Golpes bancários atingem 1,8 milhão de italianos e causam prejuízo de € 1,1 bilhão

Mais de 1,8 milhão de italianos foram vítimas de fraudes ou tentativas de golpes envolvendo contas bancárias no último ano. O prejuízo estimado supera € 1,1 bilhão. E-mails, SMS, ligações, sites falsos e aplicativos de mensagens estão entre os principais métodos usados pelos criminosos, enquanto a inteligência artificial torna algumas fraudes mais sofisticadas.

Mais de 1,8 milhão de italianos foram vítimas de uma fraude ou tentativa de golpe envolvendo contas bancárias no último ano. O prejuízo econômico estimado ultrapassa € 1,1 bilhão, segundo uma pesquisa realizada pelo instituto mUp Research para o Facile.it e divulgada em setembro de 2026.

Os golpes utilizam desde e-mails e mensagens de texto até ligações telefônicas, sites falsos e aplicativos de mensagens. Em muitos casos, os criminosos recorrem à chamada engenharia social para convencer a própria vítima a fornecer dados ou realizar uma operação bancária.

O avanço de ferramentas de inteligência artificial também acrescentou novas possibilidades aos fraudadores, que passaram a utilizar recursos como clonagem de voz e páginas falsas cada vez mais semelhantes às de instituições legítimas.

E-mails e SMS estão entre os principais canais usados pelos criminosos

De acordo com o levantamento do Facile.it, as falsas mensagens de e-mail foram utilizadas em 36% dos casos analisados. Os SMS aparecem em seguida, com 34,4%.

As ligações telefônicas representaram 28,8% das ocorrências, enquanto 16% dos golpes envolveram sites falsificados. Aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram apareceram em 11,2% dos casos.

As porcentagens podem se sobrepor, já que uma mesma tentativa de fraude pode combinar diferentes canais de contato.

O objetivo costuma ser criar uma situação de urgência. A vítima recebe uma mensagem informando, por exemplo, que houve uma movimentação suspeita na conta ou que é necessário confirmar imediatamente algum dado.

A partir daí, o criminoso tenta obter senha, código de autenticação, dados pessoais ou convencer o cliente a realizar uma transferência.

Banca d’Italia também registra aumento de fraudes relacionadas a pagamentos

Os dados da pesquisa ajudam a dimensionar o número de pessoas expostas às tentativas de fraude, mas registros institucionais mostram que o problema também aparece no sistema bancário e nos mecanismos de reclamação dos clientes.

Segundo a Banca d’Italia, o número de controvérsias envolvendo o uso fraudulento de instrumentos de pagamento aumentou em 2025. Esses casos estiveram principalmente relacionados a phishing, spoofing, smishing e vishing.

No mesmo período, essas disputas representaram 37% do total de processos analisados pelo Arbitro Bancario Finanziario (ABF), embora a instituição ressalte que os episódios continuam sendo uma parcela pequena em relação ao volume total de pagamentos eletrônicos.

A Banca d’Italia recebeu ainda cerca de 750 denúncias relacionadas a supostas fraudes em 2025, número 2% maior que o registrado no ano anterior. Em pouco menos da metade dos casos, havia suspeita de roubo de credenciais de acesso, códigos de autenticação ou dados utilizados para contratar financiamentos ou abrir contas sem autorização.

Segundo a instituição, aproximadamente 57% dos roubos de credenciais ocorreram por meio de técnicas de engenharia social, como phishing, smishing e vishing. Em 60% desses casos, as técnicas estavam associadas ao spoofing, que consiste na falsificação da identidade ou do número de telefone, endereço de e-mail ou outro elemento utilizado para dar aparência legítima ao contato.

O que significam phishing, smishing e vishing?

Os nomes podem parecer diferentes, mas as técnicas têm um objetivo semelhante: fazer a vítima acreditar que está falando com uma instituição ou pessoa legítima.

Phishing é o termo utilizado para golpes que tentam obter informações por meio de mensagens ou páginas falsas, geralmente enviadas por e-mail.

Smishing é uma variação realizada por SMS ou mensagens de texto.

Já o vishing utiliza chamadas de voz. O criminoso pode se apresentar como funcionário de banco, agente de segurança ou representante de alguma instituição e alegar que existe um problema urgente na conta.

Outro recurso é o spoofing, usado para falsificar a identificação do remetente. Assim, uma ligação ou mensagem pode aparecer no celular com um número ou nome semelhante ao utilizado oficialmente por um banco.

A própria Polizia di Stato já alertou para casos em que criminosos combinam essas técnicas com pressão psicológica, criando uma sensação de urgência para fazer a vítima agir antes de verificar a informação.

Inteligência artificial aumenta a sofisticação dos golpes

A inteligência artificial passou a fazer parte desse cenário ao facilitar a criação de conteúdos falsos mais convincentes.

Entre as possibilidades estão a produção de páginas que imitam sites legítimos e a clonagem de voz, que pode ser utilizada para tornar uma ligação fraudulenta mais semelhante a uma comunicação real.

