Fim de uma era: Finlândia, onde a Nokia foi fundada, desliga telefonia fixa após quase 150 anos

A Finlândia encerrou sua rede de telefonia fixa após quase 150 anos. O país onde a Nokia foi fundada concluiu a migração para tecnologias digitais.

A Finlândia encerrou oficialmente na última terça-feira (30) um dos capítulos mais importantes da história das telecomunicações. Após quase 150 anos de funcionamento, a tradicional rede de telefonia fixa baseada em cabos de cobre foi desligada, consolidando a migração do país para tecnologias digitais.

A despedida tem um significado especial por acontecer justamente na Finlândia, país onde a Nokia foi fundada. A empresa se tornou um dos maiores símbolos da telefonia móvel mundial e ajudou a popularizar os celulares, tecnologia que, ao longo das últimas décadas, substituiu gradualmente os antigos telefones fixos.

Com a mudança, a Finlândia passa a utilizar infraestruturas mais modernas, como fibra óptica e redes móveis, seguindo o caminho já adotado por países como Estônia, Holanda, Noruega e Espanha.

Uma tecnologia que marcou quase um século e meio

A rede de telefonia fixa finlandesa entrou em operação na década de 1880, poucos anos após a invenção do telefone. Durante décadas, ela foi o principal meio de comunicação entre famílias, empresas e órgãos públicos, tornando possível o contato à distância em uma época muito anterior à internet e aos celulares.

Com o avanço da tecnologia, porém, as linhas de cobre passaram a perder espaço para soluções mais rápidas e eficientes. A expansão da fibra óptica e o crescimento da telefonia móvel transformaram completamente a forma como as pessoas se comunicam.

Essa mudança foi acompanhada de perto pela própria Finlândia. Foi no país que a Nokia iniciou sua trajetória antes de se tornar uma das maiores fabricantes de celulares do mundo, ajudando a impulsionar a revolução da comunicação móvel que reduziu drasticamente o uso dos telefones de linha.

A última ligação antes do desligamento

O encerramento da histórica rede foi conduzido pela Elisa, última grande operadora finlandesa a manter uma infraestrutura de telefonia fixa baseada em cabos de cobre.

Para marcar o momento, a empresa realizou uma ligação simbólica entre seu diretor-presidente, Topi Manner, e Jarkko Saarimaki, diretor da Agência Nacional de Transportes e Comunicações.

Durante a conversa, os dois compartilharam lembranças da época em que o telefone fixo fazia parte da rotina das famílias.

Manner relembrou os anos em que morou em Londres, na década de 1980, quando telefonava para casa apenas uma vez por semana. As chamadas eram feitas em um horário previamente combinado para garantir que todos estivessem reunidos para atender.

Os dois também conversaram sobre o futuro das tecnologias móveis antes de encerrarem a ligação com um “kuulemiin”, expressão em finlandês que significa “até mais”.

Apenas alguns milhares de clientes ainda utilizavam o serviço

A Elisa havia anunciado em janeiro que desativaria definitivamente a rede de cobre até o fim de junho. Na ocasião, informou que restavam apenas “alguns milhares” de clientes utilizando exclusivamente a telefonia fixa e que o serviço já não era oferecido comercialmente havia vários anos.

Segundo a emissora pública Yle, as únicas redes de telefonia fixa ainda existentes na Finlândia pertencem a pequenas operadoras locais, responsáveis por atender apenas alguns milhares de assinantes para chamadas locais.

O fim da telefonia fixa em um país que ajudou a transformar as comunicações

Muito antes dos smartphones, das mensagens instantâneas e das chamadas por aplicativos, o telefone fixo era o principal elo entre pessoas separadas por quilômetros de distância.

Durante quase 150 anos, a rede de cobre fez parte da rotina de milhões de finlandeses e acompanhou profundas mudanças tecnológicas. Agora, ela dá lugar definitivo às conexões digitais.

O encerramento também simboliza a evolução das telecomunicações em um país que viu nascer a Nokia, empresa que desempenhou um papel importante na popularização dos celulares em todo o mundo. Da era dos telefones de parede à comunicação móvel e à internet de alta velocidade, a Finlândia se despede de uma tecnologia histórica, mas que deixou um legado permanente para a evolução das comunicações.

 

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