O presidente francês Emmanuel Macron realizou uma visita oficial de dois dias a Andorra, reforçando laços históricos e defendendo mudanças importantes no país, tanto no campo político quanto social.
A agenda da visita incluiu encontros institucionais, participação em sessão solene do Conselho Geral e reuniões com o chefe do governo andorrano, Xavier Espot Zamora.
Acordo com a União Europeia em foco
Um dos principais pontos da visita foi o acordo de associação entre Andorra e a União Europeia, que deverá ser submetido a votação popular em breve.
O acordo pretende integrar o principado no mercado comum europeu, mantendo sua soberania como microestado.
Macron foi direto ao defender a aprovação do texto:
“A porta não será reaberta.”
A declaração reforça que eventuais renegociações não estão previstas, aumentando a pressão para que o acordo seja aprovado na forma atual.
Debate sobre aborto ganha destaque
Outro tema sensível abordado pelo presidente francês foi a legislação sobre aborto em Andorra, onde a prática ainda é ilegal.
Macron destacou que existe uma crescente pressão social por mudanças:
“Muitas pessoas estão a pedir.”
O líder francês defendeu avanços no debate, especialmente no sentido da despenalização das mulheres, mas ressaltou a necessidade de respeitar as instituições e tradições locais.
Atualmente, Andorra está entre os poucos países europeus que ainda mantêm proibição total do aborto, ao lado de Mônaco e Liechtenstein.
Relação histórica entre França e Andorra
A visita também teve um forte simbolismo institucional. O presidente francês exerce o papel de co-príncipe de Andorra, juntamente com o bispo de Urgell, Josep-Lluís Serrano Pentina.
Esse modelo político único reforça a ligação histórica entre os dois territórios e dá à França influência direta nas decisões do principado.
Durante a visita, Macron também passou pelo liceu francês Comte de Foix, destacando a importância da educação e da cooperação cultural entre os países.
Contexto internacional e homenagem
A agenda ocorreu em paralelo a um momento de tensão internacional, com conflitos no Médio Oriente.
Macron aproveitou a visita para prestar homenagem ao sargento francês Anicet Girardin, morto em missão no Líbano, reiterando a necessidade de responsabilização pelos ataques.