Mais de 166 mil pessoas com mais de 65 anos vivem atualmente em situação de rua ou estão em abrigos e centros destinados a pessoas sem-teto na União Europeia e no Reino Unido. O dado consta de um relatório divulgado pela Federação Europeia de Associações que Trabalham com Pessoas Sem-Teto (FEANTSA) e pela Fundação para a Habitação.
O levantamento chama atenção para o aumento da presença de idosos entre a população sem moradia e para as dificuldades enfrentadas pelas estruturas de acolhimento, que nem sempre estão preparadas para atender pessoas com mobilidade reduzida ou que necessitam de cuidados de saúde.
Estimativa reúne dados de diferentes países
Segundo o relatório, o número de idosos “nas ruas, em abrigos de emergência ou acolhidos em centros destinados a pessoas sem-teto pode ser estimado em 166.261”.
Para chegar ao número, as organizações utilizaram dados disponíveis sobre a população em situação de rua em diferentes países europeus, considerando especificamente a distribuição por faixa etária.
A partir dos dados de nove países, foi calculada uma média de 0,148% de idosos em situação de rua. Essa proporção foi então aplicada à população com mais de 65 anos da União Europeia e do Reino Unido, resultando na estimativa de 166.261 pessoas.
Presença de idosos varia entre os países
A participação dos idosos no conjunto da população em situação de rua apresenta diferenças significativas entre os países que possuem dados disponíveis.
A proporção varia de 1,6% na Irlanda a 8,9% na Alemanha. Na Hungria, o percentual chega a 44%.
Há também uma diferença na percepção sobre a vulnerabilidade da população idosa. Ruth Owen, diretora adjunta da FEANTSA, afirmou que existe uma tendência de considerar os idosos como um grupo protegido de determinadas dificuldades sociais.
“Há uma tendência de imaginar os idosos como um grupo etário poupado de dificuldades, ‘mas dentro de cada geração existem fortes desigualdades'”, ressaltou Owen durante uma coletiva de imprensa.
Abrigos enfrentam dificuldades para atender idosos
O relatório aponta que o crescimento do número de idosos em situação de rua aumenta a pressão sobre os serviços de acolhimento emergencial.
Muitos desses espaços foram planejados para pessoas com maior grau de autonomia e para períodos relativamente curtos de permanência. Segundo o documento, as instalações são “projetadas para acolher um público relativamente autônomo”, dentro de “uma lógica de transição”.
A estrutura física também pode representar um obstáculo. Abrigos sem elevadores, com beliches ou sem adaptações para pessoas com mobilidade reduzida podem não atender adequadamente idosos que estão perdendo autonomia.
Além disso, essa parcela da população costuma apresentar necessidades maiores de acompanhamento e cuidados de saúde. O setor social, entretanto, enfrenta limitações de recursos e de profissionais especializados para oferecer esse atendimento.
Europa já soma 1,4 milhão de pessoas sem moradia
Considerando todas as faixas etárias, o relatório estima que 1,4 milhão de pessoas estejam em situação de rua, em abrigos emergenciais ou acolhidas em centros de assistência na Europa.
O número representa um aumento em relação ao levantamento anterior, que estimava 1,3 milhão de pessoas em 2024.
As organizações afirmam que o crescimento ocorre enquanto os sistemas de acolhimento enfrentam uma pressão cada vez maior.
ONGs pedem estratégias nacionais contra a situação de rua
De acordo com as associações, o cenário inclui “filas de espera que disparam, pessoas transferidas de um abrigo para outro sem solução definitiva e estadias que se prolongam por falta de alternativas”.
Esse contexto também estaria levando os serviços a “selecionar o público” atendido e a “endurecer” as condições de acesso aos abrigos. Para as organizações, essas medidas têm “efeitos letais”.
Diante do agravamento da situação, as entidades defendem que os governos adotem e coloquem em prática “estratégias nacionais” de combate à situação de rua, que sejam “atualizadas e ambiciosas”.
A proposta busca ampliar as respostas dos países europeus diante do crescimento da população sem moradia e, especialmente, das necessidades específicas de uma população idosa cada vez mais presente entre as pessoas atendidas pelos serviços de emergência.
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