As regiões montanhosas da Itália estão atravessando um período de forte expansão turística. Após anos em que o foco principal estava concentrado na temporada de inverno, os destinos alpinos passaram a atrair visitantes ao longo de todo o ano, impulsionados por novas formas de turismo ligadas à natureza, ao lazer e à busca por experiências autênticas.
O tema esteve no centro dos debates do Mountain Hospitality Forum, realizado em Courmayeur, no Vale d’Aosta, onde representantes do setor hoteleiro analisaram os rumos do turismo de altitude e destacaram o crescimento consistente observado nos últimos anos.
A mudança reflete uma transformação no perfil dos viajantes, que passaram a enxergar a montanha não apenas como destino para esquiar, mas também como opção para relaxar, praticar atividades ao ar livre e escapar das temperaturas cada vez mais elevadas registradas durante o verão europeu.
Segundo os dados apresentados durante o encontro, o turismo de montanha gera aproximadamente 4,3 bilhões de euros em valor agregado e recebe mais de 6,8 milhões de visitantes por temporada, números que já superam os níveis registrados antes da pandemia.
Verão ganha protagonismo nas regiões de altitude
Se durante décadas os Alpes italianos foram associados quase exclusivamente à neve e aos esportes de inverno, o cenário atual é bastante diferente.
Nos meses mais quentes, destinos de altitude vêm registrando um crescimento significativo na procura por trilhas, passeios ao ar livre, experiências gastronômicas, centros de bem-estar e atividades ligadas ao contato com a natureza.
O fenômeno acompanha uma tendência observada em várias partes da Europa. Com ondas de calor cada vez mais frequentes, muitos turistas passaram a buscar regiões mais frescas para passar as férias, reduzindo a dependência dos tradicionais destinos litorâneos.
Nesse contexto, localidades alpinas ganharam destaque por oferecer temperaturas mais amenas, paisagens preservadas e um ritmo de viagem distante dos grandes centros urbanos.
Courmayeur simboliza a transformação do turismo alpino
Entre os exemplos mais citados está Courmayeur, localizada aos pés do Mont Blanc, a montanha mais alta da Europa Ocidental.
A cidade tornou-se um dos símbolos da nova fase vivida pelas regiões alpinas italianas. Hotéis sofisticados, spas, restaurantes renomados e chalés históricos convivem com trilhas, bosques e pequenas comunidades que mantêm vivas tradições seculares da cultura de montanha.
A combinação entre infraestrutura turística moderna e patrimônio natural preservado tem atraído tanto visitantes italianos quanto estrangeiros interessados em experiências mais exclusivas e conectadas ao território.
Turismo mais lento conquista espaço
Especialistas observam que uma parcela crescente dos viajantes busca hoje um modelo de turismo menos acelerado e mais voltado à descoberta das identidades locais.
Nas montanhas italianas, isso se traduz em caminhadas por antigas rotas de pastoreio, visitas a pequenas aldeias, degustação de produtos regionais e contato direto com modos de vida tradicionais que resistem ao tempo.
Esse tipo de experiência tem se tornado uma alternativa valorizada por quem procura fugir do turismo de massa e encontrar uma relação mais próxima com a natureza e com a cultura local.
Mudanças climáticas criam desafios e oportunidades
Apesar do momento positivo, o setor também enfrenta desafios importantes.
A redução da duração das temporadas de neve em algumas áreas preocupa operadores ligados aos esportes de inverno. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas têm contribuído para ampliar a atratividade das regiões montanhosas durante o verão.
O resultado é uma distribuição mais equilibrada do fluxo turístico ao longo do ano, reduzindo a dependência dos meses de inverno e criando novas oportunidades econômicas para hotéis, restaurantes, produtores locais e comunidades das áreas alpinas.
O retorno das “terras altas”
Para muitos observadores, o atual momento lembra o período de grande prestígio vivido pelos Alpes italianos nas décadas de 1950 e 1960, quando as férias nas montanhas eram associadas à elegância, ao bem-estar e à qualidade de vida.
Após anos em que as regiões de altitude perderam espaço para outros destinos, a pandemia ajudou a acelerar a redescoberta desses territórios.
Hoje, cercadas por picos nevados, vales verdes e vilarejos históricos, as montanhas italianas voltam a ocupar uma posição de destaque no turismo nacional, atraindo visitantes em busca de paisagens impressionantes, tranquilidade e experiências que vão muito além da temporada de neve.
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