Mais de 400 caminhões participam nesta sexta-feira (25) de uma marcha lenta contra o aumento dos preços dos combustíveis em Portugal. O protesto reúne empresários dos setores de terraplanagem, movimentação de terras, escavação e extração de materiais, ligados à construção civil.
A manifestação começou na região de Lordelo, no município de Paredes, no norte do país, e segue em direção a Coimbra. O percurso passa pelas rodovias A42, A41 e A1 e deve provocar lentidão e congestionamentos ao longo do trajeto.
Embora não esteja previsto um bloqueio formal das rodovias, a circulação em velocidade reduzida deve causar filas e atrasos. A Guarda Nacional Republicana (GNR) preparou uma operação especial para acompanhar a manifestação e orientar o trânsito.
Empresários cobram apoio do governo
O protesto foi organizado por empresas do setor de terraplanagem e movimentação de terras, que afirmam estar entre as atividades mais afetadas pelo aumento dos custos de energia.
Os empresários reclamam que medidas extraordinárias anunciadas recentemente pelo governo português para enfrentar a alta dos combustíveis contemplaram alguns setores, principalmente o transporte rodoviário, mas deixaram de fora empresas que trabalham com máquinas e veículos pesados na construção civil.
Miguel Machado Mendes, advogado que representa os organizadores da manifestação, afirmou à agência Lusa que o setor está “muito exposto e vulnerável ao aumento do custo das energias”, especialmente do diesel.
Segundo os organizadores, o preço do diesel aumentou 63 centavos de euro por litro desde fevereiro.
Para algumas empresas, o combustível pode representar cerca de 70% do preço final cobrado pelos serviços.
Principal reivindicação é desconto no diesel
A principal reivindicação dos empresários é a criação de um desconto profissional no diesel semelhante ao existente para empresas de transporte de passageiros e de cargas.
Os organizadores afirmam que as empresas vêm absorvendo aumentos sucessivos de custos, além de novas exigências e mudanças nas condições de trabalho.
Segundo Miguel Machado Mendes, porém, a capacidade de absorver esses aumentos “tem limites”.
“Se não conseguirem continuar a trabalhar em condições economicamente sustentáveis, muitas obras do país serão inevitavelmente afetadas”, afirmou.
A preocupação é que o aumento dos custos para as empresas de terraplanagem e movimentação de terras também acabe impactando obras públicas e privadas em diferentes regiões de Portugal.
Marcha lenta passa por três rodovias
A manifestação começou na manhã desta sexta-feira na região de Lordelo e segue em direção ao centro de Portugal.
A previsão é de que a marcha passe pelas rodovias:
- A42, na região de Lordelo;
- A41, no sentido norte-sul;
- A1, uma das principais rodovias de Portugal;
- região de Coimbra Sul, onde está prevista a chegada da manifestação.
Os organizadores esperam a participação de mais de 400 caminhões, com possibilidade de a coluna chegar a aproximadamente 500 veículos pesados.
A manifestação não foi organizada como um bloqueio das rodovias. Os participantes circulam em velocidade reduzida, o que pode provocar congestionamentos e atrasos significativos.
GNR acompanha protesto e alerta motoristas
A Guarda Nacional Republicana preparou uma operação especial para acompanhar a marcha, com agentes posicionados em pontos estratégicos, incluindo acessos às rodovias, viadutos e áreas próximas ao percurso.
A corporação orienta os motoristas a planejarem seus deslocamentos com antecedência, acompanharem as informações sobre o trânsito e respeitarem as orientações dos agentes que estiverem nas estradas.
A operação tem como objetivo garantir a segurança dos manifestantes e dos demais usuários das rodovias e, ao mesmo tempo, reduzir os impactos no trânsito.
Governo diz que acompanha a situação
Questionado sobre a manifestação, o ministro da Economia de Portugal, Manuel Castro Almeida, afirmou que o governo acompanha a situação e mantém contato com associações empresariais, inclusive do setor de transportes.
O ministro lembrou que o governo anunciou medidas de apoio para transportadores e agricultores, mas afirmou que existe um limite para os gastos públicos.
“Não vamos quebrar o princípio das contas certas”, declarou.
Castro Almeida também repetiu uma recomendação feita pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, para que os consumidores reduzam o uso de combustível sempre que houver alternativas.
“Se houver alternativa, o conselho que damos é que as pessoas tentem consumir menos”, afirmou.
Outros protestos contra os combustíveis estão previstos
A manifestação dos empresários do setor de terraplanagem ocorre em meio a uma série de protestos contra a alta dos combustíveis em Portugal.
Em Lisboa, uma nova mobilização está prevista para a Ponte 25 de Abril, com buzinaço e marcha lenta. Os manifestantes também reivindicam a suspensão de pedágios, do IVA e do imposto sobre produtos petrolíferos e energéticos (ISP), além da aplicação de IVA zero para alimentos e medicamentos.
No sábado (26), cerca de 30 empresas de transporte de cargas devem se reunir no Carregado para discutir novas ações diante do aumento do preço do diesel.
Um dos organizadores da reunião, Diogo Mata, afirmou que as empresas ainda não receberam apoio suficiente.
“Até agora ainda ninguém nos deu apoio nenhum, ainda não recebemos nada para contrariar esta situação”, afirmou à Lusa.
Segundo os organizadores, participarão transportadores de diferentes regiões do país, principalmente da região de Lisboa.
Governo já anunciou milhões em ajuda aos transportadores
Na semana passada, o governo português anunciou medidas extraordinárias para reduzir o impacto do aumento dos combustíveis sobre o setor de transportes.
Entre as medidas está um apoio de 118 a 458 euros por veículo para o transporte de cargas e veículos de emergência, em um pacote de 30 milhões de euros.
Também foi anunciado um apoio de 420 euros por ônibus para empresas privadas de transporte de passageiros, com um orçamento total de 5 milhões de euros.
Os empresários que participam da mobilização, porém, afirmam que os valores não são suficientes para compensar o aumento dos custos.
Preço do diesel dispara na União Europeia
A alta dos combustíveis também afeta outros países europeus.
Dados da Comissão Europeia analisados pela AFP apontaram que o preço médio do diesel na União Europeia chegou a 2,23 euros por litro, contra 2,16 euros na semana anterior.
Segundo os dados, 19 países registraram preços recordes, em um cenário de pressão sobre o mercado de energia relacionado às crises no Oriente Médio e na Ucrânia.
Em Portugal, o aumento pesa especialmente sobre empresas que dependem de caminhões, máquinas e outros veículos movidos a diesel.
Combustíveis devem cair na próxima semana
Apesar da forte alta registrada nas últimas semanas, a expectativa é de redução dos preços dos combustíveis a partir de segunda-feira (28).
O diesel deve ter uma queda de aproximadamente 7,5 centavos de euro por litro, chegando a um preço médio estimado de 2,146 euros.
A gasolina também deve ficar mais barata. A redução prevista é de aproximadamente 3,5 centavos de euro por litro, levando o preço médio para cerca de 2,08 euros.
Enquanto os preços continuam elevados, empresários e transportadores mantêm a pressão sobre o governo português por novas medidas para reduzir o impacto dos combustíveis sobre os custos de operação.
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