O clássico brasileiro Onda Nova, censurado durante a Ditadura Militar, volta às telas em Lisboa neste domingo (28), em uma sessão especial dedicada à história do futebol feminino, à diversidade e à memória do cinema brasileiro.
A exibição acontece às 19h, no Cinema Fernando Lopes, organizada pelas R’Elas, equipe feminina de futsal da Associação Desportiva e Recreativa O Relâmpago.
O evento integra a programação do mês da diversidade e também faz parte do Mini Euros 2026, torneio de futebol feminino amador promovido pelo FOCA Futebol Clube.
Um filme à frente do seu tempo
Dirigido por José Antônio Garcia e Ícaro Martins, Onda Nova acompanha as jogadoras da fictícia equipe Gayvotas Futebol Clube, formada logo após a liberação do futebol feminino no Brasil, em 1979.
Enquanto se preparam para um amistoso internacional contra a seleção italiana, as atletas enfrentam preconceitos dentro e fora dos gramados, além de conflitos familiares e questões relacionadas à liberdade, identidade e afetividade em uma sociedade ainda profundamente conservadora.
A obra conta com participações de Regina Casé, Caetano Veloso e dos ex-jogadores Walter Casagrande e Wladimir, símbolos da Democracia Corinthiana, movimento que marcou a resistência política no futebol brasileiro durante a década de 1980.
Filme foi censurado pela Ditadura Militar Brasileira
Produzido durante os últimos anos do regime militar brasileiro (1964–1985), Onda Nova acabou censurado e permaneceu por décadas distante do público.
Em 2025, a produtora Júlia Duarte restaurou e remasterizou o longa em 4K, em parceria com a Cinemateca Brasileira e a família do diretor José Antônio Garcia, permitindo que a obra voltasse ao circuito cultural.
Após a sessão em Lisboa, Júlia Duarte participará de uma conversa com o público para explicar o processo de restauração e discutir a importância histórica do filme para o cinema brasileiro e para a memória do futebol feminino.
Esporte, diversidade e inclusão
As R’Elas, responsáveis pela organização do evento, foram criadas em 2022 e reúnem atletas de diferentes nacionalidades, incluindo brasileiras.
A equipe faz parte da ADR O Relâmpago, associação cultural e desportiva de Lisboa que promove o acesso ao esporte popular e atua em bairros como Arroios, Graça, Penha de França e Santa Engrácia.
Nos últimos anos, o projeto conquistou a Taça Fundação INATEL e disputou diversas finais de competições amadoras na região de Lisboa, consolidando-se como uma das principais iniciativas de futebol feminino comunitário da cidade.