Meloni defende presidente de direita na Itália e oposição reage

A primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que a direita também deve ocupar a Presidência da República italiana no futuro. A declaração gerou críticas da oposição, que acusa a premiê de tentar ampliar o controle sobre as principais instituições do país.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou na última terça-feira (30) que acredita ser o momento de uma personalidade de direita assumir a Presidência da República, cargo que representa o chefe de Estado italiano. A declaração foi feita durante uma entrevista ao programa “10 Minuti”, da emissora Mediaset, pertencente à família Berlusconi.

Durante a entrevista, Meloni afirmou que a direita já conseguiu superar uma barreira histórica ao chegar ao comando do governo italiano e que agora poderia alcançar outro marco importante.

“Depois de quebrar a barreira do Palácio Chigi, a direita também pode quebrar o tabu do Quirinale”, afirmou Meloni. “Seria uma notícia terrível para uma certa parte do establishment, mas afirmaria algo muito simples: quem não está à esquerda não é filho de um deus menor.”

O que significam Palácio Chigi e Quirinale?

Na Itália, o Palácio Chigi é a sede do governo e da primeira-ministra. Foi para lá que Meloni chegou em 2022, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo de premiê do país.

Já o Palácio do Quirinale é a residência oficial do presidente da República. Ao falar em “quebrar o tabu do Quirinale”, Meloni se refere à possibilidade de a direita também conquistar a Presidência da República, cargo considerado um dos mais importantes do sistema político italiano.

Como funciona a escolha do presidente?

Diferentemente de países onde o presidente é eleito diretamente pela população, na Itália o chefe de Estado é escolhido por uma votação realizada pelo Parlamento, com a participação de representantes das regiões.

O atual presidente, Sergio Mattarella, foi reeleito em 2022 e permanecerá no cargo até 2029. Antes disso, porém, o país terá eleições legislativas em 2027, que poderão alterar a composição do Parlamento responsável por escolher o próximo presidente.

Declaração provocou críticas da oposição

As falas de Meloni repercutiram rapidamente entre partidos de oposição, que interpretaram o discurso como um sinal de que a premiê pretende ampliar a influência da direita nas principais instituições italianas.

Angelo Bonelli, integrante da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), acusou Meloni de tentar modificar a lei eleitoral para fortalecer seu grupo político.

Já Francesco Boccia, líder do Partido Democrático (PD) no Senado, fez críticas diretas à primeira-ministra.

“Giorgia Meloni está interessada apenas no poder, sobretudo o dela.”

Meloni lidera o governo desde 2022

Giorgia Meloni assumiu o comando do governo italiano em 2022, tornando-se a primeira mulher a exercer o cargo de primeira-ministra e a chefe de governo mais à direita da Itália desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Embora a eleição presidencial ainda esteja distante, as declarações da premiê abriram um novo debate político no país sobre o futuro da Presidência da República e o espaço que a direita poderá ocupar nas instituições italianas nos próximos anos.

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