Estatuto Digital da Criança e do Adolescente no Brasil pode influenciar Portugal e UE na proteção de crianças online

Nova legislação brasileira pode inspirar regras mais rígidas na Europa sobre proteção digital de menores.

O Brasil deu um grande passona proteção de menores no ambiente digital com a criação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente — uma iniciativa que pode ultrapassar fronteiras e influenciar diretamente o debate em países europeus como Portugal.

O decreto, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelece novas obrigações para as plataformas digitais, impondo maior controle sobre o acesso de crianças e adolescentes à internet, especialmente no que diz respeito à exposição a conteúdos inadequados.

Mais do que uma medida nacional, o estatuto surge como resposta a um problema global: a crescente vulnerabilidade de menores no ambiente digital.

Um problema global com impacto local

Os números ajudam a dimensionar a urgência do tema.

No Brasil, foram registradas quase 90 mil denúncias de crimes cibernéticos envolvendo menores em apenas um ano — sendo que mais de 60% estavam relacionadas a abuso e exploração sexual infantil.

Em Portugal, a tendência segue o mesmo caminho.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, os crimes digitais contra crianças e adolescentes vêm crescendo de forma consistente desde a pandemia. O período de isolamento aumentou a exposição dos jovens à internet — e, consequentemente, os riscos.

Os dados mais recentes mostram essa escalada:

  • 3.973 denúncias em 2024
  • 4.497 denúncias em 2025
  • Crescimento de 13,16% em um ano

Destas, mais de mil casos avançaram para investigação formal.

Sextortion e novos riscos digitais

Entre os crimes que mais crescem está a chamada sextortion — prática em que imagens íntimas são usadas para extorsão.

A Polícia Judiciária abriu cerca de 1.400 inquéritos relacionados a esse tipo de crime nos últimos dois anos.

Além disso, aproximadamente 5% das denúncias envolvem conteúdos de abuso sexual de menores hospedados em território português, um dado que reforça a necessidade de resposta legislativa mais eficaz.

O que muda com o Estatuto Digital no Brasil

O novo estatuto brasileiro estabelece uma lógica mais preventiva.

Entre os principais pontos:

  • Controle mais rigoroso de acesso para menores de 16 anos
  • Responsabilização de plataformas digitais
  • Obrigação de impedir exposição a conteúdos impróprios

A proposta desloca parte da responsabilidade para as empresas de tecnologia, exigindo mecanismos ativos de proteção, algo que ainda está em debate na Europa.

Portugal e Europa ainda em fase de debate

Em Portugal, o tema também já chegou ao Parlamento.

Uma proposta em análise prevê a exigência de autorização dos pais para que jovens entre 13 e 16 anos possam acessar redes sociais. No entanto, o projeto ainda está em fase inicial e depende de negociações políticas.

No âmbito da União Europeia, a discussão é ainda mais complexa.

Embora o bloco já possua regulamentações digitais avançadas, como o Digital Services Act, a proteção específica de crianças e adolescentes ainda não avançou de forma concreta.

Há investigações em curso sobre o impacto de plataformas como TikTok, Facebook e Instagram na saúde mental de jovens, mas ainda sem tradução direta em leis mais rígidas.

Brasil como possível referência internacional

Nesse contexto, o Brasil passa a ocupar uma posição relevante no debate global.

O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente surge como um modelo concreto de regulação em um cenário onde muitos países ainda discutem conceitos básicos.

A proposta brasileira pode servir como referência para:

  • Definir responsabilidades das plataformas
  • Criar mecanismos de controle de idade
  • Estabelecer limites claros de exposição digital

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