Uma brasileira de 20 anos recebeu uma mensagem ofensiva na comanda de um restaurante em Riccione, no litoral da Itália, depois de pedir que seus ovos fossem preparados um pouco mais. O funcionário responsável pela anotação escreveu para a cozinha que os ovos deveriam ser queimados e que cuspissem neles.
Maria Clara, que vive em Florença e se define como metade italiana e metade brasileira, estava com a mãe e a tia no Victor Lab, localizado na viale Ceccarini, uma das principais vias de Riccione. As três tomavam café da manhã e haviam pedido dois pratos iguais. A única diferença era que Maria Clara queria os ovos bem passados.
Comanda com mensagem ofensiva
Segundo a jovem, o garçom respondeu de maneira ríspida quando ela fez o pedido, afirmando que o restaurante não servia ovos crus. Pouco depois, a comanda chegou à mesa com uma mensagem que deveria ter sido enviada apenas à cozinha.
“Essa me encheu o saco. Queime os ovos e cuspa neles”, dizia a anotação, em tradução do italiano.
Maria Clara publicou uma foto da comanda na avaliação do estabelecimento no Google. O caso rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e na imprensa italiana.
Restaurante pede desculpas à família
Após a reclamação, a direção do Victor Lab pediu desculpas à família, cancelou a cobrança e ofereceu outros produtos do estabelecimento. A família, porém, recusou a oferta.
O funcionário responsável pela mensagem, de 17 anos, foi afastado. Segundo o relato de Maria Clara à imprensa italiana, ele ficou nervoso quando soube que ela procuraria a gerência e disse que a frase havia sido uma brincadeira entre ele e o cozinheiro.
O restaurante, no entanto, voltou a alimentar a polêmica ao publicar um vídeo nas redes sociais ironizando o episódio. Na gravação, o proprietário interpreta um cliente que faz vários pedidos e pergunta por um prato com “cuspe”. O estabelecimento também perguntou aos seguidores se o jovem deveria ser demitido.
Maria Clara criticou a iniciativa e afirmou que não queria transformar o funcionário em alvo de uma campanha pública.
“Não à exposição pública do garoto”, disse a jovem ao jornal italiano Il Resto del Carlino, acrescentando que esperava um pedido de desculpas.
Garçom é reintegrado após três dias
Depois de três dias de suspensão, o funcionário foi reintegrado ao restaurante.
O proprietário do Victor Lab, Luciano Colono, afirmou que decidiu dar uma segunda oportunidade ao adolescente e classificou o episódio como um erro cometido por um jovem. O garçom voltou a atender clientes no estabelecimento.
Enquanto isso, Maria Clara afirmou ter recebido insultos racistas e ameaças nas redes sociais depois que o caso ganhou repercussão. Por esse motivo, preferiu não divulgar seu sobrenome.
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