O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, voltou a defender a política de regularização de imigrantes adotada pelo governo e afirmou que a imigração será decisiva para o futuro econômico do país. Segundo ele, sem a chegada de trabalhadores estrangeiros, a Espanha poderá perder cerca de 19% de seu Produto Interno Bruto (PIB) até 2050.
A declaração foi feita nesta última terça-feira (30), último dia para que imigrantes em situação irregular apresentassem a documentação necessária para participar do plano extraordinário de regularização lançado pelo governo espanhol.
Até o momento, mais de um milhão de pessoas já protocolaram seus pedidos para regularizar a permanência no país.
Sánchez diz que imigração é fundamental para o crescimento da Espanha
Ao defender a medida, o premiê afirmou que os imigrantes desempenham um papel importante na economia espanhola, ajudando a suprir a falta de mão de obra em diversos setores e contribuindo para a manutenção do estado de bem-estar social, especialmente diante do envelhecimento da população.
“A imigração ajuda a suprir as necessidades de mão de obra, também a sustentar o estado de bem-estar social e mantém vivos muitos territórios”, argumentou Sánchez.
Em seguida, destacou o impacto econômico que a ausência da imigração poderia causar nas próximas décadas.
Sem imigração, “a Espanha perderia 19% de seu PIB em 2050”, disse o premiê espanhol.
Governo espanhol mantém posição diferente da maior parte da União Europeia
Enquanto diversos países europeus vêm endurecendo suas políticas migratórias, o governo de esquerda liderado por Pedro Sánchez mantém uma postura favorável ao acolhimento de imigrantes, tornando-se uma exceção dentro da União Europeia.
Durante o discurso, o primeiro-ministro afirmou que a política migratória espanhola também reflete um compromisso com os direitos humanos.
“Queremos que o mundo veja a Espanha como um país que respeita, que protege e que ampara os direitos humanos”, afirmou Sánchez.
O premiê também classificou a iniciativa como positiva para o país, embora tenha reconhecido que existem desafios.
A medida é “boa” para a economia espanhola, embora tenha reconhecido seus “desafios”.
Empresários apoiam a medida diante da falta de trabalhadores
Além do governo, o plano também recebeu apoio de representantes do setor empresarial.
Nos últimos meses, o presidente da principal organização empresarial da Espanha (CEOE) elogiou a iniciativa, destacando que diversos segmentos enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores e que a imigração pode ajudar a suprir essa demanda.
Plano ganha destaque em meio à crise política
A defesa da regularização também ocorre em um momento delicado para Pedro Sánchez.
O primeiro-ministro enfrenta uma série de investigações envolvendo pessoas próximas e integrantes do Partido Socialista, relacionadas a denúncias de corrupção e suposto tráfico de influência.
Nesse cenário, o plano extraordinário de regularização tornou-se uma das principais bandeiras do governo, a cerca de um ano do fim previsto da atual legislatura.
Como funciona o processo de regularização
Pelas regras estabelecidas pelo governo espanhol, as autoridades terão até três meses para analisar cada pedido.
Os imigrantes que tiverem a solicitação aprovada receberão uma autorização de residência e trabalho válida apenas para a Espanha.
Para participar do programa, era necessário comprovar permanência em território espanhol por, no mínimo, cinco meses até 1º de janeiro deste ano, além de apresentar certidões que comprovem a ausência de antecedentes criminais.
Imigrantes comemoram oportunidade de legalizar situação
Entre os beneficiários do programa está Juana Hernández, cubana de 59 anos que vive em Madri há dois anos e meio.
Ela comemorou a possibilidade de regularizar sua permanência no país.
“É uma grande oportunidade”, conta, entusiasmada.
Graduada em língua inglesa e atualmente em formação para trabalhar no aeroporto de Madri-Barajas, Juana disse que ficou apreensiva enquanto aguardava uma resposta do governo.
Ficou “um pouco inquieta”, antes de receber, há alguns dias, “a notificação de admissão para análise” do processo.
Outro exemplo é Mohamed, marroquino de 23 anos que vive há quatro anos de forma irregular na região da Cantábria.
Segundo ele, obter a documentação permitirá trabalhar legalmente e evitar situações de exploração.
Deseja regularizar sua situação “para trabalhar legalmente, contribuir” e evitar que empregadores se aproveitem dele.
Espanha continua sendo uma das principais portas de entrada da imigração
A Espanha permanece entre os principais destinos de imigrantes que chegam à Europa.
Segundo o Ministério do Interior, cerca de 37 mil pessoas entraram no país de forma irregular em 2025, número que representa uma redução de 42,6% em comparação com 2024.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que, em 1º de janeiro deste ano, mais de 10 milhões de pessoas nascidas no exterior viviam na Espanha. Atualmente, o país possui uma população de aproximadamente 50 milhões de habitantes.
A regularização em massa promovida pelo governo busca integrar parte desses imigrantes ao mercado formal de trabalho e ampliar sua participação na economia espanhola, tema que continua dividindo opiniões entre governo e oposição.
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