Um aviso inusitado chamou a atenção dos moradores de Caino, pequena cidade de pouco mais de dois mil habitantes na província de Brescia Province, no norte da Italy.
Na porta do setor responsável pelos registros civis do município, um cartaz informa, de forma bem-humorada, que “é proibido nascer, morrer e casar” na cidade.
A mensagem foi colocada pelo prefeito Cesare Sambrici após o departamento de registros civis ficar sem funcionários suficientes para atender a população.
Segundo o comunicado, fixado em 12 de março, “até nova ordem” também está proibido procurar o escritório para qualquer procedimento administrativo.
Crise começou com afastamento de servidora
De acordo com o prefeito Cesare Sambrico, o problema teve início quando a funcionária responsável pelo setor precisou se afastar do trabalho por motivos pessoais durante cerca de dez meses.
A situação se agravou recentemente, quando outros três servidores deixaram seus cargos no município para assumir funções em administrações públicas maiores.
Um deles foi contratado pela própria província, outro passou a trabalhar na prefeitura de Brescia e um terceiro optou por um emprego em um município mais próximo de sua residência.
Pequenas cidades enfrentam dificuldades para manter servidores
O prefeito explicou que esse tipo de situação é comum em municípios pequenos.
Segundo ele, cidades com poucos habitantes acabam perdendo profissionais para centros urbanos maiores, que oferecem mais oportunidades e melhores condições de trabalho.
Até o final do ano passado, a prefeitura de Caino contava com nove funcionários em tempo integral, além de uma assistente social. Atualmente, restam apenas quatro servidores para manter os serviços municipais funcionando.
Prefeito chegou a emitir documentos pessoalmente
Enquanto tenta reorganizar o atendimento, a prefeitura busca apoio de municípios vizinhos para conseguir funcionários temporários.
A legislação italiana, porém, dificulta a reposição imediata de servidores. Quando um funcionário público se transfere para outra administração, o município precisa esperar cerca de seis meses antes de abrir um novo concurso ou processo de contratação.
Diante da falta de pessoal, o próprio prefeito tem ajudado no atendimento. Em um dos casos recentes, ele mesmo emitiu um certificado de residência para um morador.
Além disso, um ex-funcionário aposentado, que trabalhou mais de quatro décadas no setor, se ofereceu para colaborar temporariamente com o município, embora precise se adaptar ao novo sistema digital utilizado pela prefeitura.
Humor para explicar a situação
O cartaz com a frase “proibido nascer, morrer e casar” acabou se tornando assunto entre os moradores da cidade.
Segundo o prefeito, a ideia foi usar um tom de humor para explicar o problema administrativo.
Ele afirmou que apostou na autoironia para lidar com a situação e destacou que a intenção era chamar atenção para a dificuldade enfrentada pela prefeitura sem perder o bom humor.
Apesar da brincadeira, o prefeito ressaltou que a prioridade continua sendo garantir os serviços essenciais à população, lembrando que documentos podem esperar, mas a saúde das pessoas não.
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