento digital será baseado nas informações eleitorais já integradas à ANPR.
A integração é importante porque permite que os dados sobre a inscrição eleitoral sejam atualizados de forma centralizada, reduzindo a dependência de documentos físicos emitidos individualmente pelos municípios.
O eleitor ainda precisará apresentar documento de identidade
A carteira eleitoral digital não deve ser confundida com um documento de identidade.
Ela comprova a situação eleitoral do cidadão, enquanto a identificação pessoal continua sendo uma etapa separada do procedimento de votação.
Nas regras eleitorais atualmente vigentes, o Ministério do Interior informa que o eleitor deve apresentar um documento de identificação com fotografia, como carteira de identidade ou outro documento emitido por uma administração pública.
Portanto, a digitalização da carteira eleitoral não significa, por si só, que o cidadão poderá chegar à seção eleitoral apenas com o celular e sem qualquer outro mecanismo de identificação.
As regras definitivas para o novo procedimento ainda precisam ser detalhadas pelo Ministério do Interior.
Celular não poderá ser usado dentro da cabine
Outra questão importante é diferenciar o uso do smartphone para apresentar documentos do uso do aparelho durante a votação.
As regras atuais determinam que o telefone celular deve ser entregue aos integrantes da mesa antes que o eleitor entre na cabine eleitoral. O Ministério do Interior informa que existem sanções para quem não cumprir essa regra.
Assim, a digitalização da carteira eleitoral não significa que o eleitor poderá permanecer com o celular dentro da cabine para registrar ou fotografar o voto.
O smartphone seria utilizado para a apresentação ou consulta do documento digital, conforme as regras que serão definidas para o novo sistema.
Próximas eleições devem marcar estreia
A expectativa anunciada pelo ministro Zangrillo é que a carteira eleitoral digital esteja disponível já na próxima rodada eleitoral.
“Basta lembrarmos de levar o smartphone e podemos ir votar tranquilos”, afirmou o ministro.
A declaração foi dada durante um congresso em Gênova e divulgada pela ANSA nesta sexta-feira (25). Segundo Zangrillo, a medida foi definida antes de julho e está passando pelos últimos ajustes técnicos.
A mudança representa mais uma etapa da digitalização dos serviços públicos italianos e acompanha a expansão do IT-Wallet, que já permite armazenar diferentes documentos oficiais no celular.
O que muda para os italianos no exterior?
A digitalização também interessa aos cidadãos italianos que vivem fora do país, embora a carteira eleitoral digital não altere, por si só, as regras específicas para o voto dos italianos residentes no exterior.
Italianos inscritos no AIRE (Anagrafe degli Italiani Residenti all’Estero) continuam sujeitos às normas específicas que determinam como podem exercer o direito de voto a partir do país onde residem.
A nova carteira digital está relacionada principalmente à comprovação da situação eleitoral do cidadão e à modernização dos procedimentos administrativos.
As regras específicas para eleitores residentes no exterior, portanto, continuam dependendo da modalidade da eleição e das normas eleitorais aplicáveis.
Itália acelera digitalização dos documentos públicos
A carteira eleitoral é mais uma peça de um processo maior de transformação digital da administração italiana.
O IT-Wallet foi criado justamente para concentrar documentos oficiais em formato digital e permitir que os cidadãos tenham acesso a eles pelo smartphone.
A AgID informa que o sistema é integrado ao aplicativo IO e faz parte do projeto nacional de carteira digital.
Com a inclusão da carteira eleitoral, o celular passa a concentrar mais uma documentação tradicionalmente mantida em formato físico.
A mudança, segundo o governo italiano, busca simplificar a relação entre cidadãos e administração pública e reduzir a necessidade de documentos em papel.
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