A Associação Bancária Italiana (ABI), em uma orientação publicada em 2026 em parceria com o CERTFin, incluiu justamente as fraudes que utilizam inteligência artificial entre as ameaças que exigem atenção dos clientes.

A instituição recomenda desconfiar de ligações, mensagens ou pedidos de dinheiro apresentados como urgentes e orienta os clientes a não compartilhar credenciais ou dados pessoais e a confirmar a identidade do interlocutor pelos canais oficiais.

Golpe pode levar a vítima a transferir o próprio dinheiro

Nem sempre o criminoso precisa invadir diretamente uma conta bancária.

Em determinados esquemas, a estratégia consiste em manipular a vítima para que ela mesma autorize a operação. É o que pode ocorrer em fraudes baseadas em engenharia social, nas quais o golpista convence a pessoa de que está protegendo seu dinheiro quando, na realidade, está realizando uma transferência para o criminoso.

A Banca d’Italia identificou esse tipo de situação em seus registros de 2025. Entre os exemplos estão falsas oportunidades de investimento, fraudes comerciais, compras pela internet que não são entregues, transferências para IBANs falsificados e falsas ofertas de crédito.

Por isso, uma operação realizada pelo próprio cliente não significa necessariamente que não tenha existido uma fraude. A manipulação pode ter ocorrido antes da transferência.

Adultos mais jovens também aparecem entre as vítimas

A pesquisa do Facile.it também contraria a ideia de que os golpes bancários atingem principalmente pessoas idosas.

A média nacional de incidência apontada pelo levantamento foi de 4,3%. Entre pessoas de 25 a 34 anos, o índice chegou a 5,1%, enquanto na faixa dos 35 aos 44 anos alcançou 6,2%.

O resultado mostra que a exposição às fraudes está relacionada também ao uso cotidiano de serviços digitais, aplicativos bancários, compras pela internet e diferentes canais de comunicação.

Muitas vítimas não denunciam

Outro dado que chama atenção é a quantidade de pessoas que não comunicam o golpe às autoridades.

Segundo a pesquisa, 32,8% dos entrevistados que sofreram uma fraude ou tentativa de fraude não fizeram uma denúncia. Entre os que não denunciaram, 46,3% afirmaram que consideraram o prejuízo financeiro pequeno, enquanto 14,6% mencionaram constrangimento por terem caído no golpe.

A ausência de denúncia pode dificultar a identificação de padrões e a investigação de grupos que utilizam as mesmas estratégias contra várias vítimas.

Bancos ampliam investimentos em segurança

O combate às fraudes também tem provocado mudanças dentro do próprio setor bancário italiano.

Segundo o relatório de segurança do CERTFin de 2026, elaborado sob a presidência da Banca d’Italia e da ABI, os bancos italianos devem destinar cerca de € 500 milhões à segurança cibernética em 2026.

Entre 2020 e 2025, os investimentos do setor em cybersecurity chegaram a aproximadamente € 2,5 bilhões. O relatório aponta ainda que o combate às fraudes está entre as áreas prioritárias de investimento.

A formação dos clientes também ganhou espaço. De acordo com o levantamento, 97% dos bancos abordam técnicas de engenharia social nas ações de orientação destinadas ao público, enquanto 88% tratam do uso seguro dos instrumentos de pagamento.

Como se proteger de golpes bancários

A ABI recomenda que os clientes não forneçam credenciais, senhas ou dados pessoais em resposta a mensagens ou ligações suspeitas. A orientação também é interromper o contato e procurar diretamente o banco por um canal oficial quando houver dúvida.

Outra recomendação é não seguir instruções dadas por supostos funcionários de bancos ou autoridades que peçam transferência de dinheiro ou compartilhamento de informações de acesso.

A Banca d’Italia também vem ampliando iniciativas de educação financeira digital. Em 2026, a instituição iniciou, junto ao Departamento de Transformação Digital da Presidência do Conselho de Ministros, um projeto voltado à utilização segura dos serviços bancários digitais e à prevenção de fraudes.

Na prática, algumas medidas podem reduzir o risco:

  • Não clicar em links recebidos em mensagens suspeitas;
  • Não informar senhas ou códigos de autenticação por telefone;
  • Desconfiar de pedidos acompanhados de urgência ou ameaça;
  • Conferir o número ou endereço por meio dos canais oficiais da instituição;
  • Ativar notificações para movimentações bancárias;
  • Utilizar autenticação em dois fatores quando disponível;
  • Interromper a comunicação e entrar em contato diretamente com o banco diante de qualquer dúvida.

Os números mostram que os golpes bancários na Itália não dependem necessariamente de técnicas altamente complexas. Muitas fraudes combinam ferramentas digitais com manipulação psicológica para fazer com que a própria vítima entregue informações ou autorize uma operação.

Com a utilização crescente de inteligência artificial, a recomendação das instituições é reforçar a verificação das informações e não tomar decisões financeiras com base apenas em mensagens, ligações ou solicitações recebidas de forma inesperada.

 

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