A capital da Hungria recebeu neste fim de semana a primeira Marcha LGBT em Budapeste desde a saída do governo ultraconservador de Viktor Orbán.
A edição deste ano ocorreu após um período de forte tensão, já que, em 2025, o governo tentou impedir a realização do evento, que acabou acontecendo mesmo diante das ameaças de sanções.
Sob temperaturas entre 37 ºC e 38 ºC, milhares de pessoas participaram da marcha pelas ruas da capital húngara. O desfile foi liderado por dezasseis camiões de música, enquanto manifestantes exibiam bandeiras arco-íris e da União Europeia ao longo do percurso.
Organizadores celebram resistência
Em mensagem publicada nas redes sociais, os organizadores recordaram a edição anterior, classificada como a “Marcha da Liberdade”.
Segundo o grupo, apesar das tentativas de intimidação e das ameaças de processos criminais, centenas de milhares de pessoas participaram da manifestação em 2025.
“A nossa coragem obrigou o autoritarismo a recuar”, afirmaram os organizadores, acrescentando que a luta continua enquanto qualquer comunidade permanecer privada de direitos.
União Europeia reforça apoio
Antes do início da marcha, o presidente da Câmara de Budapeste, Gergely Karácsony, reuniu-se com a comissária europeia para Igualdade e Ajuda Humanitária, Hadja Lahbib.
Durante o encontro, Lahbib destacou o apoio internacional ao evento e anunciou que a União Europeia pretende duplicar os recursos destinados a iniciativas voltadas para uma sociedade mais inclusiva e democrática.
Karácsony afirmou que Budapeste tem estado na linha da frente da defesa dos direitos civis e lembrou que a Comissão Europeia considerou incompatíveis com o direito europeu algumas medidas adotadas pelo anterior governo húngaro contra a comunidade LGBT.
O autarca também informou que o tribunal arquivou o processo criminal instaurado contra ele após apoiar a realização da marcha do ano passado.
Polícia investiga vandalismo
Paralelamente ao evento, a Polícia de Budapeste abriu um inquérito contra quatro jovens suspeitos de atirarem bandeiras arco-íris da ponte Erzsébet para o rio Danúbio na noite anterior à manifestação.
Segundo as autoridades, os suspeitos foram identificados e detidos poucos minutos após o incidente